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Narcoestado mexicano

A britânica Sky mergulhou na tragédia da guerra do narcotráfico no México e traz um dado impressionante numa série de reportagens: estima-se em 27 mil o número de desaparecidos no país em ações vinculadas à violência dos cartéis da droga.

A pior censura de todas: a nossa

Apresentado pela revista Veja como modelo a ser seguido em reportagem que mencionava o termo “narcotráfico” uma única vez, e “liberdade de expressão”, nenhuma, o México já tem pelo menos uma triste mazela reproduzida aqui – a autocensura jornalística.

O assassinato de dois jornalistas que cobriam as ações de um grupo de extermínio em Ipatinga (MG) obrigou jornais da região a deixar a pauta de lado – exatamente como acontece no México com quem ousa reportar as atividades do tráfico de drogas.

O país da América do Norte, ressalte-se, é o mais perigoso para o desempenho de funções ligadas ao jornalismo, segundo o Comitê de Proteção aos Jornalistas. De 1992 para cá, foram 28 mortes.

Pouco adianta, no meu entender, o registro de marcas econômicas de alguma expressão, como realçou Veja, se não existe liberdade de expressão, caso do México.

Temos, todos, muito a aprender.

Como calar o Anonymous

Imagine uma cabeça decapitada, mas portando fones de ouvido. Ao lado do corpo, um teclado.

A mensagem de narcotraficantes mexicanos foi clara: blogueiros, esqueçam a “resistência paralela” ao jugo do tráfico de drogas que submete o país a níveis nunca antes vistos de violência.

O Anonymous (grupo de ciberativistas) desistiu imediatamente de penetrar nos arquivos da polícia e tornar públicos dados e nomes que fazem parte do Zetas, o maior cartel do país.

Não, a vida em rede não é dissociada da vida em carne e osso.

Jornalistas ganham programa de proteção e casa de refúgio

Os jornalistas mexicanos, país onde assassinatos , agressões, ameaças e intimidações o colocam entre os mais perigosos do mundo para a gente, ganharão uma rede de proteção e uma casa para refugiar perseguidos.

A iniciativa, que envolve o governo do Distrito Federal e ONGs ligadas aos direitos humanos, chega em boa hora: nos últimos dois anos, 16 coleguinhas perderam a vida no país (muitos envolvidos em coberturas sobre o tráfico de drogas).

Aliás, hora de a gente pensar nisso no Brasil também. Temos tantos problemas quanto os mexicanos no quesito ameaça à liberdade de imprensa.

Tribunal dita regras de jornalismo

A Suprema Corte de Justicia, o STF mexicano, acaba de aprovar um pacote de seis resoluções definindo o que é uma reportagem neutra e esclarecendo os limites do direito à privacidade e da liberdade de expressão.

A motivação foi a demanda judicial que a mulher do presidente Vicente Fox, Marta Sahagún, apresentou (e perdeu) contra um revista de celebridades que revelou detalhes de sua vida pessoal.

Para o tribunal, numa reportagem neutra, vale tudo. É o que se depreende do trecho “(…) quando os comunicadores se limitam a divulgar informação de autoria de terceiros, não têm o dever de verificar ou classificar se a intromissão na intimidade (…) tem relevância pública ou não”.

Portanto, basta atribuir a informação, fechar e ir pra casa.

Uma das decisões aprovadas define o que é pessoa pública (em resumo, conhecidas por circunstâncias sociais, familiares, artísticas ou esportivas) e insta os juízes de primeira instância a avaliar, mediante essa régua, se a informação publicada é de interesse público _ressaltando que essa condição “será atualizada em cada caso concreto” por conta da volatilidade das situações “históricas, políticas, econômicas e sociais”.

O pitaco da corte mexicana na nossa profissão alivia as coisas para os jornalistas de lá. Demais, até.