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O dever de proteger a fonte

Esse é um dado bacana que o Columbia Journalism Review revelou: desde 2001, na gestão de Robert Muller, o FBI já investigou (sem processar ninguém) 85 casos nos quais a acusação era “crime report”, ou seja, a revelação de dados confidenciais para veículos de imprensa _nesta conta entrou apenas a mídia formal, e em geral os “infratores” eram funcionários públicos.

Há ainda outros 21 casos em andamento.

Na maior parte das vezes, há pressões sobre os jornais para que divulguem suas fontes (quem teria, sob a luz da lei americana, cometido algum tipo de delito). É um dever nosso proteger essas pessoas.

Por ora, a imprensa resiste. Veremos até quando.

A garota se tornou mais famosa do que a mala

Maria del Luján Telpuk, ex-agente aeroportuária, descobriu mala de dinheiro que colocou o atual governo argentino em maus lençóis

María del Luján Telpuk, ex-agente aeroportuária, descobriu mala de dinheiro que colocou o atual governo argentino em maus lençóis

Já é clássico no jornalismo: uma notícia pode ganhar ainda mais interesse se um de seus protagonistas é, digamos, interessante de se ver.

A Argentina assiste a apenas mais um exemplo dessa máxima. Aqui, a ex-agente policial aeroportuária María del Luján Telpuk se transformou numa celebridade não apenas por ter sido a responsável pela apreensão de uma mala com US$ 800 mil no aeroporto Jorge Newberry (o Aeroparque), em Buenos Aires, em agosto do ano passado _o dinheiro, presumivelmente, tinha sido enviado pelo governo venezuelano para a campanha de Cristina Kirchner, que acabou eleita presidente argentina.

A última de Telpuk (que foi capa da Playboy local em fevereiro e virou dançarina de palco da versão argentina do “Patinando com as Estrelas“) reverberou na imprensa local. Ela acusa o FBI de chantageá-la a mudar seu depoimento e vincular o empresário Guido Antonini, que viajava ao lado de outras pessoas no pequeno avião com a valiosa bagagem, ao venezuelano Franklin Durán, detido e processado nos EUA sob a acusação de atividades ilegais de espionagem a serviço do governo de Hugo Chávez.

Segundo a ex-policial (que hoje também trabalha numa empresa privada de segurança, conforme revelou anteontem num programa popular da TV local), os agentes norte-americanos lhe ofereceram “um emprego de modelo numa das mais importantes agências de Miami“. Telpuk bateu o pé e não mudou suas declarações.

Qualquer coisa que a dublê de modelo e agente de segurança diga ou faça ganha grande repercussão local. Nessas ocasiões, seu lindo rosto estampa páginas dos diversos jornais portenhos (só para lembrar: apenas nos últimos seis meses, Buenos Aires ganhou mais dois diários pagos em papel, um movimento certamente sem precedente no mundo).

A “garota da mala”, como ficou conhecida, eclipsou o próprio escândalo político por trás do incidente e que colocou os governos dos EUA e da Argentina em confronto.