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A volta de Jayson Blair. E numa aula de ética

“Eu me lembro de ter cruzado essa linha e dito para mim mesmo ‘cara, eu não vou fazer isso de novo. Amanhã, voltarei para o lado do bem e farei as coisas como se supõe que elas devem ser feitas'”.

A frase é de Jayson Blair sobre um deslize cometido logo após os ataques de 11 de setembro, quando inventou o nome de um personagem de uma reportagem. Segundo ele, teria sido a primeira mentira de uma série que levou sua carreira à ruína.

Responsável pelo maior escândalo da história de 158 anos do New York Times, Blair foi demitido em 2003 após confessar que havia inventado aspas, fatos e personagens. Atualmente ele trabalha numa clínica psiquiátrica onde também se submete a tratamento.

Ontem, voltou a circular num ambiente jornalístico ao palestrar para estudantes da Universidade Washington e Lee, em Lexington, numa cadeira sobre ética.

É sempre bom manter vivo na lembrança o caso Blair e suas consequências.

A ética jornalística e as filhas góticas de Zapatero

Os casais Obama e Zapatero e as filhas do premiê espanhol, que chocaram pelo visual gótico

Os casais Obama e Zapatero e as filhas do premiê espanhol, que chocaram pelo visual gótico (a foto foi pixelizada para proteger as menores)

É o debate da vez na Espanha: vários meios de comunicação se aproveitaram de um descuido (ou seria do excesso de transparência?) da equipe de comunicação de Barack Obama, que divulgou uma foto em família do mandatário americano e do premiê espanhol, José Luis Zapatero, numa visita ao Metropolitan Museum, em Nova York.

Minutos após enviar a imagem ao mundo, a Casa Branca solicitou aos meios de comunicação que a foto não fosse publicada porque os pais das duas garotas (de 15 e 13 anos) que aparecem no instantâneo queriam proteger sua intimidade. Os pais eram, naturalmente, Zapatero e a mulher, Sonsoles Espinosa.

Imediatamente, a agência EFE (que é espanhola) embargou a cena. Mas, com várias redações já de posse da fotografia, era de se esperar que ela acabasse publicada, o que provocou a ira do líder do governo espanhol.

O pior é que a providência da EFE, dizem na Espanha, só foi tomada após uma ligação de gente ligada ao governo. A Agência nega, dizendo-se cumpridora da Lei do Menor _apesar de, no mesmo dia, ter distribuído uma foto de Louis Sarkozy, de 12 anos, filho do presidente francês.

A censura aliada à novidade (as meninas tinham sido fotografadas uma única vez, em 2004), mas principalmente o visual das garotas (gótico e, digamos, fora de moda), suscitou chacota e, claro, fotomontagens e outros gracejos. Prato cheio para a internet e seu poder de comunicação instantâneo.

É um caso que tem uma série de ângulos. O jornalismo avançou o sinal? É justo, do ponto de vista jornalístico, sustentar este tipo de acordo com personalidades? Até que ponto uma pessoa pública consegue proteger seus familiares desse tipo de assédio? Não teria sido mais fácil não levar as filhas a um evento que, naturalmente, seria fartamente fotografado? Respostas difíceis de dar, mas bem bacanas de discutir.