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Falando em bom português

Você sabia que cerca de 15% das palavras patrocinadas em mecanismos de busca (que anunciantes compram para destacar seus produtos) contêm algum tipo de erro de grafia?

Equívocos de digitação e desconhecimento da língua pátria (o que dirá de outras) forjaram termos como ‘home teacher’, ‘gravides’ e ‘Maiami’. Todos são entendidos perfeitamente pelos sistemas de pesquisa.

No nosso mundo, até o deslize gramatical leva ao lugar correto.

A falha humana e a automação programada para falhar

O que é pior: uma falha humana que faz um anúncio constrangedor ser publicado no maior jornal do país ou uma programação humana feita para falhar, como o link patrocinado, recurso que inevitavelmente coloca o jornalismo em situação ridícula?

Não tenho dúvida de que a automação preparada para falhar é muito mais grave. Afinal de contas, diferentemente do erro humano, sabemos de antemão que aquilo vai acontecer.

São os casos da notícia sobre a proibição da venda do cigarro eletrônico no Brasil acompanhada de links para se comprar o produto proibido, ou da trágica notícia de uma criança que ficou presa numa máquina de lavar roupa ladeada por anúncios de máquina de lavar roupa _que tratei aqui recentemente.

Mas tem gente que pensa que não é bem assim, caso de Tiago Dória, alguém que conhece das coisas. Pra ele, a falha de um subalterno de um departamento de publicidade, que levou às páginas da Folha de S.Paulo o anúncio em que o Extra se despedia da seleção brasileira (quando na verdade ela havia ganho do Chile), é mais grave.

E acho então que precisamos discutir um pouco mais a extensão do uso de robôs no jornalismo, porque é óbvio que ele não me serve a partir do momento em que eu sei, com antecedência, que irá me provocar problemas.

O Tiago diz que não e me questiona (“e depois tem gente que ainda vem falar sobre link patrocinado”, afirmou no dia do anúncio errado da Folha, abordando diretamente uma das bandeiras do Webmanario).

Bem… essa defesa incondicional é mais retrógrada do que um mero departamento comercial que recebe duas versões de anúncio e manda para as páginas do jornal o incorreto.

É até muito conformista se resignar com o vexame da automação. E uma grande pena.

A última do link patrocinado, a revanche

Aconteceu de novo _e outra vez no site do jornal O Globo.

Uma matéria que conta uma situação dramática (uma menina que ficou presa numa máquina de lavar roupas) ganha o indesejável acompanhamento de links que vendem o eletrodoméstico.

Problemas do uso de palavras-chave patrocinadas no jornalismo, já abordada aqui. Um erro, não pode.

(A dica é do solerte Everton Maciel).

Ludibriar as pessoas por meio de links patrocinados vira crime no Brasil

Atenção, empresas jornalísticas: enganar usuários por meio de links patrocinados que fazem você se passar por um concorrente virou crime no Brasil. Resumindo: comprar palavras-chave capciosas para direcionar o consumidor para um lugar onde ele não queria ir, agora, é passível de punição legal.

“A decisão é a 10ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) ao condenar dois representantes de uma empresa a pagar indenização à concorrente por ter fraudado através dos principais mecanismos de busca na internet (Google, Terra, entre outros) (…) que, ao digitar o nome da concorrente nos mecanismos de busca, encontravam o nome da empresa-ré”, informa a assessoria da Opice Blum Advogados Associados, um dos primeiros escritórios do país a se especializar em direito digital.

Não vou dar nome aos bois porque não tenho provas (não fui espirituoso e esqueci os benditos printscreens), mas repare como fácil se deparar com algumas malandragens exatamente do mesmo gênero perpetradas por grupos jornalísticos (alguns de grande envergadura).

Ainda ontem discorri sobre a sugestão do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que vê no Marco Civil Regulatório da internet uma possibilidade de criar “a Constituição da web”, justo num país em que as leis já existem, apenas não são transpostas corretamente para o meio eletrônico.

Essa decisão, de certa forma, ajuda a provar isso. Tratou-se da primeira condenação criminal do país envolvendo o uso malicioso do link patrocinado.

Cumpram-se as leis vigentes e bastará.

Webmanario sob ataque

Socorro, este site foi invadido e está gerando tráfego a quem não devia.

Em hipótese alguma clique em hiperlinks que levem aos endereços hqgeneric.com, pharmacyship.com, hqdrug.com e hqgenerics.com.

Certamente é coisa do snapshots (esse preview dos hiperlinks no site).

Alguma sugestão pra resolver isso?

A última do link patrocinado

A notícia fala em proibição, enquanto os anúncios oferecem a venda do produto ilícito: clara incongruência que estremece a credibilidade jornalística

A notícia fala em proibição, enquanto os anúncios oferecem a venda do produto ilícito: clara incongruência que estremece a credibilidade jornalística

Viu a imagem acima, uma captura de tela do site de O Globo nessa semana? Pois é, depois ainda me perguntam por que eu combato o uso de links patrocinados ou adsense em produtos jornalísticos.

A notícia do jornal carioca fala na proibição, pela Anvisa, da venda e importação do cigarro eletrônico em todo o território nacional. Pois a publicidade imediatamente abaixo oferece justamente o que? Lotes de cigarro eletrônico em 18 vezes sem juros.

O episódio expõe com clareza o problema, para quem trabalha narrando acontecimentos, de ficar à mercê de uma máquina de busca brilhante mas que possui seus momentos de absoluta imbecilidade _aqueles em que é preciso agir como gente.

Imagine um jornal não saber o conteúdo de um anúncio numa de suas páginas _às vezes eles chegam tarde à redação, é verdade, mas por volta de 19h30 todos sabemos o que é aquilo que está atrapalhando e tomando espaço em nossas páginas.

Propaganda não pode ser aleatória, tem de ser gerenciada.

Para seu própria bem, diga não ao link patrocinado em seu site jornalístico. Pelo menos da forma como o conhecemos hoje.

Terra usa link patrocinado para vender notícias

Até que ponto que um veículo deve usar recursos on-line para promover seu conteúdo editorial?

Usuários do Google que buscaram nesta terça-feira informações sobre o caso Isabela Nardoni encontraram, no topo da página de resultados, um link patrocinado do Terra Notícias chamando para a sua cobertura sobre a morte da garota _que fez exatamente um mês.

Com a estratégia, o Terra pôs seu produto no topo das buscas do site que realiza 98% das pesquisas mundiais na Internet.

É certo que sites (ou blogs) jornalísticos, se quiserem caminhar dentro dos limites da ética, devem evitar o uso de links patrocinados ou do tipo adsense em seu material noticioso.

O motivo? Bem, eles ludibriam o usuário escolhendo palavras equivocadas e os encaminhando a sites que muitas vezes nada têm a ver com a notícia em si. Mais: são aleatórios, e não se edita um produto jornalístico sem saber o que vai acompanhá-lo. Mais ainda: possui, entre seus clientes, picaretagens como o Total Shape (aquele que promete um abdôme tanquinho em apenas 15 minutos diários de papo pro ar), além de pornografia e outras ilegalidades.

Agora, o inverso (usar o link patrocinado para anunciar) me parece natural e nada constrangedor, como indagou o Leopoldo Godoy, que notou a propaganda ao fazer uma busca. Não difere em nada da propaganda comum que vemos, por exemplo, em revistas, jornais ou TV.