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Greve de jornalistas sempre é notícia

Uma greve de jornalistas merece sempre ser noticiada: aconteceu ontem, na Grécia.

Foi uma paralisação de 24 horas que envolveu todas as mídias, inclusive on-line (que não abandona o posto nem para almoçar), contra a precarização do trabalho no país, que faliu e quase colocou em risco toda a Europa.

Parabéns, colegas.

Jornalista não tem medo de morrer

Acaba de ser traduzido para o espanhol o livro “Murder Without Borders” (Assassinato sem Fronteiras), do canadense Terry Gould.

A obra investiga os assassinatos de sete jornalistas em distintas regiões do planeta (só no ano passado, 76 colegas perderam a vida).

Sua conclusão é espetacular: porque todos eles adotaram uma atitude quase suicida ao prosseguir em suas investigações a despeito das ameaças de morte?

“Todos eles concluíram que deviam aceitar a morte como consequência de seu trabalho”, diz o autor.

Por essas e por outras me orgulho desta profissão.

Jornal impõe restrições em perfis pessoais de seus profissionais na web

O Globo divulgou na quinta-feira o que chama de “Estatuto das Eleições 2010“.

No conjunto, são medidas absolutamente dentro do bom senso, como sugerir aos seus jornalistas que não usem “distintivos, camisetas ou qualquer peça de propaganda de candidatos”.

A peça de dez regras e alguns adendos, porém, faz marcação cerrada contra os perfis pessoais dos funcionários em sites como Twitter e Facebook, porque “na prática, qualquer conteúdo publicado nas redes sociais poderá ser associado à linha editorial do jornal”. É? Se for, é um erro de quem faz a associação.

As restrições vão além e versam até sobre prática do retweet e adição de “amigos”.

“No caso específico do uso de Twitter e/ou outros microblogs, fica vedado ao funcionário do GLOBO a prática de reenvio (“retweets”) de conteúdos publicados por partidos políticos ou candidatos. Também não será permitido usar o serviço para propagar links para sites (pessoais ou institucionais) que contenham propaganda político-partidária, ou que sejam tanto ofensivos quanto elogiosos a determinado candidato.

Se, por necessidade profissional, jornalistas precisarem adicionar candidatos ou partidos políticos como “amigos” em páginas do Facebook, Orkut e demais sites de relacionamento, devem fazê-lo de forma equilibrada, evitando restringir a prática a apenas um determinado candidato ou partido. As inclinações políticas de jornalistas do GLOBO não devem aparecer também em seus perfis pessoais nesses e em outros sites de relacionamento.”

Da forma que foi redigido, o estatuto invade um terreno perigoso _e indefensável.

Outras restrições, em outros veículos, certamente virão.

Filiação de não diplomados racha sindicalismo jornalístico

O sindicalismo jornalístico brasileiro está muito perto de um racha. E o motivo é bizarro: alguns sindicatos (com São Paulo à frente) passaram (em respeito à lei) a filiar não diplomados em jornalismo, mas que exercem a profissão.

Como todos nós sabemos, no Brasil o exercício do jornalismo é livre _como de resto, no mundo: o avanço tecnológico já tinha dado uma imprensa para cada um.

Dentro da Fenaj (a federação nacional da profissão) surgiu um movimento contra essa filiação, e o assunto será discutido em 27 de março pelo Conselho de Representantes, que quer proibir a prática.

Os motivos desse grupo eu entendo perfeitamente. Minha grande dúvida é saber o porquê de não diplomados em jornalismo decidirem se filiar a entidades da classe, o que se passa na cabeça dessa gente?

Como sindicalizado veterano, atesto a inutilidade da coisa.

Afinal, queremos um sindicato de diplomados em Jornalismo ou um sindicato de jornalistas? Ou não queremos sindicato? Nem precisa responder.

Lembro que me revoltava porque não aceitavam, lá pelos idos de 1992, sindicalização de frila, ainda que jornalista formado. Hoje entendi que o sindicalismo do jornalismo só se importa com quem faz xixi até a linha delimitada por ele.

Desta vez, ao menos em SP, foram razoáveis. E tem gente partindo pro casuísmo. Uma vergonha, não me representam e não falam por mim.

Em quem os jornalistas acreditam?

Os jornalistas confiam em ONGs, em si próprios (!) e na ONU, essa entidade que deixou de ter relevância quando foi solenemente ignorada pelos Estados Unidos na segunda Guerra do Golfo.

Os dados são de uma pesquisa que ouviu 1,8 mil coleguinhas de 356 redações em 18 países.

diferenças importantes de país para a país, mas a média global da confiança dos jornalistas é representada no quadro que abre este post.

Absolutamente preocupante.

Essa eu vi primeiro no Blog do GJOL.