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Novas narrativas jornalísticas

Meu mestre Jose Luis Orihuela reuniu uma coleção respeitável de conteúdo documental com o conceito de novas narrativas jornalísticas. Vale a pena checar um por um e, quem sabe, se inspirar a fazer algo diferente.

O zelador da qualidade jornalística

Voltei das férias com a leitura da primeira coluna da ombudsman da Folha de S.Paulo em 2013. Em resumo: dá dois exemplos de textos mal-escritos no jornal e sentencia: “…com o surgimento do noticiário on-line, espera-se que o impresso sirva de esteio da qualidade jornalística. Se é para ler “qualquer coisa” rapidamente, fiquemos na internet, onde há fartura e gratuidade.”

Só um porém: o timing do jornal, ainda que evidentemente muito maior que o do jornalismo on-line, não me parece adequado para que supostamente se arvore o papel de esteio da qualidade jornalística.

De resto, é isso aí.

Nada mais desatualizado do que o jornal de hoje

Neste final/começo de ano vivenciei uma experiência que preciso compartilhar com você agora que retorno de minhas merecidas miniférias. gozadas num ponto isolado do litoral brasileiro.

Sem TV, rádio ou acesso à internet, restou-me travar contato com o noticiário por meio do bom e velho jornal impresso. E, pela primeira vez, tomou conta de i a sensação de estar diante de um produto confeccionado 24 horas antes.

“Nada mais desatualizado do que o jornal de hoje”, sempre disse aos alunos em sala de aula. Desta vez, pude comprovar em pessoa a correção da sentença.

É desesperador travar contato com acontecimentos que, naquele exato momento, estão se desdobrando. Diante de um papel impresso, é inútil aguardar essa evolução.

É, o tempo real mudou definitivamente a percepção que tínhamos de jornalismo. Hoje, é fundamental acompanhar a escalada dos acontecimentos. A notícia exige o tempo real.

Site da Fox News se fecha para comentários

Quintessência do pensamento conservador, iletrado e troglodita americano, a Fox News restringiu drasticamente a área de comentários de seu site.

Agora, só assuntos anódinos – esqueça a política e a economia – estão abertos à participação direta do público.

Uma coleção das “melhores intervenções” do público em 2010 dá uma mostra clara do que é que estamos perdendo com essa súbita conversão ao obscurantismo do veículo “justo e equilibrado” do senhor Murdoch.

Quem tem os piores comentaristas da internet?

John Herrman analisou sites de notícias, blogs de tecnologia, páginas políticas e de cobertura de celebridades, Facebook e Youtube para chegar à conclusão que o vencedor é… descubra você mesmo, é surpreendente!

De minha parte, baseado em observações diárias, fiz uma divisão em cinco categorias do que é mais frequente encontrarmos nos portais brasileiros. É a que segue.

Pregadores
Não tem jeito: estão presentes em todo o tipo de reportagem. Se a pessoa morreu, “foi a vontade de deus”. Se ela se salvou, “deus é grande”. Se está doente, “fé em deus”. Uma nova descoberta científica? “Parem de desafiar o poder de deus”. O goleiro do seu time fechou o gol? “É o dedo de deus”. Calculo que cerca de 30% dos comentários esteja impregnado de discurso religioso. E, a partir dele, os anti-religião transformam a discussão numa batalha infindável entre crentes e ateus.

Oniscientes
Eles não testemunharam a notícia, mas conhecem profundamente seus protagonistas e sabem descrever com precisão como o fato ocorreu. Vide “com certeza ele usou cocaína e encheu a cara” ou “está na cara que essa mãe não tem condição psicológica de cuidar de uma criança”. São capazes de dar aulas das mais variadas, de astrofísica a gastronomia, e acreditam que realmente conhecem esses assuntos. Estão aos montes nas caixas de comentários.

Justiceiros
Sua arma é a lei de talião. “Matem essa monstra”, “ponham fogo na casa desse assassino” e “me dê apenas 10 minutos a sós com esse lixo humano” são seus lemas. Frequentam basicamente o noticiário policial. Se todo mundo que estes comentaristas de site anunciam que matariam efetivamente morresse, estaria faltando gente no mundo.

Trolls
Estão entre nós desde que a internet é internet basicamente em busca de atenção. Para isso, recorrem a agressões gratuitas, palavrões, críticas desmensuradas.

Comentaristas
Quase me esqueço deles. Afinal, são minoria: ingressam numa notícia para realmente expor, civilizadamente, sua opinião sobre o tema.

Cobrar por conteúdo? Não, obrigado, diz Washington Post

Num momento em que o tabu do conteúdo pago de alguma forma tem sido enfrentado por veículos que em maior ou menor escala puseram a registradora para funcionar, o ombudsman do Washington Post vai na contramão e diz que, se fosse para fazer uma previsão, o jornal jamais irá cobrar pelo acesso à sua página on-line.

O suporte importa (algumas observações)

Importante fazer algumas observações sobre pesquisa conduzida por Arthur D. Santana, Randall Livingstone e Yoon Cho (todos da Universidade do Oregon), que basicamente detectou maior capacidade de apreensão do noticiário por quem consome jornais impressos – a comparação aqui foi direta com páginas na internet.

Não, o jornal impresso não possui nenhum poder mágico sobre o leitor. A explicação para isso é basicamente física – e já havia sido largamente explorada nos estudos de usabilidade de Jakob Nielsen.

Em 1997, ele mostrou que a leitura humana numa tela de computador funciona basicamente por meio de escaneamento de palavras. Ou seja, lemos mal e porcamente a web – um ambiente hostil ao olho humano, que funciona melhor reagindo à reflexão da luz (como se lê em papel) do que à sua emissão.

Outra vantagem do suporte papel, e isso o trabalho do povo do Oregon ressalta, é a capacidade de hierarquizar informação, deixando evidente ao consumidor o que é considerado mais importante.

A ciranda de manchetes e mudanças do jornalismo on-line joga decisivamente nisso, desvalorizando, por mera questão temporal, assuntos que talvez devessem ter destaque mais duradouro.

NYT divulga publicador na web em desenvolvimento

O The New York Times divulgou a versão demo da ferramenta de publicação que está desenvolvendo para a web.

Como de hábito, o código é aberto.

E depois ainda perguntam por que o jornal está anos-luz à frente dos outros também nos assuntos on-line.

Editor & Publisher escolhe os melhores do ano

A Editor & Publisher divulgou seu prêmio dos melhores do ano no jornalismo on-line (sempre separados em três categorias _mais de um milhão de usuários único, até 250 mil usuários únicos e abaixo disso).

O perigoso uso de chapéu em títulos no jornalismo on-line

O uso de chapéu (aquela palavrinha que fica acima dos títulos) no jornalismo on-line é um problema.

O exemplo acima (um singelo “au-au!”) é apenas uma mostra do que pode acontecer.

É fato que o uso desse recurso exige poder de edição e síntese brilhantes _para realmente poucos na profissão.

Daí vem o dilema: ou se estabelecem palavras-padrão, o que torna a edição burocrática, ou corre-se o risco de latir.

Escolha.