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Redes sociais e análise política

Quanto mais as pessoas têm acesso à internet, mais elas o fazem com o objetivo de utilizar sites de rede social. É o que mostra levantamento do Pew Research Center.

Este estudo sobre o uso das redes, por sinal, é bastante completo e lança um olhar específico sobre o compartilhamento de opinião e análise política no mundo árabe. Imperdível.

O jornalismo faz mal à saúde

Em “O Trabalho do Jornalista: Estresse e Qualidade de Vida“, o pesquisador Roberto Heloani traça uma raio-x devastador da profissão. O trabalho foi conduzido com base em entrevistas concedidas em meados de 2010 – dispensável dizer que, de lá para cá, nossa situação não melhorou, muito pelo contrário.

Heloani é uma das maiores autoridades do Brasil em assédio moral, essa praga que invadiu o ambiente de trabalho (em especial o jornalístico). Formado em Direito pela USP e em Psicologia pela PUC/SP, é mestre em Administração pela FGV/SP e doutor em Psicologia Social pela PUC/SP.

No trabalho, o professor aborda muitos aspectos do nosso dia a dia, como a competição dentro das redações e a tendência da contratação, cada vez mais intensa, de profissionais mais novos. “Os patrões adoram porque eles não dão trabalho”, diz.

Há tempos venho dizendo que jornalismo é coisa para garotos – mais do que a tendência à despolitização (que evita raros mas possíveis embates sindicais), pesa nesse aspecto a juventude mesmo. Ser um profissional 24 horas por dia, sete dias por semana, como reza o mantra, cansa. E cobra um preço.

Há, ainda, a pressão por atualização – consequência do avanço tecnológico – e o surgimento cotidiano de novas tarefas e rotinas. Nesse aspecto, Heloani vai ao ponto: a lenda de que jornalistas devem saber de tudo um pouco serve justamente para reforçar, diante de seus patrões, que todos são substituíveis.

Síndrome do pânico, angústia e depressão são as doenças mais comuns ligadas à nossa atividade, segundo o especialista. A falta de tempo para família, lazer, estudos e atividade física, positivamente, está nos tornando profissionais piores.

Daí é inevitável lembrar do divertidíssimo ‘Salvar un Periodista‘. Seja um ex-jornalista você também.

O suporte importa (algumas observações)

Importante fazer algumas observações sobre pesquisa conduzida por Arthur D. Santana, Randall Livingstone e Yoon Cho (todos da Universidade do Oregon), que basicamente detectou maior capacidade de apreensão do noticiário por quem consome jornais impressos – a comparação aqui foi direta com páginas na internet.

Não, o jornal impresso não possui nenhum poder mágico sobre o leitor. A explicação para isso é basicamente física – e já havia sido largamente explorada nos estudos de usabilidade de Jakob Nielsen.

Em 1997, ele mostrou que a leitura humana numa tela de computador funciona basicamente por meio de escaneamento de palavras. Ou seja, lemos mal e porcamente a web – um ambiente hostil ao olho humano, que funciona melhor reagindo à reflexão da luz (como se lê em papel) do que à sua emissão.

Outra vantagem do suporte papel, e isso o trabalho do povo do Oregon ressalta, é a capacidade de hierarquizar informação, deixando evidente ao consumidor o que é considerado mais importante.

A ciranda de manchetes e mudanças do jornalismo on-line joga decisivamente nisso, desvalorizando, por mera questão temporal, assuntos que talvez devessem ter destaque mais duradouro.

O potencial do mercado digital

Estudos divulgados na semana passada mostram o crescimento e a fragmentação do mercado digital no ambiente móvel (seja em smartphones ou tablets).

O potencial de crescimento em alguns casos é notável _como o fato de 80% dos leitores ainda lerem revistas em seu suporte original, ou seja, o papel.

Para irmos repensando nossas estratégias…

Dispositivos móveis nos EUA, uma questão racial

Estudo do Pew Research Center sobre o uso de telefones celulares nos Estados Unidos aponta diferenças raciais na manipulação dos dispositivos móveis.

Quer dizer, brancos, negros e latinos usam o equipamento de forma diferente, os dois últimos grupos especialmente para entretenimento _e menos para ler notícias.

Isso, pra mim, é uma novidade. E se discute uma maneira de criar produtos especiais para esse público.

Latinos, por exemplos, costumam aparecer no noticiário como protagonistas de matérias de imigração ilegal (ou, no máximo, nas páginas de variedades, com Jennifer López).

Quanto aos negros, eles são foco de apenas 1,9% da cobertura noticiosa nos EUA (esse dado é de Kenneth Maxwell).

Integrar esse público é também outro desafio do jornalismo em novas plataformas.

O jornalismo cidadão não morreu

A academia trocou o estudo do jornalismo cidadão pelo de mídias sociais (onde as pessoas também fazem jornalismo cidadão), mas isso não significa que a participação do público no processo de apuração, análise e difusão de notícias tenha entrado em declínio.

Trabalho recente do Open Society Media Program, a cargo da pesquisadora Nadine Jurrat, reforça o papel de democratização que  meio digital e avanço tecnológico  vêm jogando atualmente.

Mapping Digital Media: Citizen Journalism and the Internet.

Brasil na ponta do crescimento da indústria da mídia

Estudo da consultoria PwC mostra que Brasil e China capitanearão o crescimento das áreas de mídia e entretenimento nos próximos cinco anos, com uma estimativa respectiva de incremento anual de 11,4% e 11,6%.

Definitivamente, somos o país do futuro.

Como as pessoas navegam em sites noticiosos nos EUA

O Facebook está emergindo como grande drive de audiência (ao mesmo tempo em que o Twitter declina), botões de compartilhamento de conteúdo funcionam mesmo e a quantidade de usuários fiéis (que retornam mais de 10 vezes num único mês) pode variar entre 1% e 18%.

Essas são algumas descobertas de estudo do Pew Research Center, que avaliou os hábitos de navegação dos usuários de 25 sites de notícias nos EUA.

Não serve como tábula rasa (até pelo caráter americanocentrista), mas dá alguma ideia de como as coisas funcionam.

A Fox e o aquecimento global

Interessante: a Fox baixou um comunicado orientando a redação a não esquecer de contrapor, ao mencionar o aquecimento global, que os dados enfrentam divergências baseadas em estudos científicos.

Houve quem lesse a orientação como uma intervenção clara no editorial. Não é o meu caso: o jornalismo funciona melhor quando expõe mais ideias.

A ressurreição da TV

Saiu o Global Media Habits versão 2010, um estudo coordenado por Greg Lindsay que a cada ano tem se mostrado mais útil para ajudar a compreender alguns fenômenos da tecnologia e da comunicação.

Por exemplo, a pesquisa mostra que o planeta está comprando aparelhos de TV como nunca e assistindo mais à programação que eles oferecem _a média mundial é de três horas e 12 minutos.

Ou seja: mesmo com a internet, estamos vendo mais TV, como comentei nesta semana em podcast na Folha (o áudio começa com um comentário sobre a estranha relação entre WikiLeaks e Twitter).

Ainda sugiro mais, mas faltam dados para atestar: que a web está ajudando decisivamente a TV a recuperar audiência e  prestígio.

Futebol, reality shows e novelas são os programas mais atraentes para os telespectadores, uma coincidência com a internet, onde estes assuntos capitaneiam o interesse do internauta.

Esse buzz se reflete nas redes sociais, lugar em que cada vez mais as pessoas falam do que estão vendo no sofá da sala.

A pesquisa aponta ainda a incrível expansão dos dispositivos móveis (no Brasil, 32% da população tem PC, enquanto 86% possui um celular).

O estudo completo custa US$ 249.