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A fotografia como calhau

Não deixa de ser uma coincidência macabra: apenas três dias depois de uma aula na Faap em que discorria sobre o uso de foto pelo jornalismo e a importância de se valorizar a área de imagem com informação, não como ilustração, o Jornal da Tarde (SP) publica uma capa de seu produto principal, o caderno de esportes, com uma imagem de arquivo do corintiano Danilo comemorando um gol – não o gol decisivo marcado contra o Santos, pela Copa Libertadores (patrocínio desatualizado e estádio vazio desmascaram a farsa).

É exatamente sobre isso que falávamos com a turma de pós-graduação em Jornalismo Esportivo: foto é notícia, não uma figurinha que preenche um espaço.

E o resto é calhau.

Nos EUA, 11 jornais impressos se transformam em apenas dois

Segue rolando uma movimentação quase silenciosa de fechamento de jornais impressos nos Estados Unidos.

Agora, a MediaNews Group anunciou um pacote em que 11 publicações se transformaram em apenas duas.

Entre as falecidas, o vetusto Oakland Tribune, publicado desde 1874, e desde a década de 50 o único jornal em papel da cidade.

Atenção para os números: em 2009, o jornal tirava comprovados 93 mil exemplares (o número é bastante bom e supera em muito, por exemplo, publicações nacionais que ainda resistem, como o páulistano Jornal da Tarde).

Uma pena.

“A sociedade deveria dar incentivos e benesses para o jornalismo”

A turma do Jornalistas & Companhia, que acompanha sempre de perto o noticiário que envolve o bastidor da mídia brasileira, fez uma ótima entrevista com Ricardo Gandour, o homem que comanda o conteúdo dos veículos do Grupo Estado _entre eles o mais nobre, o jornal O Estado de S.Paulo, um dos maiores do país.

No papo, Gandour falou sobre praticamente tudo.

Mostrou, como tem sido praxe entre os executivos dos maiores jornais brasileiros, otimismo com o atual momento econômico de sua empresa (“A situação financeira é boa. Esperava-se que fosse tragicamente menor”).

Comentou sobre o Jornal da Tarde, o patinho feio da empresa (mas com uma imensa ficha de bons serviços prestados ao jornalismo) e passeou um pouco pelo o avanço tecnológico e sua influência nas redações, prometendo uma pauta que já nasça multimídia _ou seja, pensar conteúdo para diversas plataformas, que é a verdadeira definição de convergência.

Mas o que achei mais interessante: Gandour cobrou, da sociedade, mais envolvimento na hercúlea tarefa de repensar o papel do jornalismo impresso e, assim, garantir sua sobrevivência. Para ele, a sociedade “deveria dar incentivos e benesses porque a atividade jornalística é de interesse público”.

Faz sentido, mas será que ela está disposta?

JT demite repórter que ‘esquentou’ entrevista

O jornalismo, como todas as profissões, tem liturgia e códigos próprios. Muitos deles difíceis de explicar, como o senso geral que faz o meu jornal e o seu (mesmo confeccionados a léguas de distância e sem contato entre si) serem tão parecidos no dia-a-dia.

O Jornal da Tarde demitiu ontem um repórter que omitiu, ao vender a pauta para sua chefia, o estado da apuração do material. Trata-se de uma entrevista com a ex-vedete Tônia Carrero. A conversação é anódina, por sinal.

O motivo da demissão foi publicado pelo jornal na edição desta sexta-feira. Registre-se, não se trata de expediente inédito _outros jornais já desligaram profissionais publicamente.