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Desenvolvedores também perdem o encanto com o Facebook

Não é só a Globo: desenvolvedores também perderam o encanto com o Facebook. Num movimento relevante, estão deixando de trabalhar em aplicativos para o site de rede social.

O motivo, entre outras coisas, é o absurdo controle do ecossistema e, mais importante, o inevitável caminho ao mobile total – área em que o negócio de Mark Zuckerberg ainda está engatinhando (e, como em todos seus tentáculos, é leonino e devora seus fornecedores).

Globo desembarca do Facebook

Agora é oficial: as Organizações Globo (que detêm a principal operação de TV do Brasil, uma das mais relevantes da internet e importantes braços editoriais no mercado de revistas, jornais e livros) estão desembarcando do Facebook.

A partir de agora, a orientação é que produtos como a Rede Globo, o portal G1 e revistas como a popular Quem (só para citar alguns exemplos) não distribuam mais links dentro do site de Mark Zuckerberg. As páginas continuarão lá, mas insossas, com objetivo meramente institucional.

É uma decisão difícil de explicar e justificar. Diz-se que chegou-se à conclusão de que o Facebook está “roubando” audiência da Globo – mas isso, se verdadeiro, certamente irá se intensificar a partir do momento em que nem mesmo links estarão circulando pelo ambiente frequentado por 75% dos internautas brasileiros.

A menção ao Facebook, por motivos comerciais, já havia sido proibida pela companhia, o que é compreensível – só o apresentador Fausto Silva, bocudo, desafia a norma muitas vezes citando a rede social, inclusive fora de contexto, para mostrar “independência”.

Houve um tempo em que a Globo decidiu criar um microblog próprio, à imagem e semelhança do Twitter – e que fracassou, evidentemente. Agora, resta saber o que vem por aí.

O Dunga está certo

“Eu apanho, me batem de manhã, de tarde e de noite, é um direito de cada um, mas quando eu respondo, me criticam. Quem bate em mim é divertido, alegre, e eu, quando respondo, sou rancoroso”.

Olha aqui, a última coisa que eu queria era entrar numa discussão que tem Dunga e a Copa do Mundo como protagonistas.

O Mundial de futebol é aquele momento nefasto em que uma maioria de ignorantes em bola saltita, assopra cornetas e tenta compreender a diferença entre expulsão e arremesso lateral. É insuportável, e me faz reviver a cada quatro anos o desejo de ter nascido finlandês.

O comportamento da ‘emprensa’ nessas ocasiões é ainda pior, mas reflete um pouco do pensamento que persiste entre a categoria, o que é lamentável. Nós, jornalistas, ainda não percebemos que não somos mais o poder mediador.

Aliás, mesmo antes, na época do monopólio, jamais acreditei que havia explicação para sermos tratados com deferência especial.

O jornalista faz seu trabalho, como os profissionais da área que cobre, e não há lei que obrigue que os dois lados sejam amigos. Pelo contrário, uma boa dose de eletricidade na relação é sempre bem-vinda.

Daí que avaliar a performance de Dunga passou a ser mais importante do que ele explica sobre o desempenho de seu time. E aí a ‘emprensa’ comete seu erro mais grave.

A Globo editorializou, na voz de Tadeu Schmidt, o veto ao comportamento do técnico. De novo a imprensa clama por deferência no tratamento das fontes.

Agora me explica o porquê.

“Tava bom pra mim esse jogo, nesse jogo eu podia ter feito falta à vontade, o juiz ia me dar os parabéns”.

O tremor, a interação e o microblogging

São Paulo sentiu a força do tremor de 5.2 na escala Richter a 270 km de distância, e quando isso acontece (um fato que irrompe no cotidiano de muitos), o jornalismo participativo ganha destaque nos portais. É a ocasião em que a pauta, essa ferramenta quase esquecida no cotidiano das iniciativas que contam com a ex-audiência, surge e ordena o trabalho do cidadão jornalista, corrigindo grave distorção.

A priori, um terremoto sem danos não é fotografável, mas sim digno de registro em vídeo (coisas balançando sozinhas fazem tremendo sucesso). Na falta disso, sobram apenas os relatos. “Apenas” porque a gente sempre quer (e precisa ter) mais na Internet.

Na hora em que escrevo (0h45 desta quarta), só o G1 havia levado o assunto para sua página interativa. E ninguém, entre os portais que incentivam a interferência dos leitores, tinha vídeos “caseiros” para exibir.

UOL e Terra preferiram abrir fóruns de discussão. Estadão e O Globo, sempre ligados na liturgia da interação, nem sequer tinham pautado seus leitores sugerindo que enviassem material sobre o raro abalo sísmico genuinamente tupiniquim.

A Folha, que raramente incita o usuário a interagir, já estava lá de madrugada pedindo participação dos leitores.

Bem antes disso, quando a metrópole mal acabara de sacudir, o 8bitsemeio notava que o furo de reportagem, desta vez, foi do Twitter.

E viva o microblogging, ferramenta jornalística sim, e cidadã também, como não?