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TV manipula imagens de presidente debilitado

Aulinha básica de edição de vídeo: o telejornal francês Le Petit Journal comprovou que as imagens da conversa entre o premiê francês Jean-Marc Ayrault e o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika (que sofreu um AVC em abril), foram manipuladas.

Nelas, Bouteflika parece desenvolver uma conversação com Ayrault. Na verdade, trata-se de um truque de edição que utiliza o mesmo gesto repetido várias vezes em ângulos diferentes. Durante a maior parte da conversa, mostrou o telejornal, o mandatário argelino, debilitado, ficou imóvel.

Agora o político francês é acusado de participar de uma farsa que visa colocar Bouteflika em condições de disputar um quarto mandato nas eleições do ano que vem.

Salvem os impressos

Pronto: um editorial na Folha de S.Paulo e uma reportagem na Veja saúdam o acordo do Google com a imprensa francesa, que aceitou ser indexada pelo mecanismo de busca em troca de 60 milhões de euros num tal  “fundo de auxílio a jornais e revistas da França”, o país mais paternalista com relação à sua produção em papel.

Trata-se de uma esmola e de um vexame. Nunca é demais lembrar que o antecessor de François Hollande, Nicolas Sarkozy, torrou dez vezes mais num pacote de resgate que incluiu, entre outras coisas, uma assinatura anual para jovens a partir dos 18 anos – tudo bancado com dinheiro público.

O aplauso ao privilégio e o paternalismo, vá lá, ainda dá para entender. A frase “o Google depende, enfim, da imprensa para existir e vender publicidade”, cometida por Mario Sabino no texto de Veja, porém, é de um ridículo voraz. Totalmente fora de órbita.

Vamos conhecer o problema antes de abordá-lo?

Governo francês põe dinheiro para manter sites noticiosos vivos

Um ano depois de oferecer benefícios fiscais e outras benesses, como a concessão, a todo jovem ao completar 18 anos, de uma assinatura de um jornal, o governo francês anunciou novo pacote de bondades para a mídia do país.

Agora são os sites “puro-sangue”, ou seja, web-only (casos do Slate.fr ou do Rue89), que vão meter a mão na grana. Serão 60 milhões de euros por três anos, 80% deles em subvenções e o restante em dinheiro vivo.

É a estatização pura e simples do jornalismo em países, como a França, em que ele está pra lá de moribundo.

Pelo menos, ao abraçar os sites, o governo de Nicolas Sarkozy dá um recado de isonomia, já que por ora apenas os jornalões tinham se beneficiado de dinheiro público para manter suas operações vivas por mais algum tempo.

Quanto tempo? Não se sabe.

Ressuscitaram um delírio _e que já enganou jornais

Bastou o jogador Ronaldo ter relembrado, durante sabatina ao jornal Folha de S.Paulo, a convulsão que sofreu horas antes da final da Copa do Mundo de 1998 para voltar a circular, via e-mail, um hoax que dominou a cena na web há 11 anos e, ciclicamente, volta à baila, notadamente em época de Mundial _ou quando, como fez o jogador corintiano, alguém tenta exumar o cadáver.

Trata-se de um texto apócrifo que relata suporto acordo de bastidores entre CBF e Fifa no qual decidiu-se pela venda do título à França _que venceu a seleção dentro de campo por retumbantes 3 a 0 em Saint-Dennis.

É claro, trata-se de um delírio. Em 1982, por exemplo, não havia internet, e tentou-se espalhar boca a boca a “informação” de que o italiano Paolo Rossi, carrasco do Brasil no Mundial da Espanha, havia jogado dopado e, desta forma, o Brasil passaria às semifinais em lugar da Itália. Ahã.

O lance legal desse hoax, e por isso ele figura aqui no Webmanario, é que jornalistas caíram no conto. Houve várias referências em colunas de jornais menos relevantes e, anos depois, blogs reverberaram essa bobagem.

Outra curiosidade: a única referência no Google a Ronald Rhovald, o funcionário da Nike que, segundo boato, teria intermediado a negociação, é justamente o texto do hoax. Um indicação clara de que se tratava de um personagem inventado para dar credibilidade a uma mentira.

Mais um round da briga pagos versus gratuitos

Mais pistas sobre a corrida jornal pago versus jornal gratuito, agora na França. Estudo da Audipresse divulgado hoje mostra que o índice de leitura dos jornalões franceses subiu 7,4%. Suas vendas, porém, caíram 1,8%.

Enquanto isso, a leitura dos gratuitos ganhou 12,5% mais simpatizantes _lembrando que é um jornal de graça, o multinacional 20 minutes, o mais lido do país.

Vamos as tiragens: os pagos, somados, imprimem 8,7 milhões de exemplates por dia. Os gratuitos, 4,2 milhões.

Para se acompanhar.

Jornais de férias?

Essa eu perdi na origem, mas não posso deixar o desfecho passar: nada menos do que cinco jornais gratuitos franceses simplesmente entraram em férias no dia 11 de julho e voltam a circular só agora, nesta segunda, 25 de agosto.

Inacreditáveis 46 dias sem dar as caras.

Os jornais que descansaram são Direct Soir, Direct Matin, Plus, Metro e 20minutes.

É conhecido o movimento de fuga das grandes cidades neste período _Paris costuma ficar bem menos atribulada_, mas daí a simplesmente não produzir um jornal… parece coisa de preguiçoso, francamente.