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Usuários se rebelam e ‘completam’ o G1

O canal de microblog automatizado e desgovernado do G1

O canal de microblog automatizado e desgovernado do G1

Terminei há pouco de ministrar um intensivão de multimídia/convergência (foram ao todo oito horas de aula para a nova turma do Treinamento da Folha) e, como sempre quando se está em sala de aula, os alunos descobrem o mais bacana por si sós. Bem por isso é legal lecionar.

Dei muita ênfase, na conversa (sobre a qual falarei com mais detalhes em breve, com direito a slides e links úteis), sobre a diferença entre presença e atuação on-line. Não são, como pode parecer, a mesma coisa.

Meu exemplo preferido é a conta de Twitter do site noticioso G1, que além de ser automatizada (publica imediatamente todo o conteúdo que entra no site), está desgovernada. Possui um erro, como o que eu exibo acima, absolutamente insuportável: quando um título possui aspas, ele é abruptamente interrompido.

Vai daí que, em sala de aula, descobrimos na busca da ferramenta que já existe uma mobilização de usuários fazendo troça desta inaceitável maneira de administrar um produto jornalístico (que, antes de mais nada, precisa de gente manipulando, não de robôs).

É o “complete o G1“, bem-humorada reação de gente decepcionada com erros que tornam as notícias incompreensíveis. Basicamente: eles decidiram completar ao seu bel-prazer os títulos interrompidos. Hilário.

E por que o G1 não faz nada para arrumar esse erro? A história é tão prosaica que provavelmente vc não acreditará quando eu contar…

ATUALIZAÇÃO: o grande André Marmota, aí embaixo nos comentários, fez um trabalho de arqueologia twitterística e diz ter encontrado a origem da comunidade #completeog1 num tweet de 26 de fevereiro.

Leia também: Usuários se mobilizam e obrigam G1 a ‘se completar’

Mais um passo em falso do presidente bossa-nova

Eu já vinha avisando há tempos, desde antes da posse, durante e depois: a propalada “cabeça 2.0” de Barack Obama e equipe não era estratégia de governo, mas de campanha.

Tanto é assim que já existe, nos sites de redes sociais, mobilização por doações à chapa Obama-Biden para 2012. Entrementes, os canais oficiais do presidente Obama na Web estão pra lá de abandonados.

Agora Tiago Dória conta a estocada da Casa Branca ao You Tube _depois de relegar o microblog ao último plano. Diz -se que, “por segurança nacional”, expor os pronunciamentos oficiais do presidente num site público (com as devidas estatísticas de audiência, por exemplo) não é recomendável.

Tudo bem, mas e compartilhar os textos, vídeos e áudios que milhares de americanos, por dias a fio, encaminharam para a página supostamente 2.0 do novo presidente? Nada. Essa comunicação tem mão única. E reforça o caráter altamente triste de micagem na Internet.

Meu mestre mandou, eu não questiono.

A blogagem está em transição

Eis uma análise muito legal sobre as mudanças que o microblog está impondo à blogagem.

Aliás, este post tem menos de 140 caracteres…

Breaking News On: do microblog para o mundo

Nascido no Twitter, o site de microblog com mais usuários no mundo, o Breaking News On é ao mesmo tempo uma grande experiência de jornalismo financiado e a demonstração de que é possível criar produtos produtos jornalísticos originais mesmo dentro da severa forma de 140 caracteres que a plataforma obriga.

O serviço, fundado em maio de 2007 e que possui hoje mais de 22 mil “assinantes”, é mantido por seu próprio público, por meio de doações. Mas agora quer alçar voo na Web com o lançamento de um site que mantenha a vocação que o tornou famoso _distribuir notícias o quanto antes.

O sucesso do BNO consiste em monitorar, 24 horas por dia e sete dias por semana, listas de notícias de agências, jornais e blogs. Mais: perscrutar, por meio de buscas com palavras-chave específicas, o que as pessoas estão falando em sites de postagem instantânea como, justamente, o Twitter, ou em redes sociais.

Foi assim que o canal “furou” o corpo de bombeiros de Nova York ao checar um choque entre dois ônibus no Bronx e, durante a ligação (na qual o atendente dizia desconhecer qualquer colisão), escutar sirenes e um aviso que naquele momento tinham acabado de receber um chamado sobre a batida.

O uso das postagens públicas é um ingrediente importante do BNO (foi assim também nos atentados terroristas de Mumbai). Ir ao encontro do jornalismo cidadão, esse fenômeno ainda não compreendido pelas grandes redações, não é exatamente norma hoje em dia. Mas o serviço mostrou que, em boa medida, essa colaboração pro-am está no cerne de um presente/futuro crível e auspicioso para o jornalismo e seus antigos usuários, agora coparticipantes.

O avanço do BNO ao negócio site expõe outro aspecto inegável do microblog: sua incapacidade atual de monetização. É pensando nisso, também, que a empresa (de origem holandesa e que conta com alguns editores/selecionadores espalhados por EUA e Europa, além de turbinados feeds, claro) dá o passo adiante.

Promete, porém, continuar fiel ao público que a notabilizou e, em muitos casos, bancou sua existência até agora. Como? Permanecendo prestando serviço gratuito no Twitter.

ATUALIZAÇÃO:  Michael van Poppel, criador do BNO News, se comunica comigo por e-mail solicitando uma correção: seu serviço noticioso no Twitter não utiliza atualizações dos usuários, a não ser que seja contatado diretamente e, mesmo assim, apenas depois de checada a informação.

Conversa nos tempos do microblog

Vejam o nível de conversação que o microblog, caótico por natureza, está produzindo diante de nossos olhos.

Esse caos sobre o que trata a conversa evidencia a importância que hierarquização, filtragem e edição de conteúdo terão para as pessoas _inclusive a ex-audiência_ poderem se compreender e sobreviver nessa “selva”.

Ao contrário do que se imagina, o exercício da profissão de jornalista tem um futuro belíssimo pela frente.

Uma coisa é difundir uma informação, e só. A outra, contextualizá-la e analisá-la.

Para mais informações sobre o tema, procure a hashtag #journchatbr.

O blog que não é blog

Afinal, Barack Obama começou bem ou mal sua gestão on-line?

A questão é controversa. Dave Winer, o primeiro blogueiro de que se tem notícia, reparou logo de cara que o “blog” do site da Casa Branca se apropriou indevidamente do nome: não leva o leitor a lugar algum, não coleciona coisas bacanas, não indica outros sites e, reparei agora, nem sequer é publicado na ordem cronológica inversa.

Desta forma, serve apenas para amontoar releases.

Agora há pouco o novo presidente dos EUA repetiu “por precaução” o juramento à constituição americana porque houve uma pequena gafe no juramento original, feito ontem em público, e que emocionou o mundo.

Por um acaso a informação foi distribuída em algum dos canais interativos de Obama? Não. Aliás, nem área de notícias há no site oficial da presidência. Cadê a tal da comunicação imediata tão apregoada?

Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York, acha que ainda é cedo para avaliar o trabalho da equipe de Obama na web. Eu também, mas isso significa que caracterizar o recém-empossado governo como um exemplo no uso das novas tecnologias é avançar bastante o sinal.

Funcionou na campanha mas, como já falei outras vezes, há vários outros pontos ainda obscuros.

O teto da igreja caiu, mas onde estava o jornalista cidadão que não viu?

Há três dias falávamos aqui sobre a agilidade do cidadão jornalista (e até sua disputa pelo furo, como se viu no caso do avião que pousou no rio Hudson, em Nova York), e então neste domingo cai o teto de uma igreja evangélica em área densamente povoada (e cercada de prédios), em São Paulo, e a colaboração dos usuários é próxima do zero?

Como reagir a isso?

Enquanto escrevo (são 2h18 da madrugada desta segunda), há um mísero registro fotográfico no Flickr _que nem sequer evidencia, devido ao ângulo, a extensão da tragédia_, enquanto mesmo sob apelos, os guetos de jornalismo participativo dos grandes portais (Eu-Repórter, Minha Notícia, VC no G1 e Vc Repórter) não têm material algum produzido pelo usuário para exibir.

Nos sites de microblog, ao menos, a primeira menção ao incidente surgiu antes que Paulo Henrique Amorim desse a notícia de última hora na TV Record _que foi, até onde sei, quem deu o furo na grande mídia.

No You Tube, maior site de compartilhamento de vídeos, aparentemente há um único arquivo original, afora os tradicionais repliques dos canais do mainstream.

Nesta segunda voltarei ao assunto atualizando as coisa. Se você souber de algo que passou batido nessa análise inicial, avise. Quem sabe limpamos a barra do jornalismo cidadão tupiniquim? Por ora, baita fiasco…

ATUALIZAÇÃO: Voltei, conforme prometido. Tarde, mas voltei. E não há nada a atualizar. De fato, a colaboração no caso do desabamento do teto da sede da Igreja Renascer não teve nenhum episódio novo, nem nas plataformas independentes nem nos portais que oferecem o “gueto colaborativo”. De prático, sobrou a troca de impressões, na caixa de comentários, com Ana Brambilla, que acrescentou ingredientes saborosos para tentar entender essa ausência de jornalismo entre os cidadãos que presenciaram o fato.

A primeira indefinição do novo presidente

Algumas coisas já podem ser ditas sobre o plano da gestão Barack Obama para o diálogo e a convergência de pessoas on-line _tática que se mostrou decisiva no pleito que conduziu o democrata ao cargo de presidente dos Estados Unidos, mas que por ora pareceu ser só isso: uma estratégia de campanha, não de governo . A posse, aliás, é nesta terça.

Este miniartigo atualiza e complementa o que eu escrevi há dez dias.

Falta de padrão, deslizes na condução de redes sociais consolidadas e bem-sucedidas e, o pior de tudo, um discurso vazio sobre como serão financiados, administrados, hierarquizados e priorizados os canais de conectividade na Web que transformaram a campanha de Obama num exemplo de multiplicação em tempos de altíssima tecnologia _e acesso à ela.

Vamos à falta de padrão: há um canal no Flickr que trata do gabinete de transição. Desatualizado, por sinal. Enquanto isso, surgiu outro, apenas sobre as cerimônias de posse. Eles não se falam, não se linkam. Claro desvio de condução de grupo em mídia social.

E o microblog? Depois que registrei que a última atualização ocorreu em 5 de novembro (um dia após a votação), eis que surgiu outra ontem, mas tirando as pessoas do canal ao sugerir que acompanhem a página oficial da posse. Onde, logicamente, há um grande destaque para o botão “doe dinheiro agora“.

Há, ainda um canal de microblog atualizado desde 28 de dezembro sem nenhuma publicidade nas outras palataformas on-line por onde o democrata desfila.

A pá de cal foi o último discurso de Obama postado no You Tube (hábito hebdomadário do futuro mandatário). Ele choveu no molhado ao ressaltar a importância da participação das pessoas. Foi um discurso quase religioso que, é evidente, recebeu crítica muito bem fundamentada.

Afinal, quais são as propostas concretas para o uso da tecnologia no 44º mandato presidencial dos Estados Unidos?

Discussões para dar e vender

Tem duas discussões bacanas correndo soltas na rede e eu, que gosto de sempre meter a colher, não perdi a oportunidade.

No Novo em Folha, a Ana Estela relembra o caso da frila de O Globo, agora cobrindo o conflito no Oriente Médio, que postou barbaridades (eram suas opiniões pessoais) num blog próprio. Olha só que loucura.

Eu sempre falo uma coisa: tome cuidado com sua vida pregressa on-line. O jornalismo é uma atividade pública. Usar um site pessoal para tomar posições políticas, religiosas e até sobre futebol (sobre futebol, aliás, evite, sua vida pode virar um inferno) exige ter a consciência de que certamente haverá um ônus.

O meu, quando critico veículos jornalísticos aqui, pode significar entrar na lista negra deles, não?

Pelos comentários lá no Novo em Folha, o povo acha que tudo bem, que seria uma invasão tomar uma publicação pessoal como algo público. Eu acho ótimo ter opinião. Mas lembre-se: é provável que a sua fique eternizada na rede e crie, no mínimo, algum tipo de obstáculo ou reparo ao seu desempenho profissional.

Em outra frente, estamos debatendo no Libellus, da Ana Brambilla, o discurso no microblog.

O ponto de partida foi um post da Ana _quem mais conhece sobre jornalismo colaborativo no Brasil_ comentando o levantamento de que 35% dos usuários do Twitter (o site de microblog mais acessado) tem até dez “seguidores”.

A minha posição (por ora, a discussão prossegue): eu tendo a relacionar a baixa conectividade a outros usuários como reflexo da qualidade da micropostagem _ou à ausência dela.

Na medida em que o que vc posta é útil (isso em primeiro lugar), interessante (do ponto de vista intelectual) ou divertido (sim, há espaço para humor no microblog), a teia tende a crescer.

E você, o que é que acha?

Ideias para o jornalismo on-line

O Alex Gamela usou o microblog para convidar internautas a enviar imagens (fotos e vídeos) da onda de frio em Portugal.

O resultado é um mashup bacanudo, utilitário, jornalístico e colaborativo. Simples, mas uma boa inspiração para iniciativas semelhantes no jornalismo tradicional, ainda despreocupando em trazer o público para dentro do noticiário.

O complemento deste mapa, aliás, é óbvio: acrescentar notícias (notadamente as voltadas para serviço) e outras peças do jogo on-line.