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O inevitável caminho rumo aos dispositivos móveis

Olha que bacana essa informação do Wall Street Journal: em nações emergentes, como a Indonésia, o acesso à Internet está ocorrendo com mais freqüência por meio de telefones celulares, não dos tradicionais desktops.

É uma tendência que, se confirmada, só vai ampliar a oferta de serviços móveis (e os postos de trabalhos para quem mexe com conteúdo, como nós, jornalistas).

A matéria tem um dado espetacular: a projeção de que, em 2013, serão 700 milhões os smartphones (celulares com acesso amigável à Web), contra os 76 milhões registrados em 2007.

Edição II – Sétima aula

Nesta sexta (9/5), vamos conversar sobre o jornalismo para ambientes móveis, notoriamente o celular (“a terceira tela”).

Discutiremos o artigo de Mario Lima Cavalcanti e vamos tentar entender porque diabos sua operadora de celular lhe dá tantas facilidades para adquirir aparelhos mais modernos.

Aqui, no ambiente SMS, concisão e precisão são fundamentais. Como editar em 140 caracteres? O que o usuário desse serviço precisa realmente receber?

Mas não é só isso que o telefone móvel oferece. Há “clones” inteiros de sites da Web (cujo conteúdo foi apenas adaptado para a terceira tela) e outros, construídos em WAP, que parecem toscos olhando assim na telona, mas que são bem funcionais quando consultados em aparelhos em miniatura.

Falaremos ainda de jornalismo para mídia exterior (painéis em locais públicos) e suas características de edição. É um assunto praticamente inexplorado nos cursos de jornalismo. Mas que dele têm brotado empregos e especificidades para novos jornalistas, não há duvida.

Tarefas

1) Vá ao Twitter e simule, como se fosse redator de um grande portal, o envio de três notícias (no formato título + URL). Escolha entre UOL, G1, Globo, Terra, Estadão e IG

2) Conheça o Brasilwiki. É um site brasileiro de colaboração. Diferentemente do Wikinotícias, suas matérias são assinadas, e os textos não passam por várias mãos. Navegue pelo site e entenda seu funcionamento. Cadastre-se. Avalie a possibilidade de enviar alguma colaboração.

3) E o Wikinotícias? Matérias lá valerão nota no bimestre, não acabamos nossa missão ali.

A terceira tela chega à Ilha. Agora só falta o conteúdo

Cubanos fazem fila para comprar telefone celular em Hava

Os tempos estão mudando mesmo: bastou Fidel Castro deixar o comando em Cuba e seus compatriotas já podem, entre outras pequenas “liberdades”, comprar telefones celulares (a imagem acima, da AP, mostra uma fila de gente atrás do aparelho).

Primeiro que isso me lembrou a corrida à telefonia móvel que eu mesmo presenciei quando o serviço se tornou acessível no Brasil_era preciso preencher uma ficha na lojinha da então BCP e aguardar ansiosamente uma cartinha lhe comunicando que a linha era sua.

Passado o momento nostalgia: a euforia cubana (na verdade, são poucas as pessoas no país que poderão pagar US$ 120 apenas para ativar uma linha) tem tudo para ser multiplicada por um trilhão quando conteúdos especialmente produzidos para a terceira tela _a primeira foi a TV, e a segunda, o computador_ desembarcarem lá.

Por conteúdo entenda não apenas programas de TV, filmes, vídeos e fotos (as galinhas dos ovos de ouro), mas também a parte que nos toca: textos jornalísticos curtos e com grande ênfase em serviço.

A produção de material jornalístico para o telefone móvel é a grande novidade oferecida pelo avanço da tecnologia no que diz respeito a nossa profissão. E um campo vastíssimo onde se concentrarão, além de potenciais investimentos, vários empregos nos próximos anos.

Por ora, sugiro a leitura do texto de Mario Lima Cavalcanti “Propostas para uma boa escrita jornalística em ambientes portáteis (PDF)“, que dá uma boa idéia da extensão e habilidades para se adaptar a esse novo mundo.

Em tempo: o uso do Twitter ou do Telog é uma excelente simulação de um ambiente SMS (short message service, o bom e velho torpedo). Chegaremos lá.

O microblogging pode salvar o jornalismo

Não tem jeito, o termômetro não pára de subir: o ingresso em peso dos grandes grupos de mídia, além do bombardeamento quase minuto a minuto de serviços de monitoramento de imagens (como o bacana Livecameras) promoveram mesmo o microblogging (cujo maior expoente é o Twitter) de ex-ferramenta de miguxos a um poderoso utilitário jornalístico.

O Alex Primo, ao analisar o fenômeno, molda seus argumentos num cenário que contempla o declínio dos jornais em papel _para seu desespero, leitor contumaz que diz ser. E dialoga com um texto que põe o microblogging em ameaçadora rota de colisão com a antiquíssima prática de imprimir notícias diariamente em bobinas de papel.

Eu coloco agregadores como o Twitter e seus congêneres (caso do brasileiro Telog) na bem-vinda categoria de poderosos instrumentos de divulgação de conteúdo. Para a plataforma on-line, do mainstream ao “repórter cidadão” menos pretensioso, são programas talhados para compartilhar quase que imediatamente idéias, links, notícias, fotos, vídeos, áudios, textos e o que mais for inventado.

Um concorrente ao jornal de papel? Não creio. O oposto: pode ser usado para promover as edições “forro-de-gaiola” (bons e velhos teasers conclamando à leitura de matérias em periódicos impressos).

Acuado por tantas inovações que resiste em entender e usar em seu favor, o jornal impresso é a bola da vez das discussões sobre a extinção de meios de comunicação canibalizados por outros mais práticos e modernos.

Nesse ponto, o Instituto Humanitas da Unisinos acertou em cheio ao exibir os três lados da moeda (sim, tem o do meio).

Há o romântico Ezio Mauro, diretor do jornal italiano La Reppublica, confiante na perpetuação do modelo jornal-papel “pelo prazer da escrita e da boa leitura”.

Amy Mitchell, vice-diretora do “Project for the Excellence in Journalism“, é mais realista e diz que os jornalões “ainda não morreram”, mas precisam batalhar para prosperar.

Apocalíptico, Robert Cauthorn (presidente do Citytools _mistura de rede social e portal de notícias) garante: o fim das impressões em papel está próximo.

Pode até ser, mas certamente não por causa do microblogging. Afinal, 140 caracteres não bastam _tirando daí o conteúdo produzido exclusivamente para celular, que tem como pressuposto essa brevidade_ para contar uma boa história.

Em vez de concorrente, é um poderoso agregador de conteúdo e instrumento de convergência de mídias.

A febre do Twitter

Existe uma febre do uso do Twitter com fins jornalísticos rolando na rede. Paul Bradshaw, professor de on-line, é dos mais fervorosos defensores da utilização da ferramenta de microblogging para reportar fatos. Ele é monolítico, só fala nisso. António Granado, jornalista português, também é fã incondicional.

O serviço nasceu basicamente com a intenção de fazer você responder à pergunta “o que eu estou fazendo agora?” via web ou torpedos de celular (o que torna o negócio ainda mais ágil).

Como tudo que é criado na web, não importa a função que seu inventor diz que ele tem, mas sim aquela que você descobrirá que ele poderá ter. Grandes grupos de mídia sacaram, logo de cara, que o Twitter é um ótimo veículo para despachar breaking news, por exemplo. E estão todos lá.

No Brasil, como sempre, a coisa anda mais devagar. Se você ainda não sabe o que é Twitter, dá uma olhada no vídeo que Tiago Dória descolou. Ele, blogueiro de primeira hora, aliás, é uma ótima fonte para acompanhar a evolução dessa febre.

Outro cara que tentou decifrar a coisa foi Pedro Menezes. Elementar porém correto.

Voltaremos em breve ao assunto, porque Twitter e jornalismo no celular (um dos nossos temas de aula no próximo bimestre) têm tudo a ver.