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Aguenta, blogueiro

O Tumblr Aguenta, blogueiro reúne propostas indecorosas de “parcerias” que envolvem, algumas vezes, até brindes (o famoso jabá), mas jamais pagamento por conteúdo. É o mal do século.

A resposta de São Paulo à capa de O Pasquim

Foi muita coincidência, e não dá pra deixar de falar: no dia em que eu, provocado, relembrava a histórica manchete de O Pasquim “Todo paulista é bicha”, o jornal popular Meia Hora chegava às bancas (a poucas, procurei e não achei) de São Paulo.

O tabloide popular é um sucesso no Rio e, agora, tenta repetir a fórmula na terra do spray (sim, até a garoa evoluiu).

E qual a capa do kit promocional (ou seja, os jabás enviados às redações e formadores de opinião) do jornal? A manchete “Todo paulista é virado“, na verdade uma marmita com o próprio prato, clássico da cidade.

Impossível não morrer de rir.

Esclarecimento necessário: não recebi a quentinha do Meia Hora, mas desejo ao produto muitos anos de vida nestas bandas.

(via @leogodoy)

Jabá vergonhoso na ‘emprensa’ embriagada pelo sucesso

Vários jogadores da Espanha, “flamante” (adoro esse termo para “recente” em espanhol) campeã mundial, exibiam vistosos relógios vermelhos no desfile do título, que parou Madrid este semana.

Daí o jornal Sport perpetra a nota cuja reprodução você vê acima, uma vergonha sob qualquer ponto de vista.

Os relógios eram da grife CP5, de Carles Puyol, o zagueiro ruim de bola (e nascido virado pra lua) titular do time do bigodudo técnico Vicente del Bosque.

Se há algo para ilustrar jabá na enciclopédia, é esse texto. Não faltou nem o link para o leitor ir correndinho comprar o tal relógio.

Nessas horas dá vontade de virar vendedor de águua de coco, viu?

(Meu amigo Augusto Zaupa foi quem viu primeiro a pérola).

Um ano em dez posts. Feliz 2010!

É, 2009 acabou. No que diz respeito ao Webmanario, foi um ano intenso: mais uma vez, quem acompanhou as discussões sobre jornalismo por aqui encontrou pelo menos um texto novo todos os dias, o que desde sempre foi um propósito deste trabalho _afinal de contas, se está na web, atualize ou morra.

E quais foram as discussões mais apreciadas e que contaram com maior participação de vocês em 2009? Fiz a seleção abaixo com base em dados estatísticos de acesso ao site. Espero que aproveite nossa retrospectiva e que, em 2010, dê as caras por aqui colaborando com novos debates sobre essa profissão que passa por tantas transformações.

Feliz 2010!

1. Um trambolho chamado ‘máquina da UPI’ – Aqui eu contei os primórdios da transmissão de fotos com uma geringonça demorada e barulhenta. Provocou inesperado buzz na rede

2. O fim do diploma e o começo de outro jornalismo – Como não poderia deixar de ser, o debate que se seguiu ao fim da obrigatoridade da formação específica para se exercer a profissão

3.Phelps, maconha e o plantão de domingo – O supernadador foi flagrado em impedimento justamente no meu plantão (e contei como foi a decisão de publicar a notícia)

4. Cenas trágicas da última edição de um jornal – O triste fim do Rocky Mountain News, centenário jornal americano que desapareceu em 2009

5. A ética jornalística e as filhas góticas de Zapatero – Esse post é uma surpresa e foi bombado porque o assunto virou pop na Espanha (graças ao visual, digamos, demodê das filhas do premiê)

6. Esso rouba nome de jornalista para promover campanha jabazeira – Ocorreu com Juca Kfouri, mas poderia ter sido com você

7. O Google Wave e as mudanças no jornalismo – Uma das revoluções do ano e sua experiência prática na revista Época

8. A capa certa na banca de jornal errada – Mais uma vez, post inflado artificialmente. Agora, por fãs de MacIntosh embriagados pelo constrangimento que uma capa de revista submeteu os PCs

9. Aeroportos querem banir revista Caras da sala de embarque – Essa foi boa, e foi um furo: publicação estava dando facas e garfos de brinde (e aviões tiveram de voltar ao pátio por causa dessas ‘armas’)

10. A maior contribuição ao jornalismo visual completa 8 anos – O trabalho multimídia da MSNBC sobre o 11 de Setembro que viraria padrão na internet

Esso ‘rouba’ nome de jornalista para promover campanha jabazeira

O banner da Esso no Blog de Juca Kfouri foi produzido e inserido sem autorização do jornalista

Que a publicidade é invasiva (e, na web, muito mais do que em qualquer outra mídia), a gente já sabia.

O que dizer quando anunciantes se apropriam de conteúdo jornalístico (ou do nome de um jornalista) para promover sua marca?

Aconteceu com Juca Kfouri nesta semana (como mostra a imagem acima).

Surpreendido pelo golpe baixo, Juca conseguiu que o UOL retirasse o banner da página e promete tomar medidas legais contra a Esso, que avançou todos os sinais possíveis.

A empresa criou, com o sugestivo nome de “Posto de Posts“, uma espécie de fábrica de textos para blogueiros-jabazeiros e sem criatividade ou palavras que, em troca da exibição da marca em suas páginas, recebem “inspirações” para novos posts.

O desastrado banner de divulgação da promoção dizia que, apesar não de serem ácidos, perspicazes e inteligentes como Juca Kfouri, as pessoas poderiam ter um blog “tão bom quanto o dele” simplesmente acessando a tal fábrica de posts.

Uma bobagem sem tamanho.

Uma ideia pífia merecia uma estratégia pífia de divulgação. E terminar nos tribunais por se apropriar do que não devia.

ATUALIZAÇÃO: A Esso pediu desculpas a Juca Kfouri pela trapalhada, e o jornalista desistiu da ação legal.

EUA endurecem regras para posts patrocinados

A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) tomou uma decisão importante no que diz respeito ao uso desenfreado do post pago na blogosfera, o popular jabá.

A partir de agora, qualquer pessoa que possua um blog precisa notificar claramente seu leitor se o texto que escreveu avaliando produtos e serviços foi motivado por dinheiro ou presentes de fabricantes e fornecedores.

A medida vale ainda para comentários em mídias sociais, talk-shows no rádio, tv e internet e anúncios em geral. Quem não aderir à transparência poderá ser multado, informa o The Wall Street Journal.

É claro que o FTC tenta ser mais realista do que o rei (como identificar o autor de um comentário, por exemplo?), mas o conceito da decisão é acertado.

Eu acho, inclusive, que ela deveria ser estendida ao jornalismo, que até hoje não informa com retidão ao seu público quando um jornalista publica uma matéria viajando a convite _ou aceita outro tipo de presente.

Dizer “o jornalista fulano de tal viajou a convite da ciclano company” não resolve o problema. A questão é que os textos publicados após viagens só foram parar numa página porque um jornalista ganhou uma viagem. Não houvesse farra, não haveria “pauta”.

Ainda creio num sistema que exponha claramente os objetivos por trás de uma reportagem publicada ou levada ao ar por veículos jornalísticos.

O jabá mostra a sua cara

Um assunto que provocou bafafá hoje na Web: a discussão sobre o jabaculê que um blog descoberto pela Ana Estela se propôs a fazer. Estarrecedora, na caixa de comentários do site, a defesa que alguns colegas fazem dessa instituição tão antiga quanto odiosa.

O propósito do blogueiro _que adotou o pseudônimo de antijabaculê_ é nobre. Afinal, o leitor tem todo o direito de saber que veículos (e jornalistas) aceitam viagens e presentes sob a condição de redigir reportagens. É um hábito arraigado, entre outras, nas editorias de turismo e veículos.

Ainda que, digamos, não haja a necessidade dessa contrapartida, é evidente que fere a ética jornalística e a neutralidade inerente e indispensável ao exercício da profissão.

Exemplo da vida real: desde o advento da Lei Piva, que determinou o repasse de 2% de toda a arrecadação das loterias brasileiras às confederações de esportes olímpicos, o caderno Esporte da Folha de S.Paulo não aceita mais convites. Claro: seu objeto de reportagens são justamentes as entidades que, agora, são financiadas com dinheiro público.

Assim como quem escreve sobre carros jamais poderia se prestar a ter as despesas pagas pelas montadoras, justamente o objeto de sua análise. Da mesma forma que um suplemento de turismo, para administrar a própria agenda e ter liberdade de criticar um destino, não pode viajar a reboque de agências, hotéis ou governos.

Isso posto, e voltando ao primeiro parágrafo: daí um cidadão se dispõe a tornar isso público e, imediatamente, vira alvo da ira. Da ira de jabazeiros, provavelmente. Eu mesmo já senti isso na pele quando conversamos sobre blogueiros que recebem para postar (e enganar seu público). Fui agredido e chamado de recalcado por gente que nem sequer merece ser chamada de gente.

A ira contra nosso personagem secreto se dá justamente por causa disso _o fato de ele blogar com um pseudônimo (o que não é a mesma coisa que anonimato). Ou seja: o cerne da questão, o absurdo de se considerar o jabá como algo corriqueiro e aceitável, ficou completamente de lado. E, pode reparar: todo jabazeiro bate no peito e garante que é independente. “Eu viajo a convite, mas falo mal”.

Não sei não, mas isso me cheira ao racista que, pilhado em flagrante delito, socorre-se do surrado e mentiroso “eu tenho vários amigos negros”.