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Dados são capazes de contar uma história

Em alguns casos o visual é tosco – o que também é importante, já que a pirotecnia muitas vezes nos desvia do objetivo proposto.

Mas os exemplos selecionados pela professora Mindy McAdams vão exatamente na linha do “dados são capazes de contar uma história” que tanto a gente tem discutido nos últimos tempos.

Qual a definição de mídia social?

Sistemas digitais que permitem às pessoas, identificadas em perfis, compartilhar informação.

É esta a definição de mídia social que a professora Mindy McAdams detalha num post bastante interessante de seu obrigatório Teaching Online Journalism.

O melhor infográfico interativo da história segundo Mindy McAdams


O melhor infográfico interativo de todos os tempos (ou “ever”, uma deixa minha que acabou ficando famosa).

É o que diz minha mestre Mindy McAdams sobre o trabalho brasileiro que conquistou um ouro nos prêmios Malofiej.

Tapuiassauro, o novo dinossauro do Brasil é a obra em questão, da lavra do Estadão.com.

Contando histórias com dados, um artigo

A superprofessora de jornalismo on-line Mindy McAdams indica o artigo Narrative Visualization: Telling Stories with Data, de dois estudantes de Harvard.

Vocês bem sabem que adoro a prática, mas a reflexão acadêmica sobre nosso trabalho é sempre útil. Mestre Leopoldo Godoy, editor do G1, não tem muita paciência com a academia não, mas o azar é dela.

O meio on-line impõe sérias amarras à reflexão _quem trabalha em tempo real regula do banheiro ao cigarro. Difícil, pra quem toca o dia a dia de um site noticioso, refletir sobre o próprio trabalho.

O pensar “de fora” pode detectar tendências que a gente não vê quando faz linguiça.

O artigo usa bons exemplos e expõe de maneira bacana estudos de casos de infografias que podem ensinar a gente a fazer melhor.

Bons exemplos de jornalismo visual e newsgame

A intrépida Mindy McAdams selecionou 21 exemplos (aquela coisa americana de números irregulares) de infografias interativas em flash, algumas bem simples, mas todas detentoras de algo muito importante: o foco na informação, sem espetacularização da notícia.

Amei o caça-níquel do Las Vegas Sun (jornalismo hiperlocal é isso!) que mostra quais as suas chances de perder (a longo prazo você sempre vai perder) brincando numa das maquininhas que o Brasil discute se deve reabilitar _o projeto da volta dos bingos e videojogos está nas mãos da Câmara.

Jornalismo serve exatamente para isso, muito embora o uso do flash, em vários momentos (o newsgame ainda é um incompreendido), sugira entretenimento.

Também pode ser. Mas aí deixa de ser jornalismo.

A tola definição de jornalismo no dicionário

Jornalismo [De jornal2 + -ismo.]
S. m. 1. Atividade profissional da área de Comunicação Social (q. v.) que visa à elaboração de notícias para publicação em jornal, revista, rádio, televisão, etc., acompanhadas ou não de comentários.
2. Os conhecimentos relativos ao jornalismo (1).
3. Os jornalistas: 2

Inspirado por um post da brilhante Mindy McAdams, decidi ir ao dicionário para checar a definição da palavra “jornalismo”. E, assim como ela, também me decepcionei com o que encontrei.

Para começo de conversa, o Aurélio diz expressamente que se trata de uma “atividade profissional”, o que já sabemos que não é verdadeiro. Ou será que as tantas experiências de jornalismo cidadão não serviram para nada?

Outra bola fora do dicionário é cravar que a atividade “visa à elaboração de notícias para publicação em jornais” e outras plataformas. Uma meia verdade, mas que exclui uma série de outras atividades jornalísticas mais ou menos recentes _como organizar dados, por exemplo.

Além disso, o dicionário se esquece de citar justamente a mídia mais importante de todas, que além de conter todas as outras em si ainda mudou radicalmente a forma como o ser humano se comunica.

Eu ainda prefiro a singeleza de dizer que jornalismo é o ato de apurar/analisar/difundir notícias. Simples assim.

O microblog e a convergência de pessoas

Os recentes atentados terroristas em Mumbai ressuscitaram, no ciberespaço, a discussão sobre a potencialidade jornalística do microblog _e o Twitter, seu site mais popular, definitivamente virou Bombril.

A novidade agora é que a discussão extrapolou a academia e ganhou o mainstream. Os jornalões se perguntam se o jornalismo ganhou efetivamente um novo aliado na cobertura dos acontecimentos do dia-a-dia ou se foram os cidadãos que, turbinados pela tecnologia, têm agora uma plataforma para reportar notícias.

Na verdade, as duas coisas. Eu mesmo já tive meu momento de paixão desenfreada pelo microblog até compreender mais claramente a maneira como ele se insere no cotidiano da profissão.

Em meio à enxurrada de opiniões sobre o tema, destaco as palavras da professora norte-americana Mindy McAdams, que em rápidas pinceladas pelo assunto conseguiu resumir bem algumas coisas que podemos colocar no campo das certezas.

A primeira: que o breaking news (a notícia de última hora) estará on-line, sempre, antes do rádio e da TV _e eu acrescentaria que o microblog, nesse sentido, é o habitat natural do furo.

A segunda: o breaking news será sempre coberto, inicialmente, por jornalistas não- profissionais.

Claro, eles são, na verdade, testemunhas oculares com acesso à Web e a informações que, muitas vezes, jornalistas de ofício não são capazes de obter imediatamente (lembrando que a notícia em profundidade e de bastidores exige legitimação, cultivo de fontes e trabalho de investigação, que o cidadão comum não tem nem sabe como fazer).

Os cidadãos que cobriram os atentados de Mumbai (tão bem, aliás, que o governo indiano cogitou bloquear o Twitter porque as atualizações estariam ajudando os terroristas sitiados em hotéis) não serão os mesmos a acompanhar, in loco, outro acontecimento relevante nalguma parte do planeta. Muda a notícia, mudam os cidadãos a acompanhá-la. 

Mindy também ressalta o poder do celular como principal meio de transmissão de acontecimentos (seja via voz ou atualização de microblog), especialmente em cenários de tragédia. Por isso, sugere que os jornalistas profissionais sejam treinados para explorar todas as potencialidades dos aparelhos móveis.

Para a mídia abraçar o microblog de verdade precisa, antes, fazer sua equipe de reportagem acessar a plataforma e atualizá-la, além de torná-la íntima dos dispositivos móveis. Funcionando em paralelo com a atividade cidadão, parece ser uma ótima tendência de convergência de pessoas.

Uma lista de 15 bons sites jornalísticos

Já falamos outras vezes que comandar um site (seja ele pessoal ou não) nada mais é do que a possibilidade de estabelecer uma conversação com um público específico.

No caso do jornalista, conversar com o leitor é, além de tarefa obrigatória (as pessoas não nos vêem mais como uma espécie de oráculo montado num pedestal), uma ótima oportunidade de saber o que seu público-alvo pensa, colher sugestões de pauta, envolver sua audiência na apuração de uma reportagem, enfim, criar uma comunidade em torno de temas que você julga interessantes (e saber se, sob a ótica do leitor, são mesmo).

Neste aspecto, a relação de 15 bons sites jornalísticos pessoais, recomendada pelo Teaching Online Jounalism, é inspiradora.

O Oscar do on-line só enxerga o texto

Saíram os “Oscar” do jornalismo nos EUA, concedidos pela Society of Professional Journalists. O quesito on-line eu deixo para o professor Mindy McAdams comentar.

Iniciativa louvável, porém com desvios: há prêmios, por exemplo, para textos não concebidos originalmente para o tempo real, como reportagem da Reuters sobre os mórmons de Salt Lake City (distribuída e publicada por jornais em papel no mundo todo).

Outra coisa notável: webdesign e usabilidade não contaram absolutamente nada no prêmio. Apenas o conteúdo. A matéria que ganhou a distinção mais importante é um horror sob o ponto de vista destas coisas tão importantes quanto o texto on-line.