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Gêneros Jornalísticos na Faap em 2011

Começo hoje, na nova turma da pós em Jornalismo Esportivo da Faap, mais um curso de Gêneros Jornalísticos, disciplina que marcou minha estreia no mundo acadêmico no já longínquo 2006, no Unifai.

Saudades daquela turma da qual vários ex-alunos já estão no mercado, buscando seu espaço.

A ideia, agora, é traçar um panorama da história do estudo dos gêneros desde a Grécia Antiga até Lia Seixas, a pesquisadora brasileira que tem se debruçado recentemente (e com muita propriedade) sobre o tema.

O objetivo? Saber identificar e classificar os gêneros é o primeiro passo para usá-los corretamente _e, assim, se dirigir ao leitor/usuário da forma mais otimizada possível.

Programa e bibliografia já estão on-line.

Pós em Jornalismo Esportivo na Faap

Além de abrir os trabalhos do terceiro ano do Webmanario, este post também serve para avisar sobre um desafio importante que surgiu pra mim em 2011: a coordenação da pós em Jornalismo Esportivo da Faap, importante instituição de São Paulo, que tem inscrições abertas para sua segunda turma.

A ligação entre jornalismo e a Faap é antiga e tem como seu momento crucial a prisão e posterior bárbaro assassinato de Vladimir Herzog, o Vlado, que era professor quando o curso ainda existia na graduação.

Era 1975 e, devido à repressão política patrocinada pela ditadura militar (vários professores e alunos foram detidos), o curso acabou congelado e posteriormente  desativado ao término da última turma, em 1979.

Por ora, voltou às salas escolares da instituição no formato de pós (já são duas: além do esportivo, há ainda um excelente curso de Jornalismo Cultural).

No primeiro módulo, os alunos serão introduzidos à história do jornalismo esportivo, sob a batuta do professor Rodolfo Martino, também coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Metodista.

O crítico de cinema e colaborador de diversas publicações (além de professor universitário de longa ficha prestada ao ensino do jornalismo) Sérgio Rizzo trata de Esporte e Cultura, uma das disciplinas mais bacanas de todo o programa.

Nosso laboratório de produção de texto está a cargo de Murillo Garavello, um veterano do jornalimo on-line (ele fez coberturas com internet discada, acredite) hoje Editor-executivo do UOL Esporte.

Mauricio Stycer, outro decano de publicações impressas, on-line e integrante da equipe que fundou o diário esportivo Lance!, cuida do primeiro módulo de Edição e Reportagem em Impresso e Web, disciplina que acompanhará os alunos até o final do curso.

Este que vos escreve, como já é tradição, ministra Gêneros Jornalísticos, um passeio pela descrição, evolução e revolução das maneiras pelas quais nos expressamos no jornalismo desde a Grécia Antiga.

Enfim, espero que desfrutem. Em breve falarei dos professores e disciplinas dos outros módulos.

PS – Dois agradecimentos se fazem necessários: ao parceiro velho de guerra Fábio Seixas, idealizador do curso e que me confiou a chave do cofre pra dar sequência a ele; e a Ronaldo Entler, coordenador de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP, que sempre acreditou que esta ideia daria certo.

Rogério Ceni diz que esporte é apenas entretenimento. E você?

A entrevista foi em abril, mas um pequeno trecho da conversa com o goleiro Rogério Ceni publicada pela edição brasileira da revista da ESPN me fez pensar de novo se o jornalismo deveria tratar de vez o esporte com olhar prioritário no aspecto entretenimento _suscitado pelo evidente caráter lúdico do que está em jogo.

Sou adepto do rigor jornalístico, como em qualquer editoria, mas será que estou certo? Realmente precisa? Melhor: é o que o público quer? Não estaríamos, em vários momentos, levando a coisa a sério demais?

Numa resposta ampla dentro do contexto da repercussão do que diz diariamente, Ceni afirma que a área esportiva (em geral)  “deveria ser entretenimento”, ou seja, que palavras e atitudes mereciam ocupar menos destaque.

É verdade que os atletas viveriam todos mais felizes se o mundo da crônica esportiva fosse uma grande Globo _não só ela, pra não ser injusto e repetitivo: veículos jornalísticos que sobrevivem da cobertura do dia a dia, do rame-rame, não conseguem fugir muito da agenda positiva.

Um pouco como acontece com intensidade nos cadernos de turismo, carros e cultura.

Uma aresta para a gente aparar.

‘O jornalista está perdendo cada vez mais o valor’

Alfredo Relaño, diretor do diário esportivo AS, faz declarações importantes nesta entrevista ao povo de jornalismo da Universidade Europeia de Madri. Entre elas, que “o jornalista está perdendo cada vez mais valor”.

Essa é uma verdade irrefutável da profissão, mas que saída da boca de um veterano repórter, ganha outra conotação. O exemplo dele é direto: “No meu tempo tinha muito menos jornalistas. Num treino do Real Madrid éramos dois, hoje esse número pode chegar a 80”. A conclusão, inevitável: “Aumentou a distância entre o jornalista e o protagonista da notícia”.

Não peguei o tempo de dois (a não ser no Diário do Grande ABC, quando, entre outros, fui setorista de São Bernardo e São Caetano), mas fui bem anterior aos 80. Afora o processo de pasteurização da cobertura (e isso se aplica a todas as editorias, não só ao esporte), houve um distanciamento natural entre entrevistador e entrevistado por conta do próprio avanço tecnológico.

Hoje, todo mundo publica, e não precisa da mediação de um veículo jornalístico para dar seu recado.

Desde quando jornalista pode torcer?

Hoje ouvi o jogo do Palmeiras (contra o LDU, pela Libertadores) na rádio Bandeirantes. Há anos não escutava José Silvério, a maior voz do rádio esportivo, Milton Neves (chato porém competente comandante de jornadas esportivas) e Mauro Beting, o responsável por minha introdução no jornalismo ao me convidar para trabalhar na Folha da Tarde em 1990.

Durante a transmissão, por várias vezes eles e outros membros da equipe fizeram referência ao time pelo qual torciam _o que não deve ser mais nenhuma novidade para quem ouve a rádio com frequência. Mas daí me lembrei que estava devendo um texto justamente sobre isso. Um jornalista pode torcer?

Antes de mais nada, e no caso específico de jornalismo esportivo, seriam bom que estudantes e profissionais fossem mais jornalistas e menos esportivos. Só isso já seria capaz de melhorar consideravelmente a qualidade do que é praticado hoje no Brasil _para dizer a verdade, abaixo da crítica.

É aquela coisa que repito tanto: se você gosta de esportes, não de jornalismo, é melhor não prosseguir. É por causa desse tipo de pessoa (as redações estão forradas delas) que a crônica esportiva vive uma crise técnica que parece interminável.

Dito isso, agora vamos à torcida em si. Um jornalista de política pode torcer? Neste caso, ter preferências políticas pessoais? E um editor de primeira página? O repórter da cidades que, no fundo da alma, faz oposição ao prefeito do município, é capaz de cumprir com eficiência o seu trabalho?

A resposta para essas perguntas é, evidentemente, sim, embora o jornalista devesse desenvolver uma espécie de proteção emocional que o impedisse de se envolver pessoalmente nos assuntos que cobre. O bom e velho distanciamento (emocional, repita-se) sempre foi uma das chaves para o bom desenvolvimento das tarefas jornalísticas.

Eu gostaria que não fosse assim, mas o clima nas editorias de esportes é o mesmo de uma cooperativa de motoboys ou coisa que o valha: gozações, piadas, muita torcida (mais contra do que a favor, claro). O pior, no caso do jornalismo, é que esse passionalismo transborda para o trabalho.

É o caso de repórteres que só sugerem pautas favoráveis ao seu clube (ou destrutivas aos adversários) e editores que “carregam nas tintas” quando de um triunfo de suas cores (ou um insucesso dos times rivais).

Este assunto é delicado porque exige uma pesquisa bem ampla para se afirmar com convicção que torcer prejudica o fazer jornalístico. As coisas que disse são fruto de 20 anos de observação em redações.

E aqui fala um cara que não tem um, mas dois times (Corinthians e Grêmio).

Mais diálogos sobre a era da conversação

Participei na noite desta terça-feira da 13º Semana da Comunicação da UNG, a Universidade de Guarulhos.

Foi mais um diálogo sobre a conversação e outras modificações que a tecnologia impôs ao jornalismo. Como você pode ver pelos slides, não muito diferente do papo que mantive em outras faculdades (e mesmo dentro da Folha de S.Paulo) recentemente.

Hoje foi um pouco diferente porque havia a necessidade de dar ênfase ao jornalismo esportivo _que, afinal de contas, é o que desempenho no dia a dia. Daí eu sempre dou um jeito de cutucar quem gosta de esportes, mas não de jornalismo, e tentar afastá-lo o quanto antes da profissão. “Façam educação física, gestão em marketing esportivo, sei lá, tantas carreiras…”, digo.

Exibi ainda uns títulos ruins (eles estão por toda parte, é só procurar) e tive de tempo de discursar contra a obrigatoriedade do diploma para se trabalhar na profissão.

Muita gente não gostou do que ouviu.