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O jornalismo de livro

O jornalismo de livro – sim, nos esquecemos dele – ainda vive. É a válvula de escape para os incomodados com o (cada vez) menor espaço disponível para grandes reportagens em jornais impressos (matérias de mais de 2.000 palavras praticamente desapareceram no Los Angeles Times, por exemplo).

Evidente que o mercado editorial “físico” está muito mais interessado em trilogias eróticas ou contos em que monges ensinam a executivos como se comportar.

A popularização dos tablets e leitores (e-readers)  vai abrir um vasto campo de oportunidades para quem, como a gente, sente a falta de trabalhos mais substanciosos no jornalismo nosso de cada dia.

Leituras

Rita Figueiras presta um excelente serviço ao debate com o artigo “Intelectuais e redes sociais: novas media, velhas tradições”, publicada no volume 6 da Matrizes, revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo.

No texto, a pesquisadora defende que as redes sociais – do outro lado da moeda questionadas pela qualidade da informação ali distribuída, via de regra considerada pífia – são “lugar onde intelectuais encontram espaço para exercerem o seu papel de consciência reflexiva da sociedade contemporânea”, ou seja, um espaço público que efetivamente pode ter relevância.

Na mesma edição, Henry Jenkins dá o ar da graça com o artigo “Lendo criticamente e lendo criativamente”, que cumpre bem o papel de discutir a fan fiction e sua possível utilização em sala de aula.

Mas tem mais: em “As estratégias dos grupos de comunicação na alvorada do Século XXI”, Jean-Yves Mollier traça um panorama bacana da questão das fusões e a intromissão de grupos de midia no mercado editorial.

Equipe de revista extinta vai para o ‘exílio’ on-line e acredita em ressurreição

A equipe da Editor & Publisher, publicação de 125 anos que analisava o mercado editorial e fechou as portas no final do ano passado, ainda não desistiu: montou um blog e, trabalhando de casa, segue fazendo o que estava habituada a fazer.

O E&P In Exile, o blog, reúne nove jornalistas da finada revista. E eles estão esperançosos de que haverá uma boa alma para comprar o título e ressuscitá-lo.

Acho difícil. Melhor seria tentar viabilizar um modelo de negócios para o conteúdo que eles sempre fizeram tão bem _nos EUA, experiências de financiamento público são as mais promissoras.

Mas nossa tendência é temer a vida fora do guarda-chuva do patrão, sempre.