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A mídia e os donos da mídia

Mestre Elio Gaspari publicou de maneira discreta.

“O altíssimo comissariado tem duas esperanças e uma expectativa. A primeira esperança é de que algum grande órgão de imprensa vá para o mercado. A segunda é de que se consiga reunir um grupo de empresários-companheiros com verdadeiro peso, associados a nomes de prestígio. A expectativa é de que se possam organizar operações triangulares de crédito de bancos oficiais capazes de equilibrar a conta e dar a devida compensação ao prestígio. A ideia não é nova. Num caso exemplar, pôs a pique o “Correio da Manhã”.”

Trata-se de uma evolução das conversas que revelei aqui no ano passado.

E o pior: o tal “grande órgão de imprensa” está praticamente batendo na porta.

Estudo sobre o fantasma da censura no rádio

Interessante trabalho multimídia concebido para exibir o levantamento patrocinado pela Fundação para a Liberdade de Imprensa (Flip) sobre a censura ao meio rádio na Colômbia.

Entre os assuntos abordados no competente material, um que permeia o trabalho jornalístico radiofônico desde sua invenção: a incompatibilidade entre isenção jornalística e a pauta publicitária.

Neste caso, os pesquisadores centraram foco na pressão oficial: como dono das concessões e potencial anunciante, o governo federal exerce uma pressão sem precedentes sobre os radialistas colombianos.

Não é uma realidade muito diferente da que assistimos no Brasil, onde emissoras têm recebido tratamento preferencial do governo, conquistando entrevistas exclusivas com a presidente Dilma Rousseff _desde que assuntos espinhosos, claro, não sejam tratados nas conversas.

Autorregulamentação, uma saída para melhorar os jornais

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) aprovou a adoção, por seus filiados, de uma série de medidas que ajudarão _e muito_ os veículos a se aproximarem mais de sua audiência (e, principalmente, se tornarem mais transparentes).

Medidas como a instituição do cargo de ombudsman (só Folha de S.Paulo e O Povo possuem essa figura importante para criar atalhos entre redação e leitores, além de importante filtro de controle de qualidade dos jornais).

A ANJ estabeleceu um prazo para que essas recomendações (entre elas, a criação de um espaço fixo com correções de reportagens, coisa que incrivelmente, entre os grandes, só a Folha possui) sejam adotadas.

Apesar de ter sido uma reação à ameaça do “controle social da mídia”, balela introduzida na agenda no governo Lula e que Dilma Rousseff deixou adormecer, se cumpridas, as medidas ajudarão a melhorar bastante a combalida qualidade de nossas publicações.