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Propostas para entender a crise da blogosfera

O apocalipse dos blogs está chegando? Justo eles, responsáveis pela era da publicação pessoal?

Esta pergunta está rondando com bastante frequência quem estuda o assunto. E a adesão em massa aos sites de redes sociais é apenas uma das explicações possíveis para o declínio da criação de páginas pessoais apelidadas de “weblog” por Jorn Barger em 1997.

Num raciocínio expresso, cito a seguir quatro pontos que ajudam a entender esta crise.

1) É chocante, ao frequentar eventos publicitários, ouvir o povo da área dizer que tem “verba para pagar pessoas influentes na web”. A praga do post (ou recomendações) pagos significa que paulatinamente os blogueiros estão deixando de ter compromisso com seu público e assumindo compromissos com quem lhes põe dinheiro na conta;

2) O uso cada vez mais crescente de dispositivos móveis colocou um problema aos publicadores de blogs, difíceis de manejar, por exemplo, em smartphones. Não houve, até o momento, uma solução de adaptação aceitável;

3) O diálogo blogueiro-leitor está rareando, e os blogs se tornaram instrumentos unidirecionais nos quais muitas vezes o que vale é falar a linguagem do Google (para ser encontrado e ter mais audiência);

4) A blogosfera se tornou cada vez mais um palco para a fama, na medida proporcional à diminuição do debate das ideias;

Alguém lembra de mais alguma coisa?

Navegando pelos primórdios dos blogs

Scripting News, um dos blogs mais antigos de que se tem noticia, e sua aparência em 1997

Scripting News, um dos blogs mais antigos de que se tem notícia, e sua aparência em 1997

Hoje resolvi fazer a lição de casa e, finalmente, visitei (graças à máquina do tempo da Web) dois dos blogs mais antigos do mundo.

Consta nos autos que Dave Winer e Jorn Barger começaram a blogar em 1997, com diferença de meses. Há relatos de blogueiros ainda mais antigos (como Justin Hall, que foi visto na rede fazendo algo parecido ao ato de colecionar links legais a partir de 1994).

Outra coincidência entre eles é que todos eram, em todas as acepções da palavra, geeks (que no meu tempo eram chamados de nerds, tanto faz). Trabalhavam com programação de computadores e desenvolvimento de softwares. Barger teria sido, ainda, o criador do termo weblog, cuja corruptela se transformaria numa coqueluche a ponto de ser totalmente deturpada _ainda que haja quem, com propriedade, desconstrua as pistas básicas sobre como identificar a plataforma.

Ainda que nossa viagem no tempo favoreça Barger _a impressão mais longínqua de sua página é de 1999, dois anos à frente da de Winer_, nota-se claramente que ambos faziam a mesma coisa: vasculhavam a Internet e publicavam os links que consideravam mais interessantes.

A veia noticiosa do Robot Wisdom (tocado por Barger) se explica: 1999 marcou o auge dos newsjunkies e do consumo por esse tipo de produto. Não por acaso 2000 foi o ano mais auspicioso a história da rede, com a criação em série de portais e produtos, vários deles com ênfase no noticiário do dia-a-dia. Essa fase terminou em tragédia.

Já o Scripting News original, de Winer, era naturalmente focado em tecnologia (característica que resiste até hoje num número expressivo de páginas pessoais).

Entretanto, os dois mostram conhecimento sobre usabilidade e design. Descontados os anos, já eram modernos o minimalismo (expresso no fundo branco, uma contraposição ao carnaval de cores e gifs que dominava a Internet daquela época) e a disposição dos hiperlinks _note quantos, o que envergonharia os blogueiros de meia pataca de hoje que fazem, na verdade, colunas impressas em versão eletrônica.

É engraçado se referir a todas estas coisas tão recentes como “antigas”, mas o timing on-line é assim, inclemente.

Minha inspiração veio da leitura de Blogs.com, uma compilação indispensável para entender do que é que aqueles caras estavam falando há 15 anos.