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Um formato inusitado para jornais impressos

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Ideias novas são sempre bem-vindas.

Vem da Holanda, capitaneada pela Telegraaf (um dos gigantes do ramo de jornais e revistas no país), uma sugestão para facilitar a leitura dos diários em ambientes densamente povoados, como o transporte público.

O jornal vertical, de fato, parece ser o formato que melhor resolveu o problema de virar as páginas de uma publicação (o vídeo acima é autoexplicativo).

Tudo bem que as demonstrações deste tipo de produto são sempre caricatas e mais próximas de uma comédia pastelão.

E tudo bem também que o jornal impresso, ainda mais na Europa, está cada vez mais distante das mãos das pessoas em trânsito.

Até porque o celular resolve essa parada com muito mais rapidez e otimização de espaço.

Mas boas ideias são sempre boas ideias.

A dica é da Adriana Salles Gomes e de seu ótimo Update ou Die.

‘Inventing LA’ mostra o poder que o jornal impresso já teve

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Inventing LA é um documentário do premiado diretor Peter Jones que conta a fantástica história da família Chandler, que há quatro gerações dá as cartas no Los Angeles Times, um dos jornais mais importantes dos Estados Unidos mesmo hoje, quando centenas de demissões tolheram postos de trabalho em sua redação.

É extraordinário como são parecidas as trajetórias de herdeiros do ramo do jornalismo. Neste caso, eles são vistos como espécies de heróis que, à frente do periódico, foram atores principais da transformação da pequena cidade em metrópole global.

Quem conhece como se faz linguiça, entretanto, é incapaz de não perceber a metodologia daqueles que estiveram à frente da publicação com um impressionante poder e influência sobre a sociedade.

Tempos que não voltam mais.

E se a gente mudasse o cardápio noticioso dos jornais?

“Temos de partir de uma situação em que tentamos fazer o melhor trabalho cobrindo as mesmas notícias que todo mundo para outra em que trazemos a nossas audiências notícias que não havia ninguém cobrindo”.

A frase é do presidente da rede de TV norte-americana ABC, David Westin, e faz muito sentido. Por que ainda não se discutiu, no jornalismo, uma mudança de cardápio noticioso.

No máximo, temos batido na tecla, no caso dos produtos impressos, da necessidade de se relativizar o “aconteceu ontem”, divulgado fartamente pela web, para investir em conteúdo analítico e opinativo.

E a coragem para se fazer isso?

Westin avança na conversa com um ótimo ingrediente: e se procurássemos outra categoria de notícias, fazendo uma mudança profunda na agenda das editorias e, ao mesmo tempo, valorizando o exclusivo?

Não estou falando aqui de matar o hard news, por favor. Ele nunca morrerá. Mas pode perfeitamente ocupar bem menos espaço num jornal do futuro.

Equilibrar o que obrigatoriamente deve ser noticiado e incluir players novos me parece um excelente novo caminho para o produto impresso.

As retrógradas ‘edições eletrônicas’ dos jornais

O jornalista André Deak fez, há algum tempo, uma crítica bastante pontual ao sistema Flip Page, adotado recentemente pela Folha de S.Paulo para exibir sua edição na web _e há muitos anos por diversos outros jornais.

A questão sobre o flip é justamente o fato de ser uma reprodução pura simples de um produto impresso, neste caso apenas transposto para a web. Os defensores desse sistema dizem que é isso, exatamente, o que buscam esses usuários.

Deak torce o nariz. “Ainda assim é possível criar outro lay-out, específico para a internet, mais interativo e com mais usabilidade do que a simples reprodução das páginas impressas”.

Verdade. E o pior é que o Flip até tem alguns recursos, mas que muitas vezes o leitor não percebe, como a inclusão de links (a própria Folha tem links associados dentro daquelas páginas, como em remissões de textos do impresso que levam ao site do jornal). Você já percebeu?

O texto critica a Folha pelo atraso em adotar a tecnologia, disponível desde 2002, mas também por essa insistência de emular e perpetuar linguagens anteriores, quando o que temos pela frente sugere muito mais dinamismo e criatividade.

Concordo com absolutamente tudo.

Feitos e vendidos por sem-teto, eis os jornais que dão certo nos EUA

Nos Estados Unidos, jornais produzidos e vendidos por sem-teto a US$ 1 viram suas tiragens crescer desde a eclosão da mais recente crise econômica mundial. O movimento vai na contramão do que experimenta a imprensa, digamos, formal.

A explicação, ao mesmo tempo trágica, é inspiradora: melhorou o nível cultural de colaboradores e vendedores do produto nas ruas (muitas vezes, a mesma pessoa). Claro, é cada vez maior a incidência de desempregados (e sem lar) com melhor formação educacional.

Esses novos excluídos, vítimas dos despejos que compõem o cenário da depressão mundial, vivem em albergues públicos (ou sob tendas em terrenos baldios) e tentam recolocação. Vários descobriram em veículos como Street Roots, de Portland, Real Change, de Seattle, e Street Sense, de Washington, uma possibilidade real de tentar voltar ao patamar de vida anterior.

Todos estes jornais funcionam como instituições sem fins lucrativos, por sinal uma das saídas consideradas viáveis para os jornalões nestes tempos bicudos. Como tal, essas entidades estão habilitadas a receber verbas públicas e doações _embora venha da venda nas ruas a maior parte de sua subsistência.

O New York Times conta que vários desses produtos marginais estão vendendo mais exemplares depois da crise. Sua pauta, bastante parecida, relata dificuldades do dia a dia em regiões metropolitanas de notável concentração de desempregados.

Eles investem no treinamento de vendedores que compram o jornal a 25 centavos de dólar e os repassam aos leitores por um preço quatro vezes maior.

São os únicos produtos jornalísticos impressos que aumentaram sua circulação até aqui, em 2009, nos EUA.

O Google News e os jornais

Essa era boa, mas eu deixei passar: na terça, Eric Schmidt, executivo do Google, falou num evento da Newspaper Association of America _a mesma cujo presidente, despreparado, foi ridicularizado num humorístico da tv americana.

Claro que Schmidt teve de falar sobre serviços como o Google News, que agrega material noticioso e, portanto, aponta com frequência para sites de jornais. Alguns veem isso como roubo de conteúdo (vários solicitaram até judicialmente a exclusão das menções). Um disparate.

Esses jornais se esquecem que o Google tem muito mais audiência do que todos eles somados. E que a máquina de busca é a grande porta de entrada, hoje, de qualquer conteúdo na web. Se você não aparece numa busca, seja em que ferramenta for, está morto.

Talvez seja isso.

O design de notícias e a salvação dos impressos

Um bom design pode ajudar a salvar jornais e revistas impressos? O designer polonês Jacek Utko crê nisso. Redesenhando jornais no leste europeu, ganhou vários prêmios e, melhor, viu subir em até 100% a circulação de veículos repaginados por ele.

Neste trecho de palestra, ele conta como uma apresentação do Cirque du Soleil lhe deu inspiração e elementos que depois seriam reproduzidos em páginas em branco.

A gente muitas vezes relega o design de notícias para o segundo plano, mas sem dúvida o envolvimento desta área é fundamental para a recuperação (ou melhoria) de qualquer impresso.

Os jornais em papel respiram nos EUA

Em tempos bicudos, soam como música as palavras do editor administrativo do Wall Street Journal, Robert Thomson. “Depois de tanto tempo de escuridão, surgem os primeiros raios solares no horizonte”.

Ele está se referindo à publicidade nos jornais em papel, que há uma década está em franco declínio nos Estados Unidos e, agora, parece renascer das cinzas. Para Thomson, fruto (como sempre) da credibilidade, o maior patrimônio que o jornalismo imprenso conseguiu construir século após século.

“Em tempos de turbulência, as pessoas querem um porto seguro”, disse ele.

Lembre-se que, no Brasil, a situação é bem diferente: desde 2007 as receitas publicitárias dos maiores jornais brasileiros não param de subir. É só você ver as edições de hoje de Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo (e as de amanhã, seguramente) para constatar que, ao menos nesse aspecto, a crise ainda não chegou.

Projeto em Jornalismo Impresso I – Aula quatro

O papo da quarta aula de PJI I começa pelo conceito da economia do grátis de Chris Anderson e avança rumo aos gratuitos no jornalismo diário, feitos para “o cidadão que anda a pé”.

Pegamos carona no sucesso dos jornais de graça (e relativizamos esse triunfo, mostrando onde se deu e onde não se deu esse toque de midas) para contextualizar o momento da notícia na sociedade da informação: sim, ela virou uma commodity, infelizmente.

Na atividade do segundo tempo, vamos comparar dois dos gratuitos mais distribuídos no mundo, Destak e Metro (em suas versões paulistanas) e perceber graficamente que peças poderão ser úteis para o projeto que pretendemos fazer, além de criticar soluções equivocadas e ausência (ou presença) de jornalismo.

Lembrem que a leitura de “O Destino do Jornal” (páginas 59 a 89) é importante para compreendermos a percepção que os usuários têm das mídias (trata-se de ótima pesquisa qualitativa).

Leia mais sobre as teorias de Chris Anderson e também a respeito do declínio do jornalão e ascensão do gratuito.

Os slides da aula já estão on-line. Até esta sexta!

A vigília da morte dos jornais

Agora é a Advertisig Age que, na primeira reportagem de uma série especial, analisa a gradual perda de dinheiro, leitores e importância dos jornais impressos.

A análise se restringe aos Estados Unidos, seus 1.437 diários (desde 1940, 441 fecharam) e um cenário com gigantescas quedas de faturamento publicitário.

No Brasil, a realidade é outra: em boa parte por causa do aquecimento de lançamentos imobiliários, a receita dos jornais subiu (é por isso que aos sábados e domingos você recebe cadernos extras, como “Cotidiano 1” e “Cotidiano 2” ou “Internacional 1” e “Internacional 2”, forrados de anúncios: simplesmente não há páginas suficientes para abrigá-los).

A estrada rumo à irrelevância, porém, parece sem volta, tanto cá como lá.

“Quando um leitor offline morre, ele não é mais substituído”, diz Jeffrey Cole, do Center for the Digital Future da Universidade da Carolina do Sul, citado pela Ad Age.

Cole é mais um a se aventurar no perigoso terreno das previsões, como já fizeram o acadêmico Philip Meyer e até o Fórum Econômico Mundial. “Quanto tempo os jornais ainda resistirão? Uns 20 ou 25 anos”, decreta.

A matéria relata iniciativas interessantes de periódicos que tentam prolongar sua sobrevida. Como o pool de oito jornais de Ohio que, para reduzir custos, intercambiam reportagens. Ou a medida desesperada do Lakewood Observer, que restringiu sua publicação em papel para edições quinzenais, mas é atualizado diariamente on-line.

A opinião mais severa é de Lauren Rich Fine, ex-analista de mídia da Merryl Linch. “Eu não acredito mais nessa indústria como algo lucrativo”.

A ver.