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“A sociedade deveria dar incentivos e benesses para o jornalismo”

A turma do Jornalistas & Companhia, que acompanha sempre de perto o noticiário que envolve o bastidor da mídia brasileira, fez uma ótima entrevista com Ricardo Gandour, o homem que comanda o conteúdo dos veículos do Grupo Estado _entre eles o mais nobre, o jornal O Estado de S.Paulo, um dos maiores do país.

No papo, Gandour falou sobre praticamente tudo.

Mostrou, como tem sido praxe entre os executivos dos maiores jornais brasileiros, otimismo com o atual momento econômico de sua empresa (“A situação financeira é boa. Esperava-se que fosse tragicamente menor”).

Comentou sobre o Jornal da Tarde, o patinho feio da empresa (mas com uma imensa ficha de bons serviços prestados ao jornalismo) e passeou um pouco pelo o avanço tecnológico e sua influência nas redações, prometendo uma pauta que já nasça multimídia _ou seja, pensar conteúdo para diversas plataformas, que é a verdadeira definição de convergência.

Mas o que achei mais interessante: Gandour cobrou, da sociedade, mais envolvimento na hercúlea tarefa de repensar o papel do jornalismo impresso e, assim, garantir sua sobrevivência. Para ele, a sociedade “deveria dar incentivos e benesses porque a atividade jornalística é de interesse público”.

Faz sentido, mas será que ela está disposta?

Mais considerações sobre o diploma

Uma questão tem passado despercebida na discussão sobre a obrigatoriedade de um diploma em jornalismo para exercer a profissão: o fato de que as principais empresas jornalísticas do país (cito as Organizações Globo e os veículos do Grupo Estado, entre os quais o jornal O Estado de S.Paulo) exigem o pedaço de papel para contratar seus profissionais de redação.

Assim como não houve qualquer sinalização de mudança nessa postura, não haverá (garantem minhas fontes) alteração dessa exigência mesmo que o STF, seja lá quando for, pregue o caixão deste entulho autoritário que erroneamente é defendido como se fosse uma conquista _quando, na verdade, é uma prisão, uma masmorra.

Sim, para efeito do empregador, existir ou não obrigatoriedade é um mero detalhe. As empresas continuarão com o direito de exigir a formação que seja de seus jornalistas. Até mesmo de jornalismo, um curso (hoje, mas isso é passível de mudança) com bem menos profundidade intelectual do que vários outros.

Mesmo nas companhias menores, onde (dizem) se contrata a torto e a direito sem registro como jornalista (como se nos grandes portais de internet não ocorresse a mesma coisa).

Vou repetir que essa discussão deixou de ser importante a partir do momento em que a tecnologia deu uma imprensa pessoal para cada um. Quem quiser, faz jornalismo, não precisa nem ter ligação com a mídia dita formal.

Para encerrar com humor, então, uno-me à campanha do André Forastieri, que ironicamente pede a exigência de diploma de jornalista profissional para blogueiros. Aliás, o sindicato de jornalistas do Rio Grande do Sul já tinha levado essa proposta, como se fosse séria, a público.

Meu deus, que vergonha desses meus “colegas” de diploma…

ATUALIZAÇÃO: Ana Estela, no Novo em Folha, discorre claramente sobre a importância da formação do candidato a jornalista, não do tipo de papel que ele porta ao se apresentar numa redação.

Estamos todos deprimidos

Nós, jornalistas, estamos todos chocados. Deprimidos, para dizer a verdade.

Nem tanto com o passaralho no Grupo Estado, que, fantasiado de PDV (Plano de Demissão Voluntária), ceifou vagas dos colegas com pelo menos 15 anos de serviços prestados àquela empresa.

Bem mais com os rumores, aparentemente verdadeiros, da venda de toda a empresa às Organizações Globo. Uma catástrofe.

A notícia mais atual dá conta de uma reunião de acionistas, com a presença de Ricardo Gandour, diretor de Redação do jornal, em que reiteradas vezes teria sido negada qualquer negociação. Tomara.

Por ora, só o colunista Giba Um cravou a transação (momento nostalgia: convivi com ele entre 1990 e 1992, na redação da “Folha da Tarde”, atual “Agora SP” _figuraça, tinha até uma espécie de mordomo à disposição).

O Estadão é mais do que um patrimônio do jornalismo brasileiro, faz parte da história do próprio país. Só o fato de se cogitar sua venda já nos deixa, a todos os jornalistas, consternados.

Que esse estranho negócio não prospere.