Arquivo da tag: Janio de Freitas

Jornalismo declaratório – e errado

Mestre Janio de Freitas, que há tempos tem dedicado algumas de suas linhas a um criticismo ímpar com relação ao trabalho da imprensa, notou que agora nem mesmo o jornalismo declaratório merece credibilidade.

A última foi uma “forçada de mão” em declarações do ex-presidente Lula, prontamente desmentidas.

O jornalismo declaratório é uma praga, mas eram bons os tempos em que ele era apenas ruim, não equivocado.

Jornal do Brasil, um veículo colaboracionista?

Colunista da Folha de S.Paulo, Janio de Freitas trouxe há alguns dias um tema (para mim) inédito: o Jornal do Brasil, que ele ajudou a revolucionar anos antes, teria se beneficiado – e muito – do período conhecido como ditadura militar, entre 1964 e 1985.

“Durante os 21 anos sem nem sequer os seus mínimos componentes da democracia, a imprensa brasileira (vamos englobar assim jornais, TV, revistas e rádio) teve lucros e outros enriquecimentos maiores, muito maiores, do que em qualquer fase anterior na sua história”, começa o jornalista.

Mais: “Mais importante jornal em todos aqueles anos, o “Jornal do Brasil”, como principal órgão criador de opinião pró iniciativas do regime (“milagre brasileiro”, “Brasil grande”, a designação de “terroristas” para os oposicionistas, nem todos armados, e muito mais) proporcionou o exemplo definitivo da ligação ideológica-econômica dos meios de comunicação com a antidemocracia.”

Estranho em se tratando do veículo que tratou o AI-5 com chacota jamais vista e que, anos depois, ameaçaria a censura com a primeira página sem manchete dando conta da queda de Allende no Chile.

Para a academia se debruçar.

E se o papel abandonasse qualquer tentativa de convergência com o on-line?

O decano Janio de Freitas, em sua coluna nesta semana na Folha de S.Paulo, prossegue a discussão sobre os valores do jornalismo impresso em confrontação com os do on-line usando, para isso, o caso dos vazamentos do WikiLeaks.

Janio lembra que, para ter repercussão, o site de Julian Assange precisou recorrer ao jornalismo tradicional _basicamente o que escrevemos por aqui há algumas semanas.

Só que ele vai além, dando a entender que o papel deveria prescindir de qualquer tentativa de convergência com a plataforma mais rápida e de menor limitação física (caminho cuja trilha, inevitável, já começou).

“Você já reparou em uns pequeninos registros, colocados ao pé de textos, com os dizeres ‘Se quiser ler mais sobre este assunto, veja’ (segue-se o endereço do jornal na internet)? Quase nenhum espaço ocupado com isso. Mas diz muito. É o jornalismo impresso abrindo mão da sua função e transferindo-a à internet que tanto o atemoriza, e que nada lhe pediu. O leitor, que pagou pelo jornal, deve se virar como puder, para ter o complemento de informação pela qual entregou seu dinheirinho. A sonegação de tantas partes em variados assuntos, claro, não terá a correspondência de corte algum no preço do exemplar.”

Isso sim dá pano para uma longa discussão…