Arquivo da tag: Fenaj

Eles não desistem

Nesta semana mais uma vez há a expectativa da apreciação no Senado, pela segunda vez, de uma PEC (proposta de emenda constitucional) que restitui a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

Que preguiça…

Zzzz… a discussão da PEC do Diploma

Uma chateação certa para 2011: a discussão da “PEC do Diploma”.

Reproduzo release da Fenaj, repartição que diz ser uma federação de jornalistas, e sua batalha insana pelo reconhecimento do pedaço de papel. Nenhuma palavra sobre o que se ensina para obtê-lo. Indecente.
__________
A luta continua!     15/12/2010 | 23:01
Votação da PEC do diploma fica para 2011

Ainda não foi desta vez. A Proposta de Emenda Constitucional 33/09 – a PEC do Diploma – não foi a voto no plenário do Senado na terça e quarta-feira. Os apoiadores da campanha em defesa do diploma preparam-se para uma nova agenda de lutas e contatos com os parlamentares com o objetivo de buscar a aprovação da PEC no início de 2011.

“Os esforços da comitiva da FENAJ e dos Sindicatos nestes dois dias foram intensos, com contatos e articulações com o autor e o relator da PEC, diversos outros senadores e inclusive com o presidente da Casa”, conta o presidente da FENAJ, Celso Schröder. Fizeram parte da comitiva dos jornalistas, além de Schröder, os membros da Executiva da FENAJ Deborah Lima, Antônio Paulo da Silva e José Carlos Torves e os representantes dos Sindicatos dos Jornalistas de Alagoas, Município do Rio de Janeiro e da Paraíba, respectivamente Valdice Gomes da Silva, Sonia Regina Gomes e Rafael Freire, que também são diretores da Federação, além de Lidyane Ponciano, do Sindicato de Minas Gerais.

Embora houvesse quorum nominal no Senado nos dois dias, não se verificou a presença de 65 parlamentares em plenário necessária para apreciação de PECs. “Mas o quadro de apoios que já conquistamos nos dá a esperança de que a PEC do Diploma será aprovada”, comenta o presidente da FENAJ.

Aprovada na CCJ do Senado no dia 3 de dezembro de 2009, a PEC 33/09 prossegue na pauta. “Nossa orientação agora é de intensificar os contatos principalmente com os senadores que foram eleitos este ano e construir uma agenda de debates e eventos como atividades de final de ano e de pré-carnaval para que nossa luta prossiga em evidência na sociedade” informa Celso Schröder, complementando que o objetivo é retomar as articulações em torno da matéria já no início dos trabalhos do Senado, em fevereiro de 2011.

Filiação de não diplomados racha sindicalismo jornalístico

O sindicalismo jornalístico brasileiro está muito perto de um racha. E o motivo é bizarro: alguns sindicatos (com São Paulo à frente) passaram (em respeito à lei) a filiar não diplomados em jornalismo, mas que exercem a profissão.

Como todos nós sabemos, no Brasil o exercício do jornalismo é livre _como de resto, no mundo: o avanço tecnológico já tinha dado uma imprensa para cada um.

Dentro da Fenaj (a federação nacional da profissão) surgiu um movimento contra essa filiação, e o assunto será discutido em 27 de março pelo Conselho de Representantes, que quer proibir a prática.

Os motivos desse grupo eu entendo perfeitamente. Minha grande dúvida é saber o porquê de não diplomados em jornalismo decidirem se filiar a entidades da classe, o que se passa na cabeça dessa gente?

Como sindicalizado veterano, atesto a inutilidade da coisa.

Afinal, queremos um sindicato de diplomados em Jornalismo ou um sindicato de jornalistas? Ou não queremos sindicato? Nem precisa responder.

Lembro que me revoltava porque não aceitavam, lá pelos idos de 1992, sindicalização de frila, ainda que jornalista formado. Hoje entendi que o sindicalismo do jornalismo só se importa com quem faz xixi até a linha delimitada por ele.

Desta vez, ao menos em SP, foram razoáveis. E tem gente partindo pro casuísmo. Uma vergonha, não me representam e não falam por mim.

Sindicato dissidente quer representar jornalistas brasileiros

Surgiu, em junho de 2009, um tal Sinaj (Sindicato Nacional dos Jornalistas do Brasil), que tem sede em Carapicuíba-SP, sob o comando de Fernando Leão. Ou seja, não temos só um sindicato (dois, considerando o estadual e o federal), temos mais um.

O Sinaj é “uma instituição constituída para fins de representação legal e defesa dos interesses materiais e morais da categoria profissional dos jornalistas, com base territorial extensiva a todos os Estados Brasileiro, Objetiva fundamentalmente, pugnar pela justa remuneração e, conseqüentemente, a melhoria das condições de vida e trabalho de seus representados, assim como a independência e autonomia da representação sindical, e a manutenção das Instituições Democráticas Brasileiras.”

Uma dissidência da Fenaj, portanto.

Discordar da Fenaj tende a ser bom negócio, mas não nesse nível. Sinistro, olha a escalação titular.

A entidade aceita, como filiados, estudantes de jornalismo e ilustradores. Poderia ser bem legal (eu mesmo rompi com o sindicato formal logo de cara ao descobrir que frilas em redações não existiam pra ele), mas exala olor bem estranho.

Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece…

Não foi hoje…

A demora nas deliberações sobre a inscontitucionalidade de vários pontos da Lei de Imprensa (que não foi encerrada e também ficou para depois) fez o STF tirar da pauta de votações de hoje a deliberação sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão.

A Fenaj tem mais informações, enquanto o Comunique-se cita que o controverso tema pode voltar à pauta amanhã.

Leia mais notícias sobre o assunto

A questão do diploma e os jornalistas militantes

A discussão sobre a obrigatoriedade do diploma específico para o exercício do jornalismo segue rendendo pano pra manga. O STF está na iminência (a quantos meses tenho escrito isso, meu deus?) de julgar a matéria.

A primeira coisa que me chama a atenção hoje, anos após o início da pendenga, é que a maioria das vozes que se levantam para discutir o tema _sejam elas de sindicalistas ou de acadêmicos_ partem seguramente de pessoas com minúscula atuação prática na área.

Alguns, mesmo com pequeníssima passagem por algo que se assemelharia a uma redação, batem no peito, posam de especialistas, dão sugestões e conselhos ao debatores. Coitadinhos.

Também concordo que a Fenaj, por pior que seja constituída sua diretoria (uma cambada de barnabés que mamam nas “assessorias” de órgãos públicos), deveria capitanear o processo de regulamentação e fiscalização da profissão.

Afinal, foi o desinteresse dos jornalistas militantes (não os de meia-pataca, de biblioteca ou de repartição pública) que propiciou o estabelecimento desta desordem vergonhosa que hoje representa os jornalistas brasileiros.

Talvez, com uma missão de verdade à vista, os processos eleitorais e de gestão dentro da Fenaj sejam encarados com seriedade por quem dedica seu dia ao trabalho jornalístico de verdade _os que metem a mão na massa, não os que vêem a massa em cima da mesa e, de barriga vazia, desandam a criticá-la sem propriedade alguma). Eu me incluo na crítica: sempre, em 18 anos de profissão, me recusei a participar dos pleitos da entidade nacional, mesmo tendo mais de uma década como profissional sindicalizado e em dia com suas obrigações financeiras _que é o que, no fundo, importa a estas instituições.

Pior é a própria Fenaj, que nesta segunda distribuiu nota aos professores de jornalismo brasileiros com o título cafona “Aos mestres, com carinho”, no qual insinua que sempre esteve por trás de projetos que visam melhorar a qualificação do ensino da disciplina. Outra mentira.

Repito aqui: o ensino de jornalismo nada tem a ver com a exigência ou não de um diploma para exercê-lo. Eu, assim como muitos de vocês, quero uma faculdade melhor, preocupada com a discussão acadêmica sim, mas dona de recursos humanos capaz de gerir as necessidades técnicas do ensinamento deste trabalho.

O diploma de jornalista na Argentina. Que diploma?

No momento em que o STF está na iminência de votar a obrigatoriedade (ou não) de um diploma específico para o exercício do jornalismo, e aproveitando que sigo aqui pela Argentina, procurei consultar jornalistas amigos para saber como a questão é tratada aqui.

Pasmem: para ser jornalista na Argentina não é preciso nem sequer um diploma universitário. Isso mesmo, qualquer um, de qualquer área. Basta, apenas, comprovar que se trabalha (ou se trabalhou) na profissão, inclusive em atividades correlatas _como diagramador ou fotógrafo, por exemplo.

Radical demais, mas não deixa de colocar uma boa pitada nesta discussão. Afinal, que atire a primeira pedra quem considera _e pode sustentar essa opinião com argumentos sólidos_ o jornalismo brasileiro superior ao argentino. No mínimo, diria que estão no mesmo nível (sendo benevolente conosco, para dizer a verdade).

O fato de não existir exigência de diploma não significou o fim da carreira como uma disciplina acadêmica, pelo contrário. No país, há centenas de opções de cursos (que duram os mesmos quatro anos que os cursos brasileiros). E estas faculdades estão cheias de gente em busca de informação que possa auxiliar seu trabalho futuramente nas redações.

Entrementes, no Brasil, a Fenaj segue sua campanha pró-diploma sustentada no fragilíssimo pilar da regulamentação.  Ora, a regulamentação nada tem a ver com o diploma em si, mas sim com metodologias de acesso e controle profissional que muito bem poderiam ser supridas por um órgão que fiscalize as práticas dos jornalistas militantes (especificamente no campo da ética).

Como vimos, as faculdades de jornalismo não acabaram nem perderam alunos apenas porque um diploma não é necessário para se trabalhar na profissão. O caso argentino prova isso e derruba mais uma das bobagentas argumentações dos que defendem a obrigatoriedade de um pedaço de papel para exercer esta função altamente técnica.

Este blog é contra a exigência do diploma para o exercício do jornalismo

Nas palavras de cartinha mandada circular pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) para pressionar os ministros do STF que votarão, em breve, sobre a necessidade do diploma em jornalismo para o exercício da profissão, eu não tenho compromisso com a construção de um jornalismo responsável e realmente cumpridor de sua função social.

Ok, entendo a posição desesperada da incompetente entidade de classe que, uma vez mais, está em vias de deixar escapar por entre os dedos aquilo que considera “conquista” da profissão. Agora, não posso deixar de, ao observar a relação de seus diretores, identificar ali um bando de barnabés que, mamando nas tetas públicas, não tem a integridade necessária para discorrer sobre compromisso com a profissão.

Olha só, para deixar bem claro: sou jornalista profissional diplomado, sim. A minha questão contra a obrigatoriedade surge, num primeiro momento, do inevitável avanço das pessoas “comuns” graças às novas tecnologias.

Hoje somos (todos nós) dotados de instrumentos que antes eram privilégio da mídia. As pessoas vêem as coisas acontecerem diante delas, fazem fotos e vídeos, levam relatos ao ar. Isso é jornalismo, gente, quer queira a Fenaj ou não.

Minha segunda questão contra a obrigatoriedade é a balela de que o diploma é “uma das garantias que conferem à mídia brasileira qualidade e compromisso com a informação livre e plural.”

Mentira, não é verdade! Temos analfabetos funcionais diplomados trabalhando em redações, gente despreparada e deslumbrada, caras cheios de rabo preso, interesses e a soldo de poderosos. Ética e caráter não estão embutidos num canudo, pode ter certeza.

Para encerrar, seção-comédia: a tal cartinha que a Fenaj, via fóruns e spam, está distribuindo na rede…
À Sua Excelência Sr(a)

Ministro(a) do STF

A exigência do diploma de Curso Superior em Jornalismo para o exercício independente e ético da profissão de jornalista é uma conquista histórica não só desta corporação, mas de toda a população brasileira.

A luta pela criação de Escolas de Jornalismo começou no início do século passado. O primeiro Curso foi implantado 40 anos atrás e a profissão, regulamentada há 70 anos, desde 1969 exige a formação superior na sua legislação. Este requisito representou um avanço para a imprensa do país ao democratizar o acesso à profissão, antes condicionado por relações pessoais e interesses outros que não o de atender o direito da sociedade de ser bem informada.

Setores sem compromisso com a construção de um jornalismo responsável e realmente cumpridor de sua função social vêm questionando este fundamental instrumento para a seriedade, democracia e liberdade na imprensa. Confio que o(a) Excelentíssimo Ministro(a) votará com este entendimento no (RE) 511961, em favor de uma categoria profissional com papel tão relevante e em defesa da sociedade brasileira.

O diploma em Jornalismo, bem ao contrário de ameaçar a liberdade de expressão, é uma das garantias que conferem à mídia brasileira qualidade e compromisso com a informação livre e plural.