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Leituras

Rita Figueiras presta um excelente serviço ao debate com o artigo “Intelectuais e redes sociais: novas media, velhas tradições”, publicada no volume 6 da Matrizes, revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo.

No texto, a pesquisadora defende que as redes sociais – do outro lado da moeda questionadas pela qualidade da informação ali distribuída, via de regra considerada pífia – são “lugar onde intelectuais encontram espaço para exercerem o seu papel de consciência reflexiva da sociedade contemporânea”, ou seja, um espaço público que efetivamente pode ter relevância.

Na mesma edição, Henry Jenkins dá o ar da graça com o artigo “Lendo criticamente e lendo criativamente”, que cumpre bem o papel de discutir a fan fiction e sua possível utilização em sala de aula.

Mas tem mais: em “As estratégias dos grupos de comunicação na alvorada do Século XXI”, Jean-Yves Mollier traça um panorama bacana da questão das fusões e a intromissão de grupos de midia no mercado editorial.

Redação com 1,5 mil jornalistas faz Google perder dinheiro

A AOL (sinônimo de internet nos primórdios) tem nada menos que 1,5 mil jornalistas _isso mesmo, você leu direito_ trabalhando em suas operações on-line. Efetivamente são mil os contratados (o restante é frila).

O número absolutamente impressionante fica ainda mais incrível ao sabermos que os planos futuros da empresa incluem a multiplicação dessa mão de obra por três. E isso que a redação atual já possui mais do que o dobro do tamanho da que lá trabalhava há um ano.

E de onde vem esse povo todo? Em boa medida, dos jornais impressos. O banho de sangue na imprensa americana, com fechamento de publicações tradicionais e passaralho atrás de passaralho, fomentou uma multidão de desempregados. A AOL lhes deu, em parte, guarida.

No Brasil, a passagem da empresa (concluída em 2006) teve altos e baixos, mas o começo foi catastrófico: um lote muito grande de CDs gratuitos com o discador de provimento, distribuídos de graça até nas ruas, tinha, na verdade, gravações musicais de um grupo de pagode. Virou piada.

O Google perdeu pelo menos US$ 717 milhões (fora o investimento no produto) ao comprar 5% das ações da AOL há quatro anos. Nesta semana, a empresa de Sergey Brin e Larry Page as revendeu à antiga (e agora única) proprietária, a Time Warner, por US$ 283 milhões _em 2005, pagara US$ 1 bilhão.

Houve a crise, é verdade, momento em que o valor de todas as companhias ficou bem menos inflado. Mesmo assim, ao repassar a bomba, o Google dá uma sinalização clara de como é difícil fazer dinheiro com conteúdo (no caso da AOL, havia uma válvula de escape, que é o provimento).

Tanto que a companhia de Brin e Page manterá, entre outras parcerias mantidas, sua fatia de faturamento sobre links de publicidade.

Mas e os 1,5 mil jornalistas nas redações da empresa, heim?