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O suporte importa (algumas observações)

Importante fazer algumas observações sobre pesquisa conduzida por Arthur D. Santana, Randall Livingstone e Yoon Cho (todos da Universidade do Oregon), que basicamente detectou maior capacidade de apreensão do noticiário por quem consome jornais impressos – a comparação aqui foi direta com páginas na internet.

Não, o jornal impresso não possui nenhum poder mágico sobre o leitor. A explicação para isso é basicamente física – e já havia sido largamente explorada nos estudos de usabilidade de Jakob Nielsen.

Em 1997, ele mostrou que a leitura humana numa tela de computador funciona basicamente por meio de escaneamento de palavras. Ou seja, lemos mal e porcamente a web – um ambiente hostil ao olho humano, que funciona melhor reagindo à reflexão da luz (como se lê em papel) do que à sua emissão.

Outra vantagem do suporte papel, e isso o trabalho do povo do Oregon ressalta, é a capacidade de hierarquizar informação, deixando evidente ao consumidor o que é considerado mais importante.

A ciranda de manchetes e mudanças do jornalismo on-line joga decisivamente nisso, desvalorizando, por mera questão temporal, assuntos que talvez devessem ter destaque mais duradouro.

Há mais homens que mulheres falando no noticiário?

Alicia Shepard, ombudsman (ou ombudsqvina?) da NPR (a emissora estatal de rádio dos EUA) fez um levantamento que resultou numa constatação interessante _e sobre a qual nunca havia percebido: há poucas fontes femininas no jornalismo praticado pela companhia.

Provavelmente, transposto à nossa realidade, o estudo chegaria à mesma conclusão. Mas isso é perceptível? Você nota que há menos mulheres do que homens falando com frequência no noticiário?

Taí um ótimo objeto de pesquisa.

A morte do primeiro âncora

Foi com lágrimas nos olhos _e tirando brevemente os óculos de espessa e inconfundível armação preta_ que Walter Cronkite deu uma das notícias mais impactantes da história da humanidade: o assassinato do presidente John Kennedy, em 1963.

Atrás da bancada do principal noticiário da rede de TV norte-americana CBS por mais de três décadas, ele se tornaria “o homem mais confiável da América”, além de ter transformado a função de reles apresentador. Cronkite foi um influente analista do noticiário no qual as pessoas tinham confiança absoluta.

E ainda por cima, como um anfitrião de luxo, conduzia o público com maestria a um passeio diário pel noticiário.

Foi o primeiro âncora de que se tem notícia não apenas na acepção do termo (criado para ele no final dos 50). Era o comandante do noticiário da CBS, que se tornou o programa jornalístico de maior audiência nos Estados Unidos enquanto teve ele como principal estrela.

Cronkite morreu no final da noite desta sexta-feira, aos 92 anos. Sua morte provocou uma corrida à internet e obrigou a Wikipedia a bloquear atualizações no verbete do jornalista, uma verdadeira lenda.

Se você trabalha em televisão (ou pretende fazê-lo) e não conhece a trajetória de Cronkite, trate de preencher com urgência essa lacuna.