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Conversações sobre o jornal impresso

A discussão agora começa a se encaminhar: que utilidade nós (profissionais da área e leitores) daremos ao jornal impresso em papel nos próximos anos?

Apesar de o cenário não estar claro, me parece evidente que o produto não acabará. O jornal, da maneira que é feito hoje, ainda tem “garrafa vazia para vender”. Não fosse assim, os portais de Internet não abririam suas atualizações diárias replicando reportagens de seus ancestrais. Só isso já é uma demonstração da utilidade de editores experientes e reportagem ostensiva.

James Surowiecki diz, em artigo na New Yorker, que um veículo como o The New York Times não é menos lido do que antigamente. Muito pelo contrário: graças à Internet, o consumo de suas notícias nunca foi tão alto. A questão é que, via Web, ele não custa nada. Ao mesmo tempo, derrubar a barreira do conteúdo pago explica porque o acesso a seu conteúdo aumentou. É uma equação nítida.

Eu mesmo cheguei a imaginar um cenário em que os jornais em papel também passariam a ser gratuitos, cobrando por serviços como, por exemplo, a entrega do exemplar em casa. Porém já houve jornais que cancelaram esse plus alegando redução de custos.

Felix Salmon avança um pouco mais na discussão e aponta que a notícia sempre foi gratuita. Na verdade, durante décadas os leitores pagaram para receber anúncios, não informação. Sim, são os anúncios (não as assinaturas ou venda em bancas) que mantêm o negócio jornal vivo.

E, pelo menos no Brasil (cheque o seu jornal de hoje, forrado de cadernos extras para abrigar ainda mais peças publicitárias), o negócio segue em expansão.

Nessas conversas sobre futuro do jornal impresso, lembre-se sempre de separar o mundo em pedaços. O colapso de empresas jornalísticas nos EUA, por exemplo, não encontra equivalência na Europa ou na América do Sul _e mesmo na África, onde o mercado dos gratuitos (que comprovadamente impulsionaram os pagos) ainda é ínfimo e tem muito a crescer.

Após férias, gratuito mais antigo da Europa ‘desaparece’

Considerado o jornal gratuito mais antigo da Europa (alguns dizem do mundo, mas não conhecem o Metrô News, distribuído em São Paulo desde 1974), o Mini Diário não voltou das férias de verão (sim, absurdo, mas até jornais tiram férias na Europa).

Daí surgiu a informação de que o periódico, que tinha edições diárias em duas cidades (Valencia e Alicante) simplesmente fechou as portas. A última vez que ele deu as caras foi em 11 de julho, quando “saiu para veranear”.

Nem seu site oficial dá uma pista concreta sobre o destino da publicação, criada em 1992 e vendida em 2006 a uma dupla de empresários que abraçou dívidas (no geral, o negócio gratuito ainda anda no vermelho, mas caminhando a passos largos para o azul) mas que manteve uma circulação declarada de 73 mil exemplares diários.

Se confirmado, é o primeiro viés importante do jornalismo gratuito em papel, responsável pelo crescimento das tiragens no mundo todo, nos últimos anos.

Mais um round da briga pagos versus gratuitos

Mais pistas sobre a corrida jornal pago versus jornal gratuito, agora na França. Estudo da Audipresse divulgado hoje mostra que o índice de leitura dos jornalões franceses subiu 7,4%. Suas vendas, porém, caíram 1,8%.

Enquanto isso, a leitura dos gratuitos ganhou 12,5% mais simpatizantes _lembrando que é um jornal de graça, o multinacional 20 minutes, o mais lido do país.

Vamos as tiragens: os pagos, somados, imprimem 8,7 milhões de exemplates por dia. Os gratuitos, 4,2 milhões.

Para se acompanhar.

Gratuitos dão banho em Portugal

Dados mais recentes da circulação de jornais em Portugal mostram com clareza a força dos jornais gratuitos no país _o que já se verifica como tendência em outras nações européias, casos de Espanha e França.

Global (204 mil exemplares/dia), Metro (177 mil) e Destak (171 mil), todos entregues de graça nas ruas, ocupam as três primeiras posições da lista. Só depois vêm os vetustos (e pagos) Correio da Manhã (115 mil) e Jornal de Notícias (106 mil).

Em sexto lugar, ainda aparece o Meia Hora (73 mil), também gratuito.

Que o modelo é um sucesso de audiência, não há dúvida. A equação a ser resolvida agora envolve o faturamento (nos gratuitos, 100% dele vem da publicidade). Todos os veículos gratuitos ainda estão no vermelho, mas acreditam que reverterão a tendência a partir de 2009.

Projeto em Jornalismo Impresso I – Aula quatro

O papo da quarta aula de PJI I começa pelo conceito da economia do grátis de Chris Anderson e avança rumo aos gratuitos no jornalismo diário, feitos para “o cidadão que anda a pé”.

Pegamos carona no sucesso dos jornais de graça (e relativizamos esse triunfo, mostrando onde se deu e onde não se deu esse toque de midas) para contextualizar o momento da notícia na sociedade da informação: sim, ela virou uma commodity, infelizmente.

Na atividade do segundo tempo, vamos comparar dois dos gratuitos mais distribuídos no mundo, Destak e Metro (em suas versões paulistanas) e perceber graficamente que peças poderão ser úteis para o projeto que pretendemos fazer, além de criticar soluções equivocadas e ausência (ou presença) de jornalismo.

Lembrem que a leitura de “O Destino do Jornal” (páginas 59 a 89) é importante para compreendermos a percepção que os usuários têm das mídias (trata-se de ótima pesquisa qualitativa).

Leia mais sobre as teorias de Chris Anderson e também a respeito do declínio do jornalão e ascensão do gratuito.

Os slides da aula já estão on-line. Até esta sexta!

Jornais de férias?

Essa eu perdi na origem, mas não posso deixar o desfecho passar: nada menos do que cinco jornais gratuitos franceses simplesmente entraram em férias no dia 11 de julho e voltam a circular só agora, nesta segunda, 25 de agosto.

Inacreditáveis 46 dias sem dar as caras.

Os jornais que descansaram são Direct Soir, Direct Matin, Plus, Metro e 20minutes.

É conhecido o movimento de fuga das grandes cidades neste período _Paris costuma ficar bem menos atribulada_, mas daí a simplesmente não produzir um jornal… parece coisa de preguiçoso, francamente.