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Mídia social, patrulhamento ideológico, visão de futuro e infografia animada: a semana no Webmanario

1. Três perguntas para Ana Brambilla: ‘Quem ignora o que o público diz em mídias sociais não pode ser jornalista’

2. Confecom, uma aberração

3. Visionário, Leo Bogart discorre sobre o presente em artigo de 1984

4. Um gráfico animado impressionante: a evolução da audiência do The New York Times no dia em Michael Jackson morreu

A evolução da audiência do NYT no dia em que MJ morreu

25 de junho de 2009 entrou para a história da web, assim como 11 de setembro de 2001. É certamente um dos dias de maior acesso global à rede. Pudera: Michael Jackson morreu.

Um vídeo impressionante registra a evolução da audiência do The New York Times a partir do momento em que a notícia foi confirmada. Loucura.

Só faltaram os números da audiência, né? Podiam ser um counter como o que contava as horas…

Mas no conjunto da obra representa bem o que podemos fazer na web, e com simplicidade.

HQ, fotonovela, não importa: é jornalismo, e de vanguarda

nova_narrativa_JC

Já faz algum tempo que tenho ressaltado a importância de projetos multimídia (especificamente aqueles que abraçam novas narrativas jornalísticas na web) para que nossa profissão desfrute a era digital e dê algum tipo de resposta aos que questionam o seu futuro.

E vejam que maneira interessante o Jornal do Commercio, de Recife, escolheu para contar uma história sobre o uso da bicicleta como alternativa ao carro e ao trânsito das grandes cidades.

Linguagem de HQ que agrega fotonovela, vídeos, fotos, edição jornalística e até making of (talvez o trecho menos bem-sucedido). Os créditos são de  Julliana de Melo e Sidclei Sobral.

Lembrei da tão criticada HQ do G1 sobre a morte de Michael Jackson, que eu achei boa pra dedéu. Critique-se a espetacularização ou o traço sem acabamento (os dois poréns que mais ouvi sobre esse trabalho), mas não se pode deixar de valorizar a iniciativa. Estamos, o jornalismo, precisando dessas coisas, gente.

O jornalismo deve se apropriar de linguagens velhas e novas, até das antes consideradas não jornalísticas, para narrar fatos de forma mais atual e apropriada às plataformas hoje existentes.

Quem descobriu a contribuição do Jornal do Commercio, e também elogiou, foi o Fernando Firmino, uma das maiores autoridades em jornalismo móvel (e seus dispositivos) no Brasil.

E se o homem chegasse hoje à Lua?

A Slate, um produto bem representativo da era da web (a revista de atualidades e cultura foi criada em 1996 e sempre teve como mérito cobrir as tendências da vida em rede), produziu um vídeo bem divertido sobre como teria sido a repercussão (especialmente na internet) caso o homem tivesse chegado apenas hoje, não há 40 anos, à Lua.

Imagine, claro, o Twitter “baleiando”, Youtube e Flickr forrado de imagens e até manchete no Huffington Post (o site/blog de Arianna Huffington que é outro exemplo emblemático da era da conversação e troca de informações via computador).

A ficção não está muito distante da realidade. Basta lembrar a morte de Michael Jackson, um acontecimento com alcance global como seria a conquista da Lua hoje.

(via Tiago Dória)

TMZ, mais um pouco sobre o veículo que deu o furo do ano

A edição dominical do jornal espanhol ABC traz uma materinha interessante sobre o TMZ, site especializado na cobertura de celebridades “guindado a uma espécie de The New York Times” depois que deu o furo do ano: a morte de Michael Jackson.

No texto, o correspondente Pedro Rodríguez lembra que acompanhar a vida de famosos faz parte da própria história do jornalismo americano.

A questão com a TMZ, agora, é manter uma imagem mais jornalística do que a de caça-famosos que permeia seus quatro anos de vida.

Seu fundador, o advogado Harvey Levin, de 58 anos, diz que tudo é jornalismo.

A última do diploma de jornalismo

Acaba de passar no programa de Sônia Abrão: “vultos em Neverland assustam fãs de Michael Jackson”, chamada seguida de imagens picaretas de qualquer pessoa passando dentro da casa e sendo filmada bem ao longe.

Com direito a entrevista de especialista e tudo.

Sônia Abrão tem diploma de jornalista, sabiam?

Ruy Castro disseca Gay Talese

Gay Talese esteve na Flip e, aparentemente, provocou furor neste sábado num debate ao vivo. Bombou na web, e não é por menos: o cara tem história para contar.

Aliás, o jornalista Mauricio Stycer registrou essa faceta do repórter-escritor americano. “Mario Sergio Conti faz perguntas. Gay Talese conta historias, mas não responde nada. Cansativo”, “tuitou” ontem Stycer_quem fez o melhor resumo da participação de Talese na Flip, ao menos no Twitter.

Mais notícias sobre Gay Talese e a Flip

Mas antes ele tinha falado bobagem embarcando na carona da morte de Michael Jackson. Ruy Castro, sempre solerte, não deixou passar e opinou com propriedade na Folha de S.Paulo de ontem.

“Será que, antes do new journalism, toda a imprensa escrevia mal?”

O problema é que Talese disse que a imprensa matou MJ. E quando Talese diz, supõe-se uma ciranda de consulta ao entorno dos personagens de suas notícias.

“Talese terá ouvido isso de Michael, do psiquiatra, da enfermeira ou da babá do artista? Ou será uma suposição?”, arremata o brilhante Ruy.

Pois é, nem há nada a acrescentar.

Com que capa eu vou?

Detalhe da primeira página do Extra, do Rio de Janeiro, publicado em 26 de junho de 2009

Detalhe da primeira página do Extra, do Rio de Janeiro, publicado em 26 de junho de 2009

Um blog coletivo de fotógrafos escolheu a capa do Extra, do Rio de Janeiro, como a melhor publicada no mundo em 26 de junho de 2009 entre as que elegeram destacar a morte de Michael Jackson na primeira página.

Quem discorda que me apresente outra.

Destacar é diferente de manchetar. A amiga Cristina Moreno de Castro colecionou manchetes e não manchetes sobre o crepúsculo do popstar. Não manchetar com uma notícia dessas é o cúmulo do autismo. É viver num mundo paralelo e totalmente fora de timing.

Estadão e O Globo, por exemplo, deram espaço nobre na capa para o inesperado óbito. Mas não era a manchete _isso tecnicamente, só para lembrar, porque academicamente há a discussão se o assunto que aparece com mais destaque na primeira página de um jornal é a verdadeira manchete, independentemente de convenções gráficas.

Em vários momentos de pasmaceira do noticiário os jornais não souberam oferecer investigação própria e material exclusivo. Quando irrompe uma notícia do tamanho de um Godzilla dentro da redação, a reação é manter o plano original de publicar uma sequência de matérias sobre a crise no Senado?

A colega Luciana Moherdaui desceu a lenha na empre (adoro chamar a imprensa escrita de empre), eu não li toda a produção dos impressos, mas vi muita coisa e concordo com ela. A questão, para além disso, é o que oferecer.

É sério, o que fazer numa hora dessas? Forrar o jornal de artigos, análises e cronologias “bem sacadas”? E o que mais? É difícil, senhores. A informação em tempo real exaure as chances de publicar exclusividades.

Mas veja a importância do rótulo: não li a cobertura do Extra, mas vendo aquela capa eu não tenho dúvida que valeu a pena. Mesmo que tenha sido só pela capa.

PS – Demorou, mas um leitor achou o jornal que destacou (diga-se, sem ser manchete) a morte do astro com o singelo título “Peter Pan morreu”. Nessas horas eu tenho vontade de sumir.

Detalhe da primeira página do Jornal de Jundiaí publicado em 26 de junho de 2009

Detalhe da primeira página do Jornal de Jundiaí publicado em 26 de junho de 2009

ATUALIZAÇÃO: A Veja que circula neste sábado emulou a capa do Extra. Válido?

Capa da revista Veja que circulou em 27 de junho de 2009

Capa da revista Veja que circulou em 27 de junho de 2009

O leitor Vagner chama a atenção ainda para o Meia Hora, do RJ, que transformou uma das primeiras piadas infames sobre a morte do astro em linha fina de uma manchete anódina (“Nasceu negro, ficou branco e vai virar cinza“).

Também vale destacar a manchete do Diário de S.Paulo (o eterno Dipo, pra quem é velho de guerra na profissão), que tentou sair do hard news e manchetou “Michael Jackson deixa dívida de US$ 400 milhões. Foi massacrado. É a tal história: se o jornal diz que o homem morreu, não apresentou novidade alguma. Se parte pra voo solo, corre o risco de se esborrachar.

Venham fazer jornal impresso no nosso lugar, então.

Um dia de Michael Jackson

Michael Jackson morreu. Isso sim é notícia. É seguramente o morto mais ilustre (no sentido de alcance global) da minha existência como jornalista, iniciada em 1990. Gênio e louco, teve uma relevância incrível.

E foi uma morte, apesar de inesperada, lenta. Começou com a notícia da internação às pressas, após o cantor ser socorrido “sem respirar” por paramédicos. Às 18h06 já havia matérias sobre o assunto, que bombou na web nos minutos seguintes.

Leia notícias sobre a morte de Michael Jackson

Às 19h20, o site norte-americano TMZ, que cobre celebridades, cravou o passamento (é o pior eufemismo possível para morte). O Twitter, essa máquina de rumores que espalha o mal e o bem, tornou celébre o desconhecido TMZ _propriedade da Warner Bros., um cachorro grande do entretenimento.

Eu diria que foi chute, mas tecnicamente tem de ser considerado furo. E coube ao TMZ a primícia. O site, criticado por incentivar o trabalho de paparazzi mas que possui no currículo outros furos, foi quem noticiou primeiro a tragédia.

Em 17 minutos, o Los Angeles Times, em post publicado num blog de música do jornal, dava a mesma informação. O LA Times ainda tentou, numa sacanagem clássica da internet, se apropriar do furo, atualizando a matéria que falava da internação _publicada uma hora e catorze minutos antes (repare no link da URL, que traz o título original e entrega o truque).

Depois, como ficou feio, o jornal colocou um “update” logo após o título (modificado) que sentenciava a morte do astro do pop.

Só quando o LA Times deu, a CNN virou seu título na tela, citando o jornal e falando em morte (até então, o máximo que se tinha chegado era “coma”). Eram 19h43.

Mas faltava a confirmação oficial. Não, não a de médicos ou legistas, num comunicado oficial. Faltava a chancela da imprensa formal. Ela veio apenas às 20h22, quando a CNN confirmou o óbito com fontes próprias e, enfim, assumiu a informação.

O Jornal Nacional já estava no ar, com os apresentadores fazendo o possível para manter em voo um Boeing sem combustível. Só às 20h29, um minuto antes de entrar no ar o programa gratuito do PSDB (escancarando a vocação do partido em ser figurante), William Bonner, citando a CNN, deu a notícia da morte de Jackson.

A parada do telejornal se mostrou providencial. Às 21h01, entrou no ar último bloco do programa, editado de forma bem satisfatória. Repare no final: Fátima Bernardes errou, dizendo que a emissora daria novas informações “a qualquer momento ou no Jornal Nacional”, no que foi socorrida pelo marido, “no Jornal da Globo”, disse Bonner, que foi além: “Estamos todos abalados com a notícia de última hora”.

Pano rápido.

Hoje é o dia de ver como os jornais impressos vão se sair. Minha única certeza é que quem não manchetou com o assunto cometeu um erro grotesco. Dois jornalões não tinham feito isso até a hora que vi… E outro, ainda aguardo confirmação porque só acredito vendo, teria perpetrado “Peter Pan morreu”.

Se você leu essa manchete em algum lugar, me avise com urgência.