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Quando o furo é de um jornal pequeno não vale?

Tem uma situação bacana rolando nos Estados Unidos. O National Inquirer, um tabloide considerado (pela elite) de quinta categoria, deu o furo de 2009 mas foi excluído da seleção do prêmio Pulitzer (o mais importante do jornalismo) por uma questão técnica: a matéria foi publicada dois anos antes.

Publicação nunca levada a sério (pudera, tem um cabedal de capivaras por apuração malfeita), o Inquirer revelou, em 2007, que o babe face John Edwards, vice de John Kerry nas eleições presidenciais de 2004 e pré-candidato democrata quatro anos depois, teve um filho fora do casamento.

Só agora a história veio à tona _Edwards teve de fazer uma retratação pública depois que o assessor que escalou para se passar pelo pai da criança (inclusive vivendo sob o mesmo teto com a “família”) escreveu um livro revelando a farsa.

O “jornaleco” tinha razão, e deu A matéria de 2009. Seu pecado foi ter feito isso dois anos antes _condição que deveria garantir imediatamente o prêmio.

Agora há um debate se o tabloide merecia o Pulitzer, e os que repudiam a ideia lembram muito a controvérsia do Prêmio Esso de 2004, concedido a Renan Antunes de Oliveira e seu perfil de Felipe Klein, filho de ministro alcoólatra, que embarcou na onda da body modification e terminou estatelado numa lixeira de prédio ao cair do nono andar.

A reportagem foi publicada no jornal Já, de Porto Alegre. E a comenda (o nosso Pulitzer) desencadeou uma reação desproporcional do mainstream, que tentou desconstruir a reportagem.

Entendo perfeitamente o jogo (e labuta) por trás de reputação e credibilidade de um veículo jornalístico. Mas a plataforma não pode ser, jamais, o critério para se julgar uma boa matéria.

Penúria dos jornais é tema de audiência no Senado dos EUA

A crise da imprensa americana foi tema ontem de uma audiência no Senado comandada por John Kerry (o senador que esteve a 60 mil votos de ser presidente dos EUA).

A conversa teve muita gente boa, que deu depoimentos iniciais importantes e que fazem refletir (leia em detalhes, são muito boas).

Gente como Arianna Huffington, que comanda o site que leva seu nome e é um dos maiores exemplos de jornalismo eletrônico bem-sucedido fora do mainstream, James Moroney (editor-chefe do The Dallas Morning) e Steve Coll (ex-diretor-administrativo do The Washington Post).

A turma do Columbia Journalism Review blogou a audiência ao vivo. No microblog, a hashtag #futurej também traz apontamentos sobre as discussões.

Foi uma conversação nostálgica, que teve Bernstein e Woodward (do caso Watergate), comentários sobre o hábito de folhear o jornal no café da manhã (houve senadores dizendo temer a mudança forçada de hábito) e piadinhas sobre entrevistas célebres de Ronald Reagan.

A conclusão é que a situação dos jornais tem de ser discutida no âmbito dos jornais. Senão, o ruído é grande demais.