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Quando notícias velhas ressuscitam – e um antídoto para isso

O relato de que as notícias mais lidas no jornalão inglês The Independent tinham mais de dez anos – fato que ocorreu outro dia e se repetiu com o El Pais, agora – exibe mais do que o poder viral do Facebook e sua nova função de compartilhar o que está lendo com seus contatos.

É fato que a maioria das pessoas simplesmente não consegue se dar conta se uma notícia é nova ou velha. Nem mesmo quando a data da publicação dos textos está lá, escancarada, consegue-se livrar da ressurreição viral de notícias que deixaram de sê-lo por conta do excesso de mofo.

Neste aspecto, o G1 (portal de notícias mais acessado do país) tem um antídoto que ajuda a prevenir essas ondas de má informação: o site não atualizou os templates de suas páginas anteriores ao atual projeto gráfico, de 2011.

Portanto, se deparar com uma notícia antiga é, antes de tudo, uma experiência visual que, no mínimo, provoca algum tipo de estranhamento (como este aqui, por exemplo).

Ótima ideia.

Contando histórias com dados, um artigo

A superprofessora de jornalismo on-line Mindy McAdams indica o artigo Narrative Visualization: Telling Stories with Data, de dois estudantes de Harvard.

Vocês bem sabem que adoro a prática, mas a reflexão acadêmica sobre nosso trabalho é sempre útil. Mestre Leopoldo Godoy, editor do G1, não tem muita paciência com a academia não, mas o azar é dela.

O meio on-line impõe sérias amarras à reflexão _quem trabalha em tempo real regula do banheiro ao cigarro. Difícil, pra quem toca o dia a dia de um site noticioso, refletir sobre o próprio trabalho.

O pensar “de fora” pode detectar tendências que a gente não vê quando faz linguiça.

O artigo usa bons exemplos e expõe de maneira bacana estudos de casos de infografias que podem ensinar a gente a fazer melhor.

Leituras da semana

A edição 17 da Revista Animus, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM (a brava federal de Santa Maria-RS), está on-line.

Destaco o artigo “Os processos interativos no webjornalismo audiovisual: um estudo das contribuições dos colaboradores aos sites UOL, G1 e Terra”, de Juliana Fernandes Teixeira.

Boa leitura.

A coragem de corrigir nossos erros à altura

Como faz bem (não só pela transparência, mas principalmente pela obrigação profissional) ter coragem (sim, é preciso coragem, por incrível que pareça) corrigir, à altura, um erro .

Foi o que fez o G1 nesta semana, manchetando a correção de um equívoco que havia sido publicado daquela mesma forma (ou seja, como notícia mais destacada do site).

É assim que se faz.

(Esta dica é da colega Mary Persia).

HQ, fotonovela, não importa: é jornalismo, e de vanguarda

nova_narrativa_JC

Já faz algum tempo que tenho ressaltado a importância de projetos multimídia (especificamente aqueles que abraçam novas narrativas jornalísticas na web) para que nossa profissão desfrute a era digital e dê algum tipo de resposta aos que questionam o seu futuro.

E vejam que maneira interessante o Jornal do Commercio, de Recife, escolheu para contar uma história sobre o uso da bicicleta como alternativa ao carro e ao trânsito das grandes cidades.

Linguagem de HQ que agrega fotonovela, vídeos, fotos, edição jornalística e até making of (talvez o trecho menos bem-sucedido). Os créditos são de  Julliana de Melo e Sidclei Sobral.

Lembrei da tão criticada HQ do G1 sobre a morte de Michael Jackson, que eu achei boa pra dedéu. Critique-se a espetacularização ou o traço sem acabamento (os dois poréns que mais ouvi sobre esse trabalho), mas não se pode deixar de valorizar a iniciativa. Estamos, o jornalismo, precisando dessas coisas, gente.

O jornalismo deve se apropriar de linguagens velhas e novas, até das antes consideradas não jornalísticas, para narrar fatos de forma mais atual e apropriada às plataformas hoje existentes.

Quem descobriu a contribuição do Jornal do Commercio, e também elogiou, foi o Fernando Firmino, uma das maiores autoridades em jornalismo móvel (e seus dispositivos) no Brasil.

Mais conversas sobre a publicação pessoal

Na sexta-feira encerrei mais um pequeno curso (uma conversa, na verdade) sobre a era da publicação pessoal para a 48ª turma de trainees da Folha de S.Paulo.

É um pessoal que me pareceu bastante ciente sobre os novos desafios que a tecnologia impôs à profissão.

Os slides da aula (agradecimento especial ao amigo Sérgio Lüdtke)

O roteiro de links

Depois de uma sessão mais teórica, na semana passada, desta vez nos agarramos a exemplos (bons e ruins) de conversação e abertura para participação do público no mainstream.

Delícia lembrar o dia em que a ex-plateia, revoltada com o descaso e a ineficiência do veículo que acompanhavam, deu o troco e fez uma grande organização pagar muito caro.

Ou ainda perceber que, na lógica das redes sociais, as pessoas vêm sempre antes das instituições (algo que já virou um corolário, né?).

Mais: que o Twitter, diferentemente de todas as outras mídias sociais, não é construído com base em relações de afetividade e amizade. Todo o oposto: seu inimigo pode estar seguindo você.

Enfim, temos muito a aprender.

A aula na Famecos

Alunos do terceiro semestre da PUC-RS pouco antes de aula sobre jornalismo digital (Foto: Alec Duarte)

Alunos do terceiro semestre da PUC-RS pouco antes de aula sobre jornalismo digital (Foto: Alec Duarte)

Ainda em Porto Alegre, participei de uma aula de jornalismo digital dos professores Ana Brambilla e Andre Pase aos alunos do terceiro semestre da Famecos, a faculdade de comunicação da PUC-RS.

Foi uma conversa bem centrada na importância de o jornalista entender que foi desbancado pela tecnologia (o público agora tem acesso aos mesmos dispositivos e pode fazer jornalismo se quiser) e na necessidade de estabelecer uma conversação consistente, produtiva e colaborativa com essa gente.

Na apresentação, mostrei alguns cases importantes de fusão, apropriação e uso de novas ferramentas _mas bem sob a ótica do contexto de circulação e relevância de periódicos no Brasil.

A conversa fluiu tão bem que falamos ainda de campanhas virais na web e do negócio dos jornais gratuitos. E, claro, de um bom exemplo de mobilização da ex-plateia que deixou um site noticioso de joelhos: o #completeog1, que obrigou o produto global a corrigir um problema imperdoável em seu canal de microblog.

Não vejo a hora de voltar.

Público se mobiliza e obriga G1 a ‘se completar’

Alvo de protesto espontâneo dos leitores, site reage e, de quebra, ainda adiciona usuários

Alvo de protesto espontâneo dos leitores, site reage e, de quebra, ainda adiciona usuários

Não deixou de ser engraçado, numa semana em que falei bastante de Jay Rosen, Clay Shirky e do poder de mobilização da ex-plateia na Web, que um movimento de usuários de um site noticioso tenha conseguido resolver um problema irritante: as notícias incompletas que o site G1 entregava, frequentemente, em seu canal de microblog.

Como um protesto bem-humorado, o #completeog1, surgido no final de fevereiro, chegou a seu ápice na tarde de ontem _quando aliás o Webmanário teve a maior audiência de sua história justamente por ter divulgado o movimento.

O que era até então um protesto silencioso se transformou, com o repasse frenético de mensagens, numa corrente que obrigou o G1 a tomar providências. Sua página no Twitter, desgovernada pelo prosaico motivo da perda de uma senha, foi enfim adequada a um padrão mínimo de qualidade _o erro, diga-se de passagem, perdurou por mais de um ano.

Precisou, porém, ocorrer uma revolução para que o descalabro fosse resolvido. E foi rápido: passaram-se apenas algumas horas entre o hype do #completeog1 e a primeira mensagem notando que algo estava diferente: sim, o G1 começava a adicionar usuários, o que nunca antes ocorrera.

Depois, mais um sintoma: mudou a url curta que acompanha os miniposts e, melhor, os erros tinham sumido.

A revolução, proposta e executada pelos usuários, tinha chegado ao fim com o melhor resultado possível. Espera-se que agora, com pessoas e não robôs, o microblog do G1 dialogue e se aproxime mais do seu público.

Para quem não achava que as pessoas, mobilizadas e em rede, são mais fortes que qualquer corporação (a máxima de Shirky, por sinal), fica aí um exemplo maravilhoso.

Usuários se rebelam e ‘completam’ o G1

O canal de microblog automatizado e desgovernado do G1

O canal de microblog automatizado e desgovernado do G1

Terminei há pouco de ministrar um intensivão de multimídia/convergência (foram ao todo oito horas de aula para a nova turma do Treinamento da Folha) e, como sempre quando se está em sala de aula, os alunos descobrem o mais bacana por si sós. Bem por isso é legal lecionar.

Dei muita ênfase, na conversa (sobre a qual falarei com mais detalhes em breve, com direito a slides e links úteis), sobre a diferença entre presença e atuação on-line. Não são, como pode parecer, a mesma coisa.

Meu exemplo preferido é a conta de Twitter do site noticioso G1, que além de ser automatizada (publica imediatamente todo o conteúdo que entra no site), está desgovernada. Possui um erro, como o que eu exibo acima, absolutamente insuportável: quando um título possui aspas, ele é abruptamente interrompido.

Vai daí que, em sala de aula, descobrimos na busca da ferramenta que já existe uma mobilização de usuários fazendo troça desta inaceitável maneira de administrar um produto jornalístico (que, antes de mais nada, precisa de gente manipulando, não de robôs).

É o “complete o G1“, bem-humorada reação de gente decepcionada com erros que tornam as notícias incompreensíveis. Basicamente: eles decidiram completar ao seu bel-prazer os títulos interrompidos. Hilário.

E por que o G1 não faz nada para arrumar esse erro? A história é tão prosaica que provavelmente vc não acreditará quando eu contar…

ATUALIZAÇÃO: o grande André Marmota, aí embaixo nos comentários, fez um trabalho de arqueologia twitterística e diz ter encontrado a origem da comunidade #completeog1 num tweet de 26 de fevereiro.

Leia também: Usuários se mobilizam e obrigam G1 a ‘se completar’

O jornalismo e a apuração no Google

Foi Leopoldo Godoy, editor de Tecnologia do G1, quem me contou hoje (sim, nada como uma reunião na escola do filho seguida de uma festa infantil para que a vida off-line te lembre que ela existe): sábado deu um pau federal no Google.

A empresa admitiu que seu site de buscas ficou inacessível por 40 minutos _mas há relatos de que demorou horas.

Daí o Godoy disse algo do gênero: “o jornalismo acabou por x espaço de tempo”. Uma brincadeira, mas com um fundo preocupante de verdade.

Pior que escorar sua apuração no Google é o atual jornalismo brasileiro, por uma indecifrável questão de monocultura, desconhecer as outras máquinas de busca que estão na rede.

Sim: deu pau no Google, acabou. Não se checa mais nada? Exagero, mas quase.

Ele é bem melhor? É. Mas sempre tem pra onde correr.