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Apelação

galicia

A Comisión de Arbitraje, Quejas y Deontología de la Federación de Asociaciones de Periodistas de España (Fape), que é a entidade fiscalizadora da atividade da mídia na Espanha, absolveu o jornal La Voz de Galicia da acusação de ferir o código nacional de ética com a capa que você vê acima, que retrata um acidente de trem em junho deste ano e mostra claramente mortos e feridos.

A imagem, não é preciso uma comissão para detectar, é desnecessária e apelativa.

A Romênia nos 70

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A Romênia dos anos 70 pela lente de Andrei Pandele. Um grande país, latino como nós, chafurdado pela ditadura.

Evelyn McHale

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Ela se jogou do 86º andar do Empire State Building, nada fácil de entender.

Não se espatifou no chão, mas sobre o teto de um carro. É a imagem acima, capturada por um fotógrafo amador e apontada como “a mais bela cena de um suicídio em todos os tempos“.

Foi em 1947, e num texto de 2008 aqui mesmo contei brevemente a história.

Trata-se do terceiro texto mais lido deste site, que já tem cinco anos de estrada (uma eternidade na web).

Fascínio pelo suicídio ou pelo fotojornalismo?

Tenho meu palpite.

Algumas das fotos mais relevantes da história

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Listas são quase sempre passíveis de discussão, ainda mais quando não têm ciência de método por trás. Como essa, que ao menos tem o mérito de realmente escolher algumas das imagens mais relevantes de todos os tempos – caso da autoimolação em Saigon, que vemos acima, clicada em 1963 por Malcoml Browne.

Um raro protesto de jornalistas na redação

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A demissão de toda a editoria de fotografia do Chicago Sun-Times, na semana passada, provocou uma cena rara no meio jornalístico: um piquete na frente da redação, ontem.

A intenção dos 27 demitidos – e de vários de seus ex-colegas de redação que participaram da manifestação – é fazer com que o jornal volte à mesa de negociação para discutir uma medida menos drástica do que a extinção da editoria.

A partir de agora, frilas e repórteres (que estão recebendo treinamento para saber usar o iPhone além das relações pessoais) serão os responsáveis pelas imagens do jornal.

Nem é preciso lembrar aqui o caminho de anos e anos, percorrido por mim, falando sobre as novas exigências do jornalismo (a multitarefa entre elas) e, mais, sobre a importância dos dispositivos móveis para o registro de fatos.

Sempre critiquei a indisposição (de empresas e de jornalistas) com relação à mídia das pessoas, normalmente lembradas apenas num momento de tragédia não registrada por profissionais – aí sim, seu papel se transforma em coisa valiosa. Não pode ser só na desgraça.

Também dediquei linhas e mais linhas a repórteres que alegavam inaptidão para a fotografia mas que, ao mesmo tempo, exibiam páginas pessoais forradas de todo tipo de registro desimportante de seu cotidiano.

Interessante mencionar, agora, a experiência do Diário do Guarulhos, onde fotógrafos (afinal, repórteres) receberam treinamento para escrever matérias, e vice-versa. Voltarei com mais dedicação ao assunto.

Finalmente: o trabalho jornalístico não pertence a uma casta de abençoados. Nessa controversa decisão do Sun-Times, minha única discordância imediata é com relação ao cartaz da foto acima, exibido no protesto. O passo que a provocou, aparentemente, tem tudo para ser um tiro no pé – mas carece de tempo para que se possa cravar tal condenação.

Os mestres do photoshop (sem photoshop)

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A manipulação na fotografia muito antes do Photoshop. É esse o tema de uma exposição que a National Gallery of Art, em Washington, exibe até 5 de maio.

O assunto é uma realidade tanto no jornalismo quanto na publicidade.

 

Desempregado, ganhador de prêmio vende equipamento para sobreviver

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É a cara da nossa profissão: o fotógrafo português Daniel Rodrigues, ganhador de uma das categorias do World Press Photo este ano (é a imagem que você acima), está desempregado e, pior, sem máquina fotográfica – ele teve de vender seu equipamento para pagar as despesas.

É duro, mas é o jornalismo.

World Press Photo 2013 premia estética

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É do sueco Paul Hansen a foto considerada a melhor de 2012 – e que conquistou o World Press Photo intitulado 2013.

A imagem, infelizmente, é um clássico: um enterro de crianças vítimas de bombardeios na Faixa de Gaza. E é duro dizer isso, mas você vai me entender: neste ano os julgadores privilegiaram a estética em detrimento do jornalismo.

Explico, novamente com um “infelizmente” introdutório: é uma cena banal. Menos mal que não deixa de ser um registro nu e cru de um fato.

Em 2009, pra citar um caso, a distinção foi para uma reintegração de posse de imóvel nos EUA cujo morador foi devorado pelos juros bancários. Como milhares de devedores, o que obrigou governos do mundo todo a bancar instituições privadas para evitar a falência múltipla do sistema financeiro.

A imagem em si não era grande coisa, mas trazia uma forte ênfase jornalística. Como a escolha de 2011/2012, que remetia à Primavera Árabe.

Confira os ganhadores do prêmio em todas as categorias.

Os muros vazios de Barcelona

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Adrian Melis nos relembra para que serve a fotografia: na série Replacement Points, apresenta o contraste dos muros de Barcelona cujas mensagens anticrise foram recém-apagadas. Grande sacada.

As origens do fotojornalismo brasileiro

Ainda dá pra ver até março, na sede paulista do instituto Moreira Salles, a exposição As Origens do Fotojornalismo no Brasil: Um Olhar Sobre ‘O Cruzeiro’, que foca na revista de informação que circulou entre 1928 e 1975 e detém, até hoje, os recordes absolutos de tiragem (versus população do país) com várias edições acima de um milhão de cópias.

Por mais importante que O Cruzeiro tenha sido para o mercado editorial brasileiro, em particular, e para o fotojornalismo nacional, em especial, não se pode perder jamais de vista o caráter chapa-branca da publicação. Assim como Manchete, turbinada pela ditadura militar, O Cruzeiro nasceu patrocinada por um ditador, Getúlio Vargas, e boa parte de seu sucesso e furos de reportagem podem ser creditados a favorecimentos mil.

Era uma época romântica do jornalismo: repórteres tinham autonomia para fretar aviões, e jornalistas em geral tinham liberdade para mentir (ficou o famoso o caso do “disco voador” na Barra da Tijuca, claramente uma manipulação deliberada da revista).

Fotógrafo da publicação, Flávio Damm fala sem rodeios sobre as armações de David Nasser (repórter venal e simpático à ditadura) e companhia em busca de mais vendas nas bancas.

Isso não significa que O Cruzeiro não tenha exercido sua importância e que ela não deva ser reconhecida. Mas não se pode esquecer de que forma, em boa medida, foi construída.