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Uma parte do acervo do JB, pelo menos, está preservada

O fim da edição impressa do Jornal do Brasil é triste, mas pelo menos parte de seu acervo está preservado, como todas as colunas políticas de Carlos Castello Branco, o Castelinho, jornalista que marcou época pelas informações e influência que possuía junto aos protagonistas do noticiário.

No JB, Castelinho escreveu todos os dias entre janeiro de 1963 e abril de 1993.

Não vou falar sobre Nelson Tanure, senão a minha pressão sobe.

A dica é da Kika Castro.

O atestado de óbito da Gazeta Mercantil

O atestado de óbito da Gazeta Mercantil, que encerrou hoje uma trajetória de 89 anos, saiu na página 13 da última edição (e que eu reproduzo, absolutamente ‘sic’, abaixo).

O jornal fecha, ressalte-se, por uma querela jurídica. Nada a ver, portanto, com a crise global do jornalismo impresso _inclusive porque são justamente os países emergentes (pode chamar de Brics) que ainda mantêm os dados de circulação no azul.

Mais notícias sobre o fim da Gazeta Mercantil

Sobre a querela, que envolve a CBM (Companhia Brasileira de Mídia), propriedade do empresário Nelson Tanure, e Luiz Fernando Levy, que o antecedeu na administração do título, há uma coincidência: justamente hoje, em sua coluna na Folha de S.Paulo, Carlos Sarli contribui para a construção colaborativa de uma história.

Ele fala de publicações impressas sobre surf, antigas e novas.

Lá pelas tantas, cita que “Aos 26 anos, a [revista] Fluir sofre as consequências da mudança de comando na editora Peixes e busca sua independência”. Quero crer que é verdade. Tanto que o site da publicação, referência no segmento e entre as segmentadas, está abandonado.

Nota deste site: A editora Peixes também é administrada pela CBM.

Abaixo, o atestado de óbito da Gazeta Mercantil.

“GAZETA MERCANTIL” VOLTA À S.A. DE LUIZ FERNANDO LEVY
São Paulo, 29 de Maio de 2009 – A CBM publicou hoje ”Comunicado” no qual informa que a presente edição do jornal ‘GAZETA MERCANTIL’ é a última publicada sob sua responsabilidade, nos termos do “Contrato de Licenciamento de Uso de Marcas e Usufruto Oneroso” celebrado por escritura pública de 16 de dezembro de 2003 junto à Gazeta Mercantil S.A., empresa de propriedade de Luiz Fernando Levy.

O ‘Comunicado’ salienta que a partir de 1º de junho próximo, a Gazeta Mercantil S.A. é a única e exclusiva responsável pela edição e comercialização do jornal ”GAZETA MERCANTIL” e pela defesa e conservação das marcas, que são de sua propriedade.

A CBM já iniciou o processo de realocação de funcionários dedicados à edição do jornal para outras atividades dentre as publicações impressas e online do grupo. Embora o contrato de licenciamento conferisse a empresa (Editora JB S.A.) da CBM unicamente a edição e comercialização do jornal, durante o período em que esteve em vigor adiantaram-se recursos para saldar inúmeras obrigações de responsabilidade da Gazeta Mercantil S.A e da Gazeta Mercantil Participações Ltda., empresas de Luiz Fernando Levy, em sua maioria decorrentes de processos trabalhistas e dívidas com fornecedores.

Ao longo de 5 anos, a CBM também disponibilizou adiantamentos de recursos financeiros advindos de royalties contratuais, de modo a propiciar às empresas de Luiz Fernando Levy renda para amortização de obrigações pecuniárias anteriores à celebração do contrato de licenciamento. Tais adiantamentos fazem da CBM credora da Gazeta Mercantil S.A.

A Gazeta Mercantil S.A deixou de observar certas cláusulas causando prejuízo e perturbando em grande medida a edição e comercialização do jornal. Verificou-se, igualmente, que dirigentes da Sociedade Anônima da Gazeta Mercantil agiram de forma contrária aos dispositivos do Contrato de Licenciamento. Sobretudo na tentativa de atribuir à CBM a condição de sucessora das obrigações trabalhistas da Gazeta Mercantil S.A. e da Gazeta Mercantil Participações Ltda., uma vez que ambas as sociedades sempre permaneceram proprietárias de todos os seus bens, tangíveis e intangíveis, inclusive a propriedade das marcas, cujo correspondente direto e uso foi cedido à CBM temporariamente.

O adiantamento de recursos por parte da CBM voltava-se a saldar inúmeras obrigações de responsabilidade da Gazeta Mercantil S.A, ou da Gazeta Mercantil Participações Ltda., em sua maioria decorrentes de processos trabalhistas, especialmente os que gravavam bens pessoais de titularidade de Luiz Fernando Levy. O valor de tais obrigações foi certificado pela BDO TREVISAN e supera R$ 100.000.000 (cem milhões de reais) durante os últimos cinco anos.

A CBM conclui o ‘Comunicado’ reafirmando sua disposição em colaborar para que se dê continuidade, sem interrupção, à publicação do jornal a partir de 1º de junho.

O fim da Gazeta Mercantil

Primeiro jornal só de economia do Brasil (foi fundado em 1920), a Gazeta Mercantil já tem data para fechar as portas, após ao menos uma década de turbulência financeira.

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Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

Concretizada, a descontinuação é a primeira de um jornal tradicional brasileiro em tempos de crise do jornalismo impresso (capitaneada por Estados Unidos e Europa). Diferente, é verdade _aqui não há, como fator preponderante, a quebra do modelo de contrato com o cliente, mas um racha administrativo mais grave). Ainda assim, é uma defecção importante.

O atual controlador da Gazeta, Nelson Tanure, avisou que não se responsabilizará pela massa falida (leia-se: o imenso passivo trabalhista) da empresa e devolveu o título ao ex-controlador, Luiz Fernando Levy.

Em conversa por telefone com a redação, ontem, Levy já avisou que não tem saúde financeira para tocar o negócio. “Nao se iludam, acabou”, disse aos jornalistas da casa. E tome imbróglio jurídico.

Tanure se propõe “apoiar a transição da Gazeta“, cujo contrato de licenciamento da marca diz ter devolvido pela “incessante penhora de receitas financeiras do uso da marca Gazeta Mercantil para garantir o pagamento de obrigações trabalhistas”.

O site Blue Bus acompanha em cima o desdobramento da crise.

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