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O problema da ESPN

Muito boa essa análise sobre o poder da ESPN, que detém contratos milionários com as principais ligas americanas e consegue até mudar times de sede, entre outros aspectos monopolistas. Com mãos de ferro, ela manda em tabelas, horários, regulamentos…

Surpreendente saber que a emissora, hoje, responde por cerca de metade do faturamento do grupo Disney (US$ 5,4 bilhões), uma autêntica máquina de fazer dinheiro.

A questão central é: que jornalismo faz uma rede tão enfronhada nos negócios? Mais, no caso do Brasil: será que a emissora é tão crítica e combativa justamente porque está à margem dessa cadeia de comando?

Jornalismo financiado sofre mas está otimista nos EUA

Os números ainda são ruins, mas jornalistas que trabalham em startups voltadas para a comunicação nos EUA estão otimistas com o que pode acontecer nos próximos meses – é o que mostra pesquisa do Pew.

Das 172 instituições ouvidas, nunca é demais lembrar que duas já ganharam o Pulitzer. E, importante, que praticamente todas ainda estão em busca de um modelo de negócios sustentável.

 

E agora, Buffet?

Depois de comprar 28 jornais nos últimos 15 meses nos Estados Unidos, o multimilionário Warren Buffet, em carta aos acionistas de sua empresa, diz que continuará a fazê-lo mesmo admitindo que “a circulação, faturamento publicitário e lucro do setor jornalístico como um todo estão destinados a cair”.

À parte o romântico “eu amo jornais” no texto, Buffet apresenta os reais motivos de seu investimento: a aposta na mídia regional, o bom e velho conceito hiperlocal que, dizemos há anos, parece ser de fato a saída mais interessante para um produto que perdeu a primazia de ser o arauto do noticiário.

“Se você deseja saber o que está acontecendo em sua cidade – notícias sobre o prefeito, impostos locais ou o resultado do time de futebol americano da escola secundária -, não há substituto para um jornal local que esteja fazendo bem o seu trabalho. Um leitor pode facilmente se entediar depois de ler dois parágrafos sobre as tarifas canadenses ou os desdobramentos políticos no Paquistão, mas uma reportagem que fale sobre ele e seus vizinhos será lida até o fim”, pontua a carta.

Porém Buffet não menciona um aspecto crucial (e óbvio) para se fazer “bem o seu trabalho” em jornalismo hiperlocal: é preciso jornalistas. Não há agências de notícias ou sites na internet cobrindo o time de várzea de seu bairro e oferecendo material pronto para republicação a respeito da quitanda da esquina.

Portanto, diferentemente do mau jornalismo de caráter nacional (onde cabeças são cortadas impiedosamente, e as redações se desidratam dia após dia), para apostar no hiperlocal é preciso contratar repórteres e editores.

Buffet irá na contramão do mercado?

 

O entrave da burocracia

Tem sido extremamente burocrática, nos Estados Unidos, a obtenção da condição de “empresa sem fins lucrativos” – predileta das startups de jornalismo porque, além de senção fiscal, garante acesso a tipos de financiamento não disponíveis a corporações no velho estilo.

Lá como cá…

O custo da guerra contra as drogas

Mais um documentário pertinente que só descobri agora: ‘The House I Live In’, que escancara o fracasso da guerra contra as drogas, governo após governo nos EUA.

Topei com uma resenha hiper-prolixa, mas que fala por mim.

Se achar a versão full do vídeo, por favor me avisa.

A história do jornalismo afro-americano independente

Bom apanhado sobre a história do jornalismo afro-americano independente. Desfrute.

Internet legal

Toneladas de exemplos de jurisprudência sobre questões como direito autoral e outras agruras de quem passa a vida publicando em tempo real. É o DNA do e-book Internet Law for Journalists, Bloggers, Students, Social Media Users, de Cleland Thom.

Boa leitura!

EUA discutem ‘Ley de Medios’ ao contrário

Enquanto na Argentina a presidente Cristina Kirchner compra briga com os principais grupos de mídia e faz passar a Ley de Medios que, na prática, obriga essas empresas a se desfazerem de negócios, os EUA estudam relaxar norma de 30 anos atrás que previa a mesma coisa.

Evidente que, num cenário de fechamento de veículos e demissões em massa de jornalistas, restringir as operações em nome de uma suposta “diversidade de vozes” não parece ser um bom negócio – ao menos para os profissionais deste combalido ofício.

Não vou entrar no debate sobre o controle social da mídia porque você já conhece meu ponto – em nosso país, por exemplo, quem acena com esse tipo de dispositivo o faz com um único objetivo: domesticar a mídia e torná-la compulsoriamente um veículo oficial. Aí acaba a profissão como a conhecemos.

Al Jazeera americana

A chegada aos EUA da rede de TV Al Jazeera, do Catar, é uma das grandes notícias de 2013. A forma como isso se concretizou é ainda mais curiosa: a emissora comprou uma operação local do ex-vice-presidente Al Gore, que antes havia recusado uma oferta da apresentador e reacionário Glen Beck.

Daí já viu, né? Num país dividido, claro que iria sobrar para Gore, acusado de fazer negócio com um “porta-voz do terrorismo“. Coisas que só poderiam acontecer nos Estados Unidos…

O massacre da escola e o fetiche da velocidade

O “jornalismo formal” costuma apontar o dedo para as redes sociais como um exemplo de falta de acuração e cuidado com a informação. Claro, acuração e cuidado com a informação são apanágios do “jornalismo formal”.

Daí um rapaz de 24 anos que teve toda a família assassinada pelo irmão mais novo (também morto) é apresentado pela mídia tradicional como sendo o assassino.

Definitivamente estamos caminhando com muita pressa. Esse fetiche da velocidade foi extraordinariamente dissecado na tese de mestrado que Sylvia Moretzsohn defendeu na UFF em 2000.

“Antes de mais nada a informação deve ser rápida para ser considerada eficiente. A velocidade, portanto, parece ganhar vida própria, e passa a ser o valor fundamental a ser consumido”, escreve a pesquisadora.

E isso agora é pra todo o sempre. Um ônus que o jornalismo em tempo real impôs aos nosso tempo. E que vale inclusive para a rede social.