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Interney fala de redes sociais na Campus Party

Edney Souza, o Interney, um dos curadores da Campus Party (na qual estive num evento paralelo e fora da programação oficial), palestrou no evento sobre marketing em redes sociais.

Uma iniciação para quem está começando a prestar atenção nessas coisas, apesar do enfoque em vendas _que não acho de todo ruim, basta entendermos nosso leitor como cliente.

Blogueiro Repórter: mais uma tentativa de colaboração

Dono do principal “condomínio de blogs” do Brasil, Edney Souza sentiu na pele a falta que pauta faz quando o tema é jornalismo colaborativo (falei sobre isso aqui e também aqui). Ele descobriu ainda que há macetes da profissão absolutamente misteriosos e quase inatingíveis para os neófitos.

Em fevereiro, Edney organizou o evento Blogagem Inédita, que convidava blogueiros (odeio o termo, ou melhor, sua banalização) a escrever sobre qualquer assunto _a única restrição era a própria blogosfera, para evitar egotrips.

Foi seu maior erro. Sem orientação ou roteirização do trabalho, os voluntários atiraram para todos os lados. Vários deles, produzindo cópias descaradas do que já havia sido veiculado na mídia tradicional. E a iniciativa perdeu seu foco.

“A falta de pauta na primeira edição foi essencial para separar as crianças dos adultos: quem percebeu que precisava sempre se pautar em um veículo tradicional para escrever algo descobriu que definir uma pauta não é tão simples assim”, disse Edney numa microconversação que mantivemos por e-mail.

O “primeira edição” citado por ele é referência ao Blogueiro Repórter, sua segunda tentativa de pedir ao povo que escreva. Agora, com viés claramente jornalístico.

Primeiro, ele fechou o leque de assuntos (ainda grande), mas enfim: artes/entretenimento, esportes/lazer, política/história, ciência/saúde, internet/tecnologia, jornalismo/relações públicas, publicidade/marketing, carreiras/economia e (ufa!) meio ambiente/cidadania.

Segunda medida: agora, para colaborar em seu “carnaval de posts“, precisa ter apuração e fonte, no sentido jornalístico das palavras. E é aí que a porca torce o rabo. Quando tenta ser jornalista, em geral o amador é uma catástrofe.

“Há um misto entre não querer e não conseguir. Ele [o blogueiro] não quer quando é alguém com os olhos fechados para o mundo ao seu redor, é excessivamente dependente da web, tv, rádio, jornal e não percebe um buraco novo na rua. Quando percebe, aí entra o não conseguir: ele não sabe como transformar o atraso da coleta de lixo do bairro em notícia, não sabe como apurar a causa de um acidente que presenciou. Nessa hora, a formação jornalística faz falta para aqueles que são menos observadores ou comunicativos”. Perfeito.

O resultado dessa iniciativa parte II, a revanche, será a criação de uma comunidade que Edney pretende ser um ambiente de convívio pro-am, entre jornalistas profissionais e blogueiros amadores, para se discutir técnicas da profissão. A pauta entre elas, claro.

É um ótimo ponto de partida para que, quem sabe um dia nós, a audiência, consigamos ser a mídia. Por ora, sem moderação e monitoramento, não vejo a menor possibilidade.

Da série clichês: “duelo de opostos”…

Inspirado por um antigo post do solerte Marmota, decidi iniciar uma série (sem periodicidade nem planejamento) sobre clichês clássicos do jornalismo.

E, como boi preto conhece boi preto (para quem não sabe, 13 de meus 19 anos em redações foram em editorias de esporte), vamos começar com o “duelo de opostos”.

A busca sugerida pelo Marmota revela outro gancho péssimo para abrir um texto: jogadores, técnicos e cartolas reclamando de uma arbitragem, composição que hoje aponta 130 mil incidências no Google _sim, usei o Google, podem me matar.

Mais modesto, nosso clichê em questão tem hoje mais de 3 mil reportagens no buscador. Muito menos, mas o suficiente para deixar claro que não dá para escrever isso. É enganação, né? Preguiça, no mínimo.

Para ser breve: jamais venda a seu editor uma matéria com esse enfoque.

Aproveitando: desde que o mundo é mundo reclamam de juiz.