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Caminhemos juntos

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É impressionante como o PR tradicional, a despeito de todas as ressalvas dia após dia, continua negligenciando a presença digital. Preocupamo-nos com todas as pontas da construção da imagem na comunicação corporativa, do discurso ao relacionamento, e entregamos a gestão on-line aos deus dará – como se nós mesmos não estivessémos embedados nesse mundo que há muito tempo deixou de ser um “outro lugar” – mas sim uma extensão de nossa vida real.

Enquanto isso acontece, observa-se o desfacelamento de um modelo off-line (e a perda de relevância da mídia formal está aí para demonstrar) que – por não querermos ou, principalmente, não sabermos enfrentar – serve apenas à uma parcela cada vez menor das necessidades comunicacionais.

Mas o caminho inverso também pode ser verdadeiro (e me incomoda sobremaneira): sob o manto protetor da suposta modernidade, muitas vezes revestimos as tarefas de PR digital em trabalho reservado a uma casta de iluminados que, talvez por dominar termos em inglês que nem ela própria sabe o que significam exatamente, constitue praticamente um exército de alienígenas dentro das agências. Qual a real diferença de um trabalho de relacionamento com players off-line e on-line, por exemplo? Pois é.

A conclusão, óbvia, é que são trabalhos indissociáveis e que precisam caminhar juntos. Há especificidades, evidente, mas no final das contas os caminhos (e as pedras) são bem parecidos.

Por mais que você insista em desvalorizar um ou outro, é inexorável: algo estará sempre faltando se essas estratégias não caminharem juntas e, de preferência, exercidas por times, não por fragmentos que se tenta colar a fórceps.

As marcas e o Pinterest

O Pinterest é uma de minhas redes sociais favoritas. Como as marcas podem abordar esse espaço tão interessante e especialmente avesso ao texto?

Algumas ideias para te inspirar.

Um homem no banheiro feminino

Duas anotações pessoais sobre o enfant terrible da hora dos sites de rede social, você me permite?

1) O Pinterest combate bravamente a ditadura do texto. Ali o contato com as pessoas que te seguem ou por você são seguidas é absolutamente dispensável. A comunicação se dá por meio de imagens.

Trocam-se escassas palavras, e na verdade o que você tem a dizer em texto pouco importa. Sua reputação é proporcional ao seu senso estético. Subjetivo.

Fazia falta uma rede onde falar com pessoas não é o foco.

2) Para um homem, acessar o Pinterest equivale a entrar no banheiro feminino. E é ótimo, passa a (falsa) impressão de que invadimos a cabeça das mulheres e entendemos seu mundo – ainda que enquanto elas olham cabelo, look e sapato, cobiçamos sex appeal, bunda e peito. Também gosto do Pint porque ele me dá a sensação de que sou o intruso espada do Saia-Justa, uma antiga aspiração.

O site pinta como um ponto de encontro estético bem simpático, sem chatices inerentes aos sites de mídia social que têm o texto – e nosso brilhante pensamento vivo – como principal funcionalidade.

O futuro da TV em debate

Faz tempo que estamos tentando encontrar uma nova linguagem para o vídeo na web, mas a TV também passa por esse drama.

Abaixo, Brian Solis conversa com Jim Louderback sobre a necessidade de se construir comunidades em torno do conteúdo (é uma máxima que vale para tudo, do texto à infografia).

A imagem em movimento vive um momento que Louderback chama de “terceira revisão”. A primeira foram as grandes redes de TV, a segunda, a TV fechada. Agora, chegamos à convergência e à necessidade de interagir com o até então mero espectador.

A ilustração e seu papel no jornalismo

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Relegada ao último plano, a ilustração tem, sim, seu lugar no jornalismo _provavelmente, até como gênero. Nunca teorizei isso, mas talvez valhesse a pena.

Transformar palavras em imagens é, claro, uma arte, mas uma arte comprometida com o noticiário e seu timing. Repare como os jornais, em geral em suas páginas de opinião, recorrem ao recurso.

É um luxo que só as publicações impressas podem fazer por você: traduzir artísticamente notícia e opinião (só pra não perder a piada e puxar a brasa para a minha sardinha, vou relembrar frase de Millôr que mostra o quão difícil é fazer o contrário: “Uma imagem vale mais do que mil palavras. Agora transforma essa frase em imagem”).

O ótimo La Buena Prensa entrevistou um ilustrador de jornais e revistas, Rafael Ricoy, para falar um pouco do metiê. E o cara é excelente ao dizer, logo de cara, que uma das principais características do ilustrador de veículos jornalísticos é a rapidez.

Aliás, eu acrescento que trabalhar sob pressão, e rápido, são dois dos itens mais relevantes num jornalista, seja qual função ocupe num diário.