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A ilustração a serviço do jornalismo ‘sério’

A ilustração pode – e deve – ser usada pelo jornalismo para contar histórias “sérias”. O exemplo acima (o relato de um drama) é um ótimo exemplo. É uma discussão antiga, mas sempre atual porque ainda relutamos em recorrer a novas narrativas.

A Gazeta Mercantil e a técnica do bico de pena

Com a Gazeta Mercantil, que fechou as portas em 29 de maio de 2009, foi-se também no Brasil a tradição jornalística do uso do bico de pena, que teve em Conceição Cahú um de seus maiores expoentes.

O jornal praticamente não utilizava fotos – curiosamente, sua última edição estampava uma chamativa imagem a cores na primeira página. Seus entrevistados e os personagens do noticiário eram registrados por meio da sofisticada técnica de desenho.

A reprodução que você vê acima, resgatada pelo solerte Alexandre de Santi, é da capa de 12 de setembro de 2001 e, provavelmente, a única ilustração publicada pelo finado diário que não retrata uma pessoa – mas sim as torres gêmeas prestes a desmoronar.

Como desmoronariam, anos depois, o jornal e a própria técnica que notabilizou.

A ilustração na edição diária

Isso é uma verdade: desenhista que não fica “dentro da redação” (ou pelo menos não tem intimidade com o noticiário), não pode levar ao cabo a tarefa de confeccionar charge, cartum ou caricatura da edição diária.

Uma das grandes “novidades” que introduzi em A Gazeta Esportiva nos idos de 2000 foi a participação do cartunista nas reuniões de pauta. Conseguimos melhorar – e muito- a conexão entre ilustração e reportagem no jornal no dia a dia.

Infelizmente, alguns ainda consideram “artístico” esse trabalho. É o primeiro passo para esfriar o material e dissociá-lo da edição do dia.

Jesus nos tempos do Twitter

A ilustração e seu papel no jornalismo

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Relegada ao último plano, a ilustração tem, sim, seu lugar no jornalismo _provavelmente, até como gênero. Nunca teorizei isso, mas talvez valhesse a pena.

Transformar palavras em imagens é, claro, uma arte, mas uma arte comprometida com o noticiário e seu timing. Repare como os jornais, em geral em suas páginas de opinião, recorrem ao recurso.

É um luxo que só as publicações impressas podem fazer por você: traduzir artísticamente notícia e opinião (só pra não perder a piada e puxar a brasa para a minha sardinha, vou relembrar frase de Millôr que mostra o quão difícil é fazer o contrário: “Uma imagem vale mais do que mil palavras. Agora transforma essa frase em imagem”).

O ótimo La Buena Prensa entrevistou um ilustrador de jornais e revistas, Rafael Ricoy, para falar um pouco do metiê. E o cara é excelente ao dizer, logo de cara, que uma das principais características do ilustrador de veículos jornalísticos é a rapidez.

Aliás, eu acrescento que trabalhar sob pressão, e rápido, são dois dos itens mais relevantes num jornalista, seja qual função ocupe num diário.

Você publicaria esta charge?

Mais uma charge polêmica do septagenário cartunista Pat Oliphant

Mais uma charge polêmica do septagenário cartunista Pat Oliphant

Você publicaria a charge acima? Ela é de autoria de Pat Oliphant, 74 anos, considerado o cartunista mais influente em atividade no mundo _e com um belíssimo histórico de obras polêmicas.

Centenas de jornais dos Estados Unidos a publicaram, gerando a ira, por exemplo, do Centro Simon Wiesenthal de Los Angeles, que soltou uma nota condenando a obra.

Diz que ela “mimetiza a propaganda antissemita” que esteve como pano de fundo da ascensão do nazismo alemão. E vai além, afirmando que foram charges como essas que prepararam o terreno para o Holocausto.

Exagero?

Como é difícil trabalhar em jornalismo. Há diversos temas que exigem ene dedos e, mesmo assim, muitas vezes terminam em revolta, protestos, mal-entendidos.

O desenho é tolo, óbvio, previsível e um retrato da realidade (o mais importante). A questão, como sempre, são as pessoas que veem golpe em tudo.

Essas, definitivamente, precisam ter um jornal só delas e parar de ler os nossos jornais.