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Leituras de segunda

Normalmente as dicas de leitura eu dou aos domingos, mas nesta semana me atrasei: a compilação de artigos #MidiasSociais: Perspectivas, Tendências e Reflexões merece uma visitada.

Bom porque trata também de outros campos (educação, política, economia e publicidade, entre outras).

Oito casos de convergência analisados bem de perto

Já saiu do forno o livro “Jornalismo Integrado: Convergência de Meios e Reorganização de Redações“, editado pela Universidade de Navarra.

A obra estuda em profundidade oito casos de jornais que optaram por integrar suas redações em papel e on-line. São eles: Daily Telegraph, Tampa News Center, Schibsted, O Estado de S.Paulo, The New York Times, Guardian, Clarín e Financial Times.

O estudo de cases é muito relevante neste momento, em que diversos outros veículos estão optando pela fusão de conteúdos para, enfim, atingir a tão sonhada convergência (quando todo o trabalho jornalístico é pensado em várias dimensões e plataformas).

Como aperitivo, o capítulo sobre o Daily Telegraph, considerado modelo mundial no tema.

ATUALIZAÇÃO: Minha amiga Ana Estela, aí embaixo, nos comentários, faz uma observação bem importante: “Era bom ressalvar que o livro é francamente integracionista e que tem gente ali no meio que vende consultoria para quem quer fazer Redações integradas… Ou não?”

Sim, completamente. Salaverría, por exemplo, viaja o mundo vendendo um modelo que não foi ele quem criou. Tem sido assim com alguns outros personagens de Navarra: ocuparam bastante espaço, mas com um discurso difuso e que, muitas vezes, assemelha-se a autoajuda.

Leitura de final de semana

Não passou batido, mas esqueci de comentar aqui o lançamento do livro (disponibilizado apenas on-line) Blogs.com, organizado por Raquel Recuero, Adriana Amaral e Sandra Montardo.

Recém imprimi, então as impressões ficam para depois.

Só uma, que dá para dizer de cara: sinto falta da versão em livro. A Web é muito legal, mas há coisas que merecem uma encadernação para serem consultadas a posteriori _e, porque não, off-line.

Um 2009 cheio de livros

Federico Noguera colocou na rede uma relação de livros em espanhol sobre jornalismo on-line, blogagem e participação que podem ser encontrados de graça na Web.

Uma boa dica para começar bem o ano novo.

Biblioteca do novo jornalismo

O caderno Mais, da Folha de S.Paulo, trouxe neste final de semana a resenha de três livros que discutem o presente e o futuro de nosso profissão. O texto é assinado por John Lloyd, colaborador do Financial Times e pesquisador.

“SuperMedia” [ed. WileyBlackwell, 216 págs., 14,99, R$ 53], “Can You Trust the Media?” [Você Pode Confiar na Mídia?, Icon Books, 256 págs., 12,99, R$ 46] e “UK Confidential” [Reino Unido Confidencial, Instituto Demos, Charlie Edwards e Catherine Fieschi (org.), 184 págs., 10, R$ 36] discutem, à sua maneira, os limites e as vantagens da tecnologia para aquilo que se convencionou chamar de novo jornalismo.

Aliás, o próprio Lloyd assume que ainda não há um nome para explicar exatamente o que está ocorrendo na era da publicação pessoal e do noticiário on-line.

Outra constatação bacana que não é nova, mas é sempre legal de lembrar, é a semelhança entre essa nova era e o tempo dos panfletistas e dos primeiros jornais. Diz Lloyd: “os blogs e a web marcam um retorno ao jornalismo dos séculos 17 e 18 -um período empreendedor, no qual pessoas que tinham algo a dizer montavam seus negócios e publicavam panfletos e boletins noticiosos”.

Ficam aí as sugestões de leitura para o final do ano.

Leituras sobre a rede

Ótima dica do professor espanhol Ramón Salaverría: o livro Comunicación Local y Nuevos Formatos Periodisticos en Internet, que pode ser baixado diretamente na rede.

É uma obra coletiva que reúne os trabalhos de 11 pesquisadores de seis universidades. A ênfase é a análise do noticiário hiperlocal e um raio-x específico da plataforma blog, de fato o único formato verdadeiramente inovador que, por ora, a rede deixa como legado.

Jornalismo 2.0, a resenha

O livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs (sugestão de leitura que dei no início do bimestre) ganhou uma bela resenha da Natalie Consani.

Quem avisa é a Ana Estela, que comanda o blog (de verdade) Novo em Folha.

Vale a pena ler. E o livro (na verdade um manual sobre como se virar com câmeras digitais, filmadoras e outras bossas tecnológicas), relembrando, está disponível para download gratuito.

Edição II – Terceira aula

Nesta sexta (14/3), enfim, discutiremos o texto “A dupla falta do editor de jornal” , a representação no Cinema dessa figura polêmica do jornalismo, o jornal sem manchete de Alberto Dines em 1973 e mais. Afinal, para ser um bom editor é necessário ter sido repórter?

Capa do Jornal do Brasil que relata a queda de Salvador Allende, em 1973

Dicas de navegação para o segundo tempo da aula:

1. As lembranças de Alberto Dines sobre a histórica capa sem manchete. Leia, se informe, pesquise mais.

2. De novo: vamos a um site noticioso (Estadão, G1, Terra, Folha ou UOL) e vamos deixar uma opinião numa notícia.

3. A quantas anda a leitura dos manuais do Wikinotícias? Apressem-se, está chegando a hora de escrevermos lá pra valer. Quem já quiser arriscar hoje, ótimo.
Os manuais: de Redação, de Estilo, de Edição, de Conteúdo e O que não é o Wikinotícias.

4. Como nosso próximo encontro (culpa do feriado) será só no dia 28, leiam até lá o texto bacana “A pirâmide deitada de João Canavilhas“. Cuma? Isso, começamos a tratar de edição on-line.

O Jornalismo no Cinema 3

Houve um tempo (que durou pelo menos uma década, infelizmente) em que o jornalismo, para Hollywood, só era digno de virar filme se contasse as agruras de um correspondente numa zona de conflito. Um cara empoeirado, fudido da vida, condenado a viver eternamente longe de casa, sem banho, cheirando a… vocês sabem.

Esse cara normalmente era fotógrafo (e sempre empunhando a máquina de forma equivocada, reparem), cobria desavenças bélicas no Terceiro Mundo e desenvolvia amizade fraternal com seus intérpretes/guias _estes, sempre empapados em suor, paus pra toda obra e capazes de arriscar a vida por uma reportagem. Às vezes, quando a guia era mulher ou a repórter da agência concorrente atraente, ainda rolava um algo mais.

Assim é O ano em que vivemos em perigo (The Year of Living Dangerously, 1982), ambientado na Indonésia do ditador Sukarno, com o regime à beira do colapso (1965, portanto). Ganhou um Oscar.

Os gritos do silêncio (The Killing Fields, 1984) repetiu a fórmula, mandou o enviado ao Cambodja, fez a platéia chorar e faturou três estatuetas.

Em 1986, El Salvador, o martírio de um povo (Salvador) relata como um frila beberrão e fracassado aproveita a guerra civil no país centro-americano para tentar relançar sua carreira. Aqui, além do amigo fiel suado, tem a coleguinha cheirosinha e instigante também.

Essas representações também têm responsabilidade pelo fato de tantos jornalistas empregados hoje na grande mídia considerarem, pra valer, que a profissão só faz algum sentido se o repórter viaja. Para eles, ser repórter em São Paulo é chato…

Ainda fazem filmes assim, é incrível. Harrison’s Flowers, de 2000, é sobre um fictício fotógrafo que acaba ferido e fica entre a vida e a morte na guerra da Bósnia. A mulher dele, a bela Andie McDowell, ultrapassa todos os obstáculos e tenta localizar e socorrer o amado. A coisa mais chata a superar é o personagem de Adrian Brody, que interpreta um fotógrafo da AP. Como todo fotógrafo, ele é conceitual, se orienta pela luz e dá todos _absolutamente todos_ os conselhos errados. Pela Andie, minha paixão da adolescência (meu deus, com quantos anos então estará essa mulher?), veja o trailer (quem descobrir o nome desse filme em português me avisa?):

O Jornalismo no Cinema 2

Esse é um filmaço, como se diz por aí: Todos os homens do presidente (All the president’s men, 1976).

Reconstitui todos os acontecimentos que levaram à renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, com ênfase no trabalho de investigação jornalística dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein _que se tornariam célebres.

Outra coisa legal é a representação das pressões que um jornalista recebe no exercício da profissão. Aqui isso é mostrado de forma bem crível.