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Por que o Facebook é um bom investimento

Apesar de Amazon, o rei do comércio on-line, e Google, o dono das buscas, valerem mais, Juan Varela explica porque o Facebook “parece ser um bom investimento”.

“É a joia da economia da atenção. Seus ativos são a privacidade, a afetividade, o tempo e o consumo dos usuários. Um gerador de conteúdo e relacionamento imprescindível para a publicidade, o e-commerce e a política”.

A web não morreu

Lembra que ontem falei de um artigo da Wired sobre a morte da web e o avanço dos aplicativos móveis? Pois a tese está sob forte ataque.

Alexis Madrigal vai diretamente ao ponto em texto na The Atlantic: é a grana, estúpido.

E pensar que justo Chris Anderson, editor da Wired e defensor do preço zero na internet, teria formulado a hipótese (ao menos, é quem assina o texto, ao lado de Michael Wolff).

Sim, pontua Madrigal, revistas como a Wired podem fazer muito dinheiro usando aplicativos e serviços personalizados em dispositivos móveis.

Pra completar, Rob Beschizza detectou manipulação nos gráficos que ilustravam o polêmico texto de Anderson.

Mas lembre de Juan Varela, que crê (academicamente, até onde sei) na gradual desimportância da web como principal drive de conteúdo _e se vangloria de falar nisso faz tempo.

Vou deixar a palavra com especialistas.

A web morreu, sentencia a Wired

Aplicativos móveis e redes sociais são a nova world wide web, sentencia a revista Wired.

É uma discussão pertinente sobre as maneiras que acessamos conteúdo agora.

A navegação direta na rede pode ser substituída pelo uso de aplicativos que têm como base a recomendação social e a qualidade do acesso direto a várias funcionalidades _sem passar pelo revolucionário invento de Tim Berners-Lee.

O conteúdo continua na internet, mas está cada vez menos na web.

Juan Varela, que sabe bem mais do que eu, explica direitinho.

‘A invenção da internet é muito mais importante que a da imprensa’

Quando Arcadi Espada e Juan Varela se reúnem, claro que vêm reflexões boas sobre o trabalho jornalístico na internet.

Espada é taxativo: “Antes [do avanço tecnológico] se fazia um jornalismo pior”.

Sou bem partidário dessa tese, mas aplicada a tudo. Hoje é muito melhor do que ontem em qualquer aspecto.

Espada esculacha arroubos de nariz-de-cera em jornais impressos e critica a intenção de vários deles ao abordarem de maneira filosofal os temas do dia a dia. “A invenção da internet é muito mais importante que a da imprensa”, sentencia.

Varela também fez convites à reflexão. Primeiro: o jornalismo cidadão não existe. “Chega de confundir informação e jornalismo. Quem não se dedica profissionalmente ao jornalismo relata fatos na qualidade de fonte ou testemunha. Nunca como jornalista. A mediação jornalística é fundamental para esclarecer os fatos”. Para ele, nunca houve tanta desinformação sem reação do jornalismo formal”.

Leia mais sobre esse encontro que reuniu outros feras.

O YouTube dá dinheiro?

É a pergunta do milhão: o YouTube dá dinheiro? Juan Varela, nesta belíssima análise, atesta que não. Com a ressalva de que os dados são, em boa medida, estimativas de um estudo, ele mostra que o site de compartilhamento de vídeos movimenta dinheiro compatível com uma rede de TV europeia (US$ 727 milhões).

Isso significa pouca coisa se lembrarmos que armazenar dados, como faz o Youtube, custa bem mais caro que operar uma emissora de TV comercial _ou você acha que banda nasce em árvores?

Só no ano passado, o Google perdeu quase US$ 500 milhões com o site de compartilhamento de vídeos, mas é promissor o acréscimo de usuários e de vídeos vistos, todos eles devidamente monetizados com publicidade.

Mesmo assim, o estudo prevê que serão necessários pelo menos oito anos de bons resultados para o Google recupere os US$ 1,65 bilhão que colocou no negócio.

Europa discute os direitos do cidadão digital

A Europa está discutindo, neste momento, a Carta de Direitos dos Cidadãos na Era Digital. É um documento importante e com vários pontos que considero fundamentais para esta e as próximas gerações.

Entre as sugestões espanholas para a União Europeia estão a banda larga como serviço público universal, a neutralidade da rede, a necessidade de se manter em domínio público conteúdos subsidiados com impostos, padrões abertos para a tecnologia, o direito de acesso a informações públicas e, enfim, aumento de proteção dos direitos dos cidadãos que acessam a rede.

É uma discussão que diz respeito a todos nós.

Juan Varela aborda longamente o assunto, para quem quiser se aprofundar.

Idéias para um novo jornalismo

Organizar-se em torno de comunidades conectadas em rede, conhecer o interesse do leitor (dialogar com ele), estar disponível e receber com disposição as mudanças impostas pelo avanço tecnológico…

A discussão, que a Ana Brambilla bem colocou ao comentar texto de Juan Varela, está posta aos jornalistas, assim como à sociedade. Não existe outra opção.

É por isso que tenho falado tanto sobre os hábitos deste novo profissional, que está ou não em redações, que é ou não jornalista. A única coincidência certa sobre eles: ambos estão conectados ao mundo por algum (ou vários) aparato tecnológico.