Arquivo da tag: New Model for News

Saturado de notícias, povo precisa de bons jornalistas

As pessoas estão saturadas de notícias. A psicologia explica esse distúrbio como uma ramificação do déficit de atenção. Com tanta oferta, o que comprar? É neste cenário que o trabalho do jornalista profissional, e sua tarefa de editar e filtrar o noticiário, ganhou ainda mais importância com o avanço tecnológico na era da publicação pessoal.

É mais ou menos isso que Bree Nordenson defende num artigo para a Columbia Journalism Review. Nordenson usou como ponto de partida estudo encomendado pela Associated Press (sobre o qual falei aqui em julho) que analisou o comportamento do consumidor de informação.

O ponto importante da análise é que hoje, mesmo diante de tantas opções informativas, o público não está mais por dentro do noticiário como há dez anos _um levantamento do Pew Research Center for the People & the Press dá um indício disso ao constatar que hoje 69% dos norte-americanos sabem quem é o vice-presidente do país, contra 74% que sabiam isso em 1989.

A conclusão é que falta uma “orientação” para o consumidor de notícias. Em resumo, hierarquização e contextualização do noticiário. Ou seja: o trabalho do bom e velho jornalista.

Esse ponto de vista, numa época em que o trabalho jornalístico é contestado e relativizado pode lançar uma nova luz no debate sobre o futuro da profissão. Fazer as pessoas assimilarem e entenderem o noticiário, defende Nordenson, é o papel a adotar.

Papel que, segundo ele, a revista norte-americana The Week já assumiu há tempos, optando por priorizar a análise e a síntese da informação.

Enfim, são observações auspiciosas para o jornalismo. Vamos acompanhar.

A antropologia disseca o interesse por notícias

Um estudo antropológico é o último grito no jornalismo, papel ou on-line. Financiado pela agência de notícias AP, detectou algumas características do consumidor típico de notícias de hoje em dia.

Questiono apenas o pequeno universo (18 homens e mulheres) e a nítida sensação de que todos são geeks _um deles, inclusive, diagrama o andamento dos acontecimentos numa lousa em seu escritório.

O relatório divide o noticiário em quatro fatias: Fatos, Atualizações, Entenda o Caso (“Back Story”) e Conseqüências (ou “Future Story”). E decreta: há que se entregar as notícias nos canais usados pelo público.

No caso da Internet, basicamente e-mail e redes sociais. “As notícias são moeda corrente”, afirma categoricamente o documento. Resumindo: notícias que possam ser usadas pelas pessoas fazem mais sucesso, e esse uso varia do compartilhamento puro e simples de “coisas legais” a divagações ou investigações sobre o noticiário.

Outra observação bacana dessa pesquisa é o indício de uma “fadiga noticiosa”. Os usuários têm sido tão bombardeados com informação que programas que ironizam o acontecimentos (humorísticos com viés jornalístico) viraram uma válvula de escape.

O estudo sugere ainda que o modus operandi de editorias como Esportes e Variedades deveriam servir de modelo para todas as outras. Histórias com começo, meio e fim (enfim, quem ganhou jogo, ou se esse filme é bom), previsões, contextualização.