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A carta que não houve

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É um dos episódios mais vergonhosos da história do jornalismo: em 1978, a El Gráfico (uma revista que um dia existiu na Argentina*), publicou o que seria uma carta escrita pelo jogador holandês Krol, finalista do Mundial, para sua filha.

“Mamãe me contou que outro dia você chorou muito porque alguns amiguinhos te disseram coisas muito feias que estariam acontecendo na Argentina. (…) É mentira, aqui tudo é tranquilidade e beleza. (…) Não se assuste ao ver fotos da nossa concentração com soldadinhos de verde ao nosso lado. Eles são nossos amigos, nos cuidam e nos protegem”.

É tétrico: a Argentina vivia sob uma ditadura militar que custou a vida de pelo menos 8 mil pessoas.

Krol, é claro, jamais escreveu essa coleção de bobagens. Sua assinatura foi roubada do press kit da seleção da Holanda, que trazia autógrafos de todo o elenco. Tratou-se de uma das mais brilhantes peças de marketing político endossada justamente por quem deveria nos proteger dessa espécie de estrume.

*A El Grafico tinha os maiores jornalistas do país e morreu duas vezes: naquele dia 13 de junho de 1978 e duas décadas depois, quando foi abatida pela crise do jornalismo impresso e praticamente se transformou numa revista-laboratório de faculdade.

O polvo Paul e o ridículo no jornalismo


Não tem nem dois dias que eu ressuscitei uma entrevista do goleiro Rogério Ceni (na qual o cara falava sobre encarar esporte como entretenimento), e me deparo agora com um texto que avalia a corrida do jornalismo ao polvo “vidente” Paul como uma babaquice sem tamanho, uma jogada da marketing do aquário de Oberhausen, na Alemanha.

É nessas horas que o ditado “nem tanto ao mar, nem tanto à terra” faz muito sentido. No texto, o crítico questiona os poderes sobrenaturais de Paul _ele próprio causando mais ridículo do que a situação em si.

Nosso amigo não percebeu que se trata de uma brincadeira divertida, com altíssimo potencial de audiência, mas que não deveria ter qualquer tipo de explicação. Procurar biólogos para explicar os “dons” de Paul, é verdade, também é estúpido (sim, o jornalismo fez isso).

Há momentos em que tudo o que o jornalismo precisa é de uma feature. Isso mesmo, um tratamento lúdico a uma não notícia capaz de divertir a audiência. O diversionismo pelo diversionismo.

Mas tem gente que não compreende como o humor pode fazer bem à profissão.

190 milhões sem ação

Mais um vídeo excelente que serviria perfeitamente ao jornalismo: um motoqueiro sai às ruas de São Paulo no intervalo do jogo Brasil x Holanda, na semana passada.

E o que ele encontra? Veja o vídeo e compreenda de uma vez por todas a importância da Copa do Mundo para o nosso povo _que, aliás, hoje deveria reproduzir o feriado não fosse a derrota da equipe de Dunga naquele dia.