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O Jornalismo no Cinema 3

Houve um tempo (que durou pelo menos uma década, infelizmente) em que o jornalismo, para Hollywood, só era digno de virar filme se contasse as agruras de um correspondente numa zona de conflito. Um cara empoeirado, fudido da vida, condenado a viver eternamente longe de casa, sem banho, cheirando a… vocês sabem.

Esse cara normalmente era fotógrafo (e sempre empunhando a máquina de forma equivocada, reparem), cobria desavenças bélicas no Terceiro Mundo e desenvolvia amizade fraternal com seus intérpretes/guias _estes, sempre empapados em suor, paus pra toda obra e capazes de arriscar a vida por uma reportagem. Às vezes, quando a guia era mulher ou a repórter da agência concorrente atraente, ainda rolava um algo mais.

Assim é O ano em que vivemos em perigo (The Year of Living Dangerously, 1982), ambientado na Indonésia do ditador Sukarno, com o regime à beira do colapso (1965, portanto). Ganhou um Oscar.

Os gritos do silêncio (The Killing Fields, 1984) repetiu a fórmula, mandou o enviado ao Cambodja, fez a platéia chorar e faturou três estatuetas.

Em 1986, El Salvador, o martírio de um povo (Salvador) relata como um frila beberrão e fracassado aproveita a guerra civil no país centro-americano para tentar relançar sua carreira. Aqui, além do amigo fiel suado, tem a coleguinha cheirosinha e instigante também.

Essas representações também têm responsabilidade pelo fato de tantos jornalistas empregados hoje na grande mídia considerarem, pra valer, que a profissão só faz algum sentido se o repórter viaja. Para eles, ser repórter em São Paulo é chato…

Ainda fazem filmes assim, é incrível. Harrison’s Flowers, de 2000, é sobre um fictício fotógrafo que acaba ferido e fica entre a vida e a morte na guerra da Bósnia. A mulher dele, a bela Andie McDowell, ultrapassa todos os obstáculos e tenta localizar e socorrer o amado. A coisa mais chata a superar é o personagem de Adrian Brody, que interpreta um fotógrafo da AP. Como todo fotógrafo, ele é conceitual, se orienta pela luz e dá todos _absolutamente todos_ os conselhos errados. Pela Andie, minha paixão da adolescência (meu deus, com quantos anos então estará essa mulher?), veja o trailer (quem descobrir o nome desse filme em português me avisa?):