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O primeiro passaralho a gente nunca esquece

Pela primeira vez em 190 anos, o jornal britânico The Guardian poderá passar pelo drama de um passaralho (para quem não é do jornalismo, a demissão em massa de coleguinhas).

Sobrevivendo na corda-bamba, a empresa (que tem no papel 70% de seu faturamento anual de 200 milhões de libras) está se preparando definitivamente para a vida sem jornal. Antes disso, porém, alguns ajustes amargos deverão ocorrer. Entre eles, a demissão de pessoal, já que voluntariamente apenas 34 pessoas se desligaram de seu quadro.

O objetivo inicial é cortar 7 milhões de libras do orçamento (algo em torno de R$ 23 milhões).

E você sabe o que cortes, num empresa jornalística, significam, né?

Isso mesmo: um produto pior, menos investimento em reportagem, pouco material exclusivo etc.

É triste a realidade da nossa profissão.

O que fazemos com os cadáveres de jornais?

Nada mais desatualizado do que o jornal de hoje, que foi feito ontem.

Outra frase que gosto é ‘não me dê jornal do dia depois das 12h porque eu não gosto de piada velha”.

Daí descubro que há quem encontre outra destinação para esses cadáveres de papel que dia após dia insistem em vagar pela Terra: eles viram móveis e até lâmpadas.

O jornal impresso estaria salvo?

Um contrapeso chamado jornal impresso

Por que diabos um investidor nato – portanto, muito apegado a dinheiro – como Warren Buffet teria comprado uma dúzia de pequenos jornais impressos nos Estados Unidos?

Quem vendeu, a Media General, afundada em dívidas, disse que o simples fato de possuir veículos impressos dificultava a renegociação de seu fantástico rombo (os bancos simplesmente não confiam mais em empresas de mídia impressa). Além do mais, 87% das parcas receitas da empresa vinham de suas operações em TV.

Mas então, Buffet, por que?

Clay Shirky diz que é por puro diletantismo, mas não acredito.

Sou mais a leitura de Doug Fisher: é uma jogada (arriscada) que teve como compensação 20% das operações de TV – essas sim lucrativas – da Media General.

Faz sentido.

Qual é a do jornalismo infantil?

Até que ponto é eficiente a sistemática de alguns jornais impressos de manter cadernos infantis?

Algumas respostas são imediatas: se a ideia é (como já foi, em outros tempos) tentar cultivar um futuro leitor, neste caso nativo digital, o propósito tem tudo para ser um rotundo fracasso. Ler jornal não necessariamente amestra as pessoas para ler jornal – consumir um produto útil sim.

Por outro lado, do ponto de vista comercial, a criança é hoje um consumidor em potencial, com forte poder de decisão sobre as compras de seus pais.

Logo, faz todo sentido falar comercialmente com essa galerinha – e garantir a sobrevivência do produto jornal impresso em sua versão mais compreensível, para o público adulto.

Internet, o meio que mais cresce

A internet é o meio que mais viu crescer o faturamento publicitário no primeiro semestre deste ano, alcançando 5,5% de todas as receitas da mídia na rubrica.

Mídia exterior e TV por assinatura aparecem logo depois.

JFK morreu


Walter Cronkite e uma transmissão caótica, o dia do assassinato de Kennedy no Texas.

Um clássico.

Números do velho papo sobre o declínio do impresso

Há quantos anos estamos falando em declínio de produtos jornalísticos impressos, em detrimento do on-line?

Bem, mostrar dados sem fazer previsões ainda vale. É a qualidade do megagráfico abaixo, que aponta o quanto o papel perdeu em mercado (nos EUA, bem entendido).

Válido.


O massacre dos redatores do LA Times

Deirdre Edgar, O ombudsman do Los Angeles Times, teve de comentar (e o fez com bastante humor) o errinho chato da página A22 da edição impressa da última quinta-feira.

Foram rodados 55 mil exemplares até que alguém se desse conta de que não havia títulos nas notas de uma coluna de noticiário nacional.

Quer dizer, títulos havia, mas eram marcações gráficas do tipo “O título vem aqui”, o bom e velho modelo ou figurino: um texto fake salvo para fazer a demarcação do espaço que ocupa.

“Os leitores temeram que todos os redatores tivessem sido demitidos ou até mesmo ‘massacrados’, como disse um”, registrou Edgar.

Acontece.

Quem frequenta bancas de jornal?

Você frequenta bancas de jornais e revistas? Por quê?

A transição do modelo de negócios desse tipo de comércio vale um post inteiro.

Mas antes vamos debater o assunto…

O jornal pós-noticioso

Alguém viu o novo Diário de S.Paulo?

O conceito vendido, o pós-noticioso, é difícil de entender.

Vendo a primeira capa (acima), nota-se claramente a decisão de abandonar o aconteceu ontem e investir em histórias próprias, ainda que lúdicas (para ser benevolente).

É uma tentativa que merece atenção.

Falamos mais no decorrer do período.