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Governo francês põe dinheiro para manter sites noticiosos vivos

Um ano depois de oferecer benefícios fiscais e outras benesses, como a concessão, a todo jovem ao completar 18 anos, de uma assinatura de um jornal, o governo francês anunciou novo pacote de bondades para a mídia do país.

Agora são os sites “puro-sangue”, ou seja, web-only (casos do Slate.fr ou do Rue89), que vão meter a mão na grana. Serão 60 milhões de euros por três anos, 80% deles em subvenções e o restante em dinheiro vivo.

É a estatização pura e simples do jornalismo em países, como a França, em que ele está pra lá de moribundo.

Pelo menos, ao abraçar os sites, o governo de Nicolas Sarkozy dá um recado de isonomia, já que por ora apenas os jornalões tinham se beneficiado de dinheiro público para manter suas operações vivas por mais algum tempo.

Quanto tempo? Não se sabe.

Governo da França tira 600 milhões de euros do bolso para salvar jornais impressos

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje um pacote que prevê a liberação de 600 milhões de euros (quase R$ 2 bilhões), durante três anos, para salvar a imprensa do país _notadamente a impressa, que possui uma dívida conjunta hoje incalculável.

Na Inglaterra, o governo também já estuda uma forma de salvar a imprensa regional da desaparição.

A ideia francesa é reduzir entre 30% e 40% os custos de impressão dos veículos (a dobradinha impressão/logística responde hoje por quase 50% dos gastos de um jornal impresso).

Entre as medidas estão o adiamento do aumento das tarifas postais (o Estado pagará a conta) e também menos encargos trabalhistas sobre os salários.

O dinheiro (220 milhões de euros por ano) servirá basicamente para a modernização das gráficas.

Primeiro, parece anacrônico para mim investir em gráficas. Há outras demandas mais preementes no processo jornalístico. Aliás, jornais como Guardian e New York Times já tinham até anunciado que não comprarão mais rotativas.

Outra coisa: Sarkozy já mostrou, no ano passado, que desconhece os rumos do jornalismo na era da publicação pessoal. “A gratuidade é a morte da imprensa”, disse ele, acrescentando que aposta no jornalismo pago por acreditar no valor da informação “checada, analisada e hierarquizada”.

Enquanto isso, na Web, o valor-notícia despenca e, ao mesmo tempo, nas ruas, os diários distribuídos de graça são uma realidade metropolitana.

ATUALIZAÇÃO: Talvez o detalhe mais bacana e diferente das medidas de Sarkozy é o governo francês pagar assinaturas de jornais para os jovens ao completarem 18 anos.