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Começou o ‘ou dá ou desce’ no jornalismo diário

Começou o “ou dá ou desce” no jornalismo impresso do hemisfério norte _por enquanto é só por lá, nossa sentença chegará em mais alguns anos.

O La Presse, “maior jornal em francês do continente americano” (como se isso fosse alguma coisa), apresentou à sua equipe o dilema: ou aceita aumento da jornada de trabalho e perda de benefícios ou o jornal fecha as portas em 1º de dezembro.

O corte de custos presumido pelo veículo para garantir sua sobrevivência é de US$ 11 milhões, incluídas aí ao menos 100 demissões num total de 700 funcionários.

No Brasil, este tipo de barganha não é possível, o que torna ainda mais criativa a tarefa de pensar como empresários e jornalistas negociarão num cenário de terra arrasada.

Desde Getúlio Vargas, não se pode rebaixar salários ou regatear o cumprimento de obrigações trabalhistas _conte nos dedos das mãos os países que dão essa salvaguarda.

Como nós somos eles amanhã, há de se pensar: faz sentido flexibilizar as leis que regem o contrato capital-trabalho, e dar uma chance à redução de danos do desemprego, ou o melhor é brigar por direitos consolidados?

Estadão, 134 anos

Hoje o jornal O Estado de S.Paulo completa 134 anos (o veículo costuma contar 129, subtraindo os cinco pelos quais passou ocupado por censores da ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas).

Trata-se de uma das publicações jornalísticas mais influentes e relevantes do Brasil.

No presente, o “Estadão”, como o conheço desde criança, tenta sobreviver à sobredose de informação que veio como consequência das novas tecnologias.

Tem tido sucesso em algumas frentes, como oferecer produtos diferenciados (um suplemento gastronômico, por exemplo) todas as semanas.

Em outros aspectos, peca tanto quanto seus concorrentes diretos ao dar espaço demasiado ao “aconteceu ontem”, noticiário hardnews que é fartamente explorado horas antes pela Internet.

A verdade é que os jornais brasileiros ainda não mergulharam na viagem sem volta da convergência. Apostam em paliativos aqui e ali (como remissões e mais remissões em suas páginas impressas), mas só.

No momento em que ocorre uma ofensiva bélica no Oriente Médio, é inadmissível assistir a enviados especiais que não produzem um único conteúdo on-line, uma única imagem, seja ela foto ou vídeo. Nossos repórteres não estão preparados para usar smartphones como o Nokia N95 _uma verdadeira estação de TV ambulante.

Esse desafio é, para O Estado de S.Paulo e seus concorrentes, o grande passo para garantir pelo menos mais 134 anos de vida.