Arquivo da tag: midiosfera

A verdadeira convergência

Roy Greenslade, em seu blog no “Guardian”, aborda hoje um tema interessantíssimo _e que provoca torções de nariz na jornalistaiada profissional. “A verdadeira convergência é entre jornalistas e cidadãos (…). Não há nós e eles”.

Greenslade (ele próprio um jornalista veterano de redações) despeja uma série de conceitos que já conhecemos, como o fim do discurso de mão única e o acréscimo de novos personagens no jogo de construção do noticiário.

O interessante é que ele revela não estar mais tão certo sobre o futuro dessa convivência entre profissionais e amadores. “Antes”, diz Greensdale, “eu enxergava um grupo no centro, rodeado de blogueiros na periferia”.

É o debate do momento. Não são poucos os que acreditam que a mediação profissional no jornalismo seguirá, perene. Mas é fato que a disseminação dos publicadores on-line tirou das mãos destes “mediadores” seu poder monopolista sobre o noticiário.

A conclusão: convidados que fomos, por nosso próprio público, a dialogar, por que resistimos tanto em fazê-lo?

Vi no Tejiendo Redes.

A midiosfera de Jeff Jarvis

Sucedam-me na tarefa de dar um nome em português para a “press-sphere” teorizada recentemente por Jeff Jarvis, um dos caras que melhor têm analisado as mudanças que a tecnologia está trazendo ao exercício do jornalismo.

Há dias eu devia algumas linhas sobre tese tão singela e, ao mesmo tempo, tão certeira. Por sorte, já houve quem tenha tentado decupá-la. E de forma tão crítica e lógica que também vale a pena escutar.

O desenho acima, por exemplo, mostra como era o mundo da produção da informação. Tínhamos o planeta, a mídia intermediando tudo e, por fim, nós, os pobres mortais, na base do organograma (é a representação mais simples e adequada que já vi na vida).

Pois bem, as conexões pessoais, profissionais e cidadãs atuais _turbinadas e capitaneadas pela web_ colocaram a mídia dentro de um conjunto de pessoas e instituições que se interrelacionam como se coexistissem numa grande bolha.

E só não enxerga isso quem não quer. Consumidores e empresas conversam em outro nível (a própria palavra “consumidor” já é considerada ultrapassada, pois sugere passividade, algo que positivamente não existe mais). O diálogo entre cidadãos e governo, idem, evolui positivamente.

Numa época em que pessoas comuns (a ex-audiência) agora podem relatar fatos acompanhados de fotos, vídeos e sons, por que achar que o modelo mídia-toda-poderosa-sem-questionamento se manteria intocado?

Daí Jarvis chegou à midiosfera. E ao gráfico abaixo. Vamos pensar sobre isso?