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A web não morreu

Lembra que ontem falei de um artigo da Wired sobre a morte da web e o avanço dos aplicativos móveis? Pois a tese está sob forte ataque.

Alexis Madrigal vai diretamente ao ponto em texto na The Atlantic: é a grana, estúpido.

E pensar que justo Chris Anderson, editor da Wired e defensor do preço zero na internet, teria formulado a hipótese (ao menos, é quem assina o texto, ao lado de Michael Wolff).

Sim, pontua Madrigal, revistas como a Wired podem fazer muito dinheiro usando aplicativos e serviços personalizados em dispositivos móveis.

Pra completar, Rob Beschizza detectou manipulação nos gráficos que ilustravam o polêmico texto de Anderson.

Mas lembre de Juan Varela, que crê (academicamente, até onde sei) na gradual desimportância da web como principal drive de conteúdo _e se vangloria de falar nisso faz tempo.

Vou deixar a palavra com especialistas.

Por que eles me dão telefones de graça?

Você sabe por que sua operadora de celular volta e meia lhe aparece com bônus extras, pontos de sobra, créditos e outras facilidades para que você adquira aparelhos mais modernos?

O IPTS (Institute for Prospective Technological Studies), que eu apelidei de Instituto de Estudos de Prospecção Tecnológica, da União Européia, se debruça sobre o tema para descobrir o que somos e o que seremos graças ao poder da Terceira Tela (a primeira foi a TV, e a segunda, o computador).

Fiquei sabendo pelo Infotendencias que, nesta semana, o órgão juntou, num workshop em Sevilha (Espanha), representantes de governos, operadoras de telefonia móvel, fabricantes de aparelhos e desenvolvedores de tecnologia.

Não houve especificamente essa conclusão, mas entendo que o célere incremento da oferta de produtos específicos para o meio portátil (essa sim uma unanimidade do encontro espanhol) é uma clara demonstração de que todos os lados _tirando, quase sempre, os governos_ caminham para o mesmo lado.

Ferramentas (leia-se: programas) mais atraentes sugerem aparelhos com mais recursos. Daí entra a operadora, desempenhando, de forma mais entusiástica do que abraça seu objetivo-fim, o papel de promotora de dispositivos móveis de último tipo. Prover conexões rápidas, seguras e estáveis, nada.

Se você tiver acesso a essa alta tecnologia, ela vai ganhar com isso. Por isso incendeia sua fúria consumista acenando com as facilidades do “preço zero“. E subsiando os seus _e os dela_ sonhos de consumo.

No que diz respeito ao conteúdo, o encontro em Sevilha detectou duas vertentes: uma, a miniaturização da Web. Ou seja, têm sido comum adaptações puras e simples de conteúdo já existente na Internet.

Mas o que interessa a uma pessoa que recebe torpedos noticiosos (há vários serviços na rede) ou navega na Web via telefone celular?

Notícias de última hora, trânsito, resultados de eventos esportivos, pílulas de economia real (cotações, reajustes de gêneros básicos) e serviços _de todo o tipo, de roteiro de cinema a horário de feira livre. Exige uma edição específica e criteriosa, portanto.

Isso o IPTS também percebeu: que aumentou a oferta desse tipo de produto, ou seja, um mix de editorial, serviço e entretenimento feito sob medida para quem administra todas as suas tarefas diárias da rua (ou, pelo menos, fora de casa).

Isso significa que os jornais em papel, que já tinham o desafio de criar conteúdos moldados para a Web, têm outro obstáculo premente a superar. Já tinham há tempos, não é um fenômeno novo. Mas é que nem sequer a dívida com a Internet _que chegou comercialmente ao Brasil em 1996_ foi paga.

No próximo capítulo, vamos falar de mídia exterior. Certamente você já topou com ela nas ruas ou mesmo num elevador.