Arquivo da tag: jornalismo investigativo

Futuro do jornalismo investigativo preocupa Bill Gates

Bill Gates, quem diria, está extremamente preocupado com o futuro do jornalismo. Do jornalismo formal, por assim dizer, já que ele apenas recentemente aderiu às redes sociais _e onde também se faz jornalismo, apesar que em boa medida replicando o mainstream.

Numa entrevista ao San Francisco Chronicle, o criador da Microsoft bateu na tecla da preocupante redução de investimento em reportagens investigativas, especialmente de temas “que o público não gosta tanto, como a saúde global”.

Leitor inveterado de jornais, Gates diz que a blogosfera não irá substituir os grandes grupos de mídia, que teriam a obrigação moral de acompanhar de perto temas relevantes para a humanidade.

Na mesma entrevista, Gates fala bastante sobre redes sociais. Vale a pena dar uma olhada.

O preço do 1º Pulitzer do jornalismo on-line: US$ 400 mil

Bastante (e justamente) comemorado, o primeiro Pulitzer da história do jornalismo esconde por trás de seu feito um número impressionante: seu custo.

A história do precário atendimento médico (e a opção pela eutanásia) às vítimas do furacão Katrina, a cargo de Sheri Fink, Barbara Laker e Wendy Ruderman exigiu vários deslocamentos e, numa estimativa grosseira, teria saído por pelo menos US$ 400 mil se tivesse sido bancado desde o início por um único veículo.

O valor foi rachado entre o ProPublica (projeto jornalístico sem fins lucrativos que vive de doações dos leitores para concretizar as matérias), the Kaiser Foundation, The New York Times Magazine e a própria Fink, que desde 2007 trabalhava na pauta, publicada em agosto do ano passado.

O jornalismo investigativo é ótimo, mas é muito, muito caro.

NYTimes entrega edição nas mãos de cooperativa de frilas

Grandes grupos de mídia estão apostando no outsourcing (a boa e velha terceirização) para reduzir seus custos.

Agora é o The New York Times quem anunciou que recorreu a uma cooperativa de jornalistas para prover conteúdo específico para a edição regional de Chicago do jornalão.

Antes do NYT, o Los Angeles Times já tinha fechado um acordo com o ProPublica, uma ONG que produz jornalismo investigativo, para melhorar seu conteúdo.

É uma tendência. Parece que investigar, e o custo que isso provoca dentro da redação, vai gradualmente se tornando uma tarefa para gente de fora do dia a dia do jornal.

O enviesado conceito de off no jornalismo brasileiro

Tenho ouvido com bastante frequência, até por desempenhar, no momento, outras funções na redação, expressões como “a gente não consegue ninguém falando em off sobre o assunto?” ou “ninguém publicou nem mesmo uma confirmação em off”.

É aquela velha confusão do jornalismo brasileiro, que põe no mesmo balaio a publicação de informações sem atribuição de fonte (chamada por aqui equivocadamente de off) e informações para uso interno da redação (o conceito real de off).

O off nada é mais é do que um indicativo, uma pista que determinada fonte dá para que o jornalista avalie se uma investigação vale a pena _ou, ainda, que confirme ou complemente uma apuração em curso.

Ricardo A. Setti já falava sobre o tema em 2004, num excelente artigo para o Observatório da Imprensa.

No entanto, para nós, jornalistas brasileiros, off é tudo aquilo que publicamos sem identificar a procedência. Simples assim.

Ponto pra gente: ‘os jornalistas tinham de ser atirados no meio do rio’, diz funcionário público flagrado em delito

“Nós somos a mosca na sopa” já dizíamos tantos jornalistas muito antes da campanha publicitária da Folha. Por motivos óbvios, eu parei.

Mas como é bom ver a reação dos que tiveram a sopa estragada por nossa vigilância. Hugo Jenefes, conselheiro do tribunal de contas da província argentina do Chaco, perdeu a compostura diante de matéria dando conta que permitiu, ao arrepio da lei, o funcionamento de uma creche estatal.

“Tem que fazer como dizia o general Juan Domingo Perón: ou todos os jornalistas são funcionários do estado, ou que sejam postos numa canoa e atirados no meio do rio”, disse Jenefes. Que depois contemporizou. “Venho de uma família de jornalistas e tenho vários amigos jornalistas. Jamais diria que é necessário matá-los”.

Mais uma sopa quentinha e gostosa jogada no lixo. Ponto pra gente.

‘E o prêmio Pulitzer de tweets investigativos vai para…’

Ilustração: John Cole, The Times-Tribune

Ilustração: John Cole, The Times-Tribune

Abril de 2012, Universidade de Columbia (EUA). O apresentador checa seu smartphone para anunciar o vencedor da categoria “tweets investigativos” do Prêmio Pulitzer, a mais renomada distinção do jornalismo.

Exageros e ironias de cartum à parte, 2012 me parece muito tarde para um prêmio do tipo. Não haverá mais tweet, mas outra coisa (the next big thing?).

Agora, quanto à piada da brevidade do texto: é possível investigar e colocar pulgas atrás de várias orelhas em 140 caracteres. Não duvide disso. Afora o fato certo e sabido de um tweet levar a outro rincão, ou seja, uma página com o tamanho que se necessite.

A propósito, a ilustração de John Cole, do The Times-Tribune (Pennsylvania), abre o Nieman Report desta estação. O assunto é jornalismo e mídia social. Ótimas reflexões, para imprimir e ler.

(via @agranado)