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Escrevemos títulos para as pessoas ou para o Google?

Grande provocação da amiga Silvia Cobo: escrevemos títulos para as pessoas ou para as máquinas de busca?

O SEO (otimização de mecanismos de pesquisa) se transformou numa minipraga do jornalismo on-line. A ponto de determinar, em muitas oportunidades, quais palavras devemos usar.

Nada jornalístico.

As pessoas valem mais que as instituições

As máquinas de busca estão levando a audiência a acompanhar o trabalho de pessoas, não de instituições.

Essa constatação está no já velho State of News Media, mas resolvi trazê-la de volta por causa de Silvia Cobo, que fez uma boa análise deste momento do jornalismo.

A verdade é que, pesem os cortes na indústria formal, abundam oportunidades on-line para pôr boas ideias em prática e exibir o próprio trabalho.

Há um lado na crise do jornalismo que muita gente não vê: quem está cortando vagas é o mainstream. Só que agora o jornalista pessoa física vale mais do que seu empregador. O público (nossos leitores) tem essa noção claramente. Tanto que a busca na web por indivíduos, e não pelos títulos que lhes pagam, é bem mais expressiva.

Tiago Dória já havia comentado há mais de ano sobre essa tendência do lifestreaming.

E, por ela, qualquer jornalista que produza conteúdo pode se beneficiar profissionalmente.

Há oportunidades, mas não placas de precisa-se.

Tem de descobrir onde (e o que) é que precisa.

O Google News e os jornais

Essa era boa, mas eu deixei passar: na terça, Eric Schmidt, executivo do Google, falou num evento da Newspaper Association of America _a mesma cujo presidente, despreparado, foi ridicularizado num humorístico da tv americana.

Claro que Schmidt teve de falar sobre serviços como o Google News, que agrega material noticioso e, portanto, aponta com frequência para sites de jornais. Alguns veem isso como roubo de conteúdo (vários solicitaram até judicialmente a exclusão das menções). Um disparate.

Esses jornais se esquecem que o Google tem muito mais audiência do que todos eles somados. E que a máquina de busca é a grande porta de entrada, hoje, de qualquer conteúdo na web. Se você não aparece numa busca, seja em que ferramenta for, está morto.

Talvez seja isso.

Um gigante dentro do outro

Veja que loucura isso: 25% de todas as buscas realizadas pelo Google, esse colosso da Web, são por arquivos do You Tube, principal site de compartilhamento de vídeos da Internet.

Fosse uma máquina de busca, o site fundado em 2005 _e depois comprado pelo próprio Google_ seria o segundo maior do ciberespaço.

Em busca de um concorrente para o Google

O Google realiza hoje 98.3% das buscas dos internautas na Internet.

Foi assim, com essa ducha de água de fria, que começou o “Alternative Search Engines Day” (Dia das Máquinas de Busca Alternativas), realizado neste 21 de abril em San Francisco (EUA).

Tudo bem, já está ficando repetitivo. Mas a questão é que há pelo menos outros 100 mecanismos (veja aqui) que desempenham tarefas específicas, como localizar vídeos, áudios, livros, dissertações etc.

Juntos, respondem por 1.7% das buscas efetuadas na web.

É a tal da monocultura…

A evolução da humanidade através de home pages

Sabiam que o Aliweb, primeira máquina de busca da história da Internet (foi criada em 1993), ainda está ativa na rede? Tudo bem, é um horror, difícil compreender etc. Mas o fato de ainda estar ativa é sensacional, né?

Que tal tentar fazer umas buscas pra checar a confiabilidade e se o Aliweb é acurado? Eu tô fazendo e me surpreendendo aqui…

Mas esse ferro-velho da web me fez lembrar de uma dívida com leitores que, há pouco menos de dois anos, encontraram essa nota aqui na Folha Online.

Na época, eu tinha descoberto que o site oficial da Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados Unidos, ainda estava no ar por meio de seu site-espelho japonês.

Pois bem: os acessos foram tantos que, em 15 minutos, os japoneses simplesmente tiraram o brinquedo do ar!!! E me deixaram com a cara no chão perante os leitores…

Daí hoje fui ao maravilhoso Wayback Machine para pagar essa conta. Já que o site não existe mais on-line, pelo menos boa parte dele foi preservado aqui. Com quase todos os links de conteúdo interno funcionando!!!

Para efeito de comparação: o site oficial do Mundial da Alemanha-2006 é este.

E viva a evolução da humanidade…

É o fim da home page?

Os caras do Publishing 2.0, o lugar onde estão algumas das melhores discussões sobre a nova web, já tinham dado o toque: as máquinas de busca estão mudando totalmente a maneira como consumimos na Internet.

E isso se aplica também ao jornalismo, lógico.

É por essa razão que temos falado também sobre a monocultura do Google _assunto que, apesar de prometido, passou batido na aula passada e que vamos, obrigatoriamente, retomar nesta semana.

Quem sabe onde está o que quer na rede usa o sistema de feed e nem precisa ficar navegando atrás de coisas. Quem não sabe, maioria absoluta das pessoas, deveria sistematizar e concentrar suas buscas para localizar diretamente o que procura ou coisas relacionadas.

Pois bem, é justamente essa centralização de buscas que está tornando paulatinamente desnecessária a consulta a uma home page. O papel de abrigar o que há de um melhor num site, positivamente, é feito de forma muito mais eficiente por um sistema de busca do que por sua primeira página.

Falando nisso: como você navega?