Arquivo da tag: liberdade de expressão

Charlie Hebdo eterno

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Os criminosos que perpetraram a chacina do semanário francês Charlie Hebdo, que inspirou gerações de jornalistas-cartunistas pelo mundo (como a nossa turma de O Pasquim), não sabem o que fizeram.

Na tentativa de calar, notabilizaram e globalizaram uma mensagem que tem o desprendimento, muito antes da liberdade, como o maior trunfo.

Mais Charlies Hebdos virão. E o original ingressou numa santificada galeria. Certamente não era isso que queriam os matadores.

ATUALIZAÇÃO: Para ilustrar o que escrevi acima, o advogado do Charlie Hebdo informou nesta quinta que a próxima edição da publicação (moribunda como vários outros impressos e estagnada em 60 mil exemplares) terá 1 milhão de cópias.

A liberdade de expressão na Argentina

Muito se fala de como a presidente argentina, Cristina Kirchner, é um entrave para a liberdade de expressão e o exercício do jornalismo no país, mas relatório da Fopea (Foro de Periodismo Argentino) aponta problemas nas esferas municipal e estadual em 2012.

Brasil vota contra plano da ONU para proteger jornalistas

Países como o nosso, Índia e Paquistão (onde é alto o índice de crimes contra jornalistas) embarreiraram na ONU a aprovação de uma iniciativa da Unesco que, em linhas gerais, pretende ampliar as instâncias de discussão da importância da liberdade de expressão, além de mecanismo de proteção aos profissionais de imprensa.

O Comitê de Proteção aos Jornalistas da ONU estima em 900 colegas mortos apenas nas últimas duas décadas.

ATUALIZAÇÃO: De acordo com a assessoria de comunicação do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil é a favor do plano de ação, mas contrário ao procedimento para aprová-lo e também a alguns trechos do texto. O país diz não ter dito voz na formatação do plano e questiona, por exemplo, a definição do que seriam “situações de conflito e não conflito” enfrentadas por jornalistas.

 

Prefeito fica rico, e jornalistas são ameaçados no interior de SP

Jornalistas que cobrem o escândalo administrativo em Limeira (próspera cidade do interior de São Paulo) estão recebendo ameaças via internet por e-mails remetidos de servidores que ficam no exterior.

Limeira é a terra do prefeito Silvio Félix (PDT) , afastado do cargo sob a acusação de enriquecimento ilícito.

Já há uma investigação em curso, mas é bom ficarmos bem atentos a essa situação, insuportável sob quaisquer pontos de vista.

2011, o ano pela liberdade de expressão

Não sabia, mas 2011 é o Ano pela Liberdade de Expressão, de acordo com a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa).

Venício Lima discorre, no Observatório da Imprensa, sobre os documentos que dão base a essa ideia.

Levando-se em conta que 2011 pode ser também o ano em que controlaremos o conteúdo de rádio e TV (é o que pretende o novo governo), essa discussão promete.

O atestado de óbito do sindicato dos jornalistas de SP

É hoje que o sindicato dos jornalistas de São Paulo assina seu atestado de óbito: a entidade, que já há anos servia apenas como um plano odontológico e estava morta como representante de uma categoria, abriga nesta quinta-feira uma manifestação contra a imprensa.

É isso mesmo, eu não estou louco nem bêbado: o sindicato, que deveria defender a classe, abre suas portas para um grupo de entidades interessadas em denunciar a “baixaria nas eleições” e o “golpe midiático”, seja lá isso o que for.

Na prática, trata-se de mais uma tentativa de calar e constranger a imprensa livre e combater o jornalismo investigativo _eles se esquecem de que o ministro mais importante do governo, o da Casa Civil, teve de deixar o governo justamente por conta destas investigações.

É o fim patético de um sindicato que já tinha sido destruído pela desconexão entre sua direção e a realidade.

Que não descanse em paz.

Tribunal dita regras de jornalismo

A Suprema Corte de Justicia, o STF mexicano, acaba de aprovar um pacote de seis resoluções definindo o que é uma reportagem neutra e esclarecendo os limites do direito à privacidade e da liberdade de expressão.

A motivação foi a demanda judicial que a mulher do presidente Vicente Fox, Marta Sahagún, apresentou (e perdeu) contra um revista de celebridades que revelou detalhes de sua vida pessoal.

Para o tribunal, numa reportagem neutra, vale tudo. É o que se depreende do trecho “(…) quando os comunicadores se limitam a divulgar informação de autoria de terceiros, não têm o dever de verificar ou classificar se a intromissão na intimidade (…) tem relevância pública ou não”.

Portanto, basta atribuir a informação, fechar e ir pra casa.

Uma das decisões aprovadas define o que é pessoa pública (em resumo, conhecidas por circunstâncias sociais, familiares, artísticas ou esportivas) e insta os juízes de primeira instância a avaliar, mediante essa régua, se a informação publicada é de interesse público _ressaltando que essa condição “será atualizada em cada caso concreto” por conta da volatilidade das situações “históricas, políticas, econômicas e sociais”.

O pitaco da corte mexicana na nossa profissão alivia as coisas para os jornalistas de lá. Demais, até.