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Mais sobre os primórdios da internet

Essa é só para quem se lembra do modem US Robotics: mais uma compilação sobre os primórdios da internet e um vídeo com reportagem de 1996 em que a rede é apresentada como uma grande novidade.

Para curtir no domingão.

Espanha discute ‘tornar normal’ o horário de trabalho dos jornalistas

Não sabia que a Espanha tinha uma “Comissão Nacional para a Racionalização dos Horários”, aliás, que eu saiba nenhum país tem uma repartição pública dessas.

Ignacio Buqueras y Bach, presidente do órgão, diz que sua tarefa é “sensibilizar a sociedade espanhola sobre a necessidade de usar melhor o tempo e racionalizar a agenda diária de maneira que sejam mais flexíveis e humanos e favoreçam a conciliação da vida pessoal, familiar e profissional”.

Buqueras assina texto em que inclui os jornalistas como beneficiários dos objetivos de sua pasta.

Diz que marcar entrevistas coletivas para depois das 18h implica “esforço adicional” para as Redações, cita casos de profissionais que foram rechaçados pelos filhos em detrimento das babás (quem, afinal, fica com eles) e replica citações de coleguinhas sobre a insalubridade de se jantar às 23h todos os dias, entre outras barbaridades incompatíveis com o exercício da profissão.

E a gente aqui, se perguntando por que o jornalismo parece ter piorado de uns tempos pra cá.

Santa burocra, Batman.

O trabalho mais auditado do mundo

É mesmo surpreendente e curiosa a visão que as torcidas têm do trabalho jornalístico formal _ao mesmo tempo em que martelam na tecla de sua gradual irrelevância, o que, sob a luz da era da publicação pessoal, caminha para uma definição conceitual.

Carlos Fernández Liria, escritor e professor de Filosofia da Universidade Complutense de Madrid, mostra-se totalmente descido do muro ao comentar como a imprensa espanhola se comporta ao cobrir o movimento bolivariano, comandado por Hugo Chávez nas Américas.

“Na Europa há muita censura, a mídia só contrata jornalistas que digam o que lhes interessa”, afirma Fernández.

Claro exagero, mas que passa aquele recado: a internet ampliou a vigilância do público, e o trabalho jornalístico, provavelmente, é o mais auditado do mundo.

Merece até uma quantificação.

De novo, a bobagem do diploma

De novo aquela bobagem: a Espanha ferve porque descobriu-se que Sara Carbonero (a repórter televisiva do momento) não é formada em jornalismo.

Falta uma disciplina para que isso ocorra, revelou a mãe dela, Goyi.

Uma prova, perdida justamente pelo fato de Sara ter sido enviada para cobrir a Copa do Mundo da África, onde virou notícia e acabou beijada por um entrevistado _Casillas, seu namorado e goleiro da seleção campeã, a Espanha.

O debate pega fogo no jornal El Mundo, mas parece haver equilíbrio entre quem acha que o exercício do jornalismo exige uma graduação específica nisso e quem não acha.

Uma bobagem, como eu ia dizendo.

O polvo Paul e o ridículo no jornalismo


Não tem nem dois dias que eu ressuscitei uma entrevista do goleiro Rogério Ceni (na qual o cara falava sobre encarar esporte como entretenimento), e me deparo agora com um texto que avalia a corrida do jornalismo ao polvo “vidente” Paul como uma babaquice sem tamanho, uma jogada da marketing do aquário de Oberhausen, na Alemanha.

É nessas horas que o ditado “nem tanto ao mar, nem tanto à terra” faz muito sentido. No texto, o crítico questiona os poderes sobrenaturais de Paul _ele próprio causando mais ridículo do que a situação em si.

Nosso amigo não percebeu que se trata de uma brincadeira divertida, com altíssimo potencial de audiência, mas que não deveria ter qualquer tipo de explicação. Procurar biólogos para explicar os “dons” de Paul, é verdade, também é estúpido (sim, o jornalismo fez isso).

Há momentos em que tudo o que o jornalismo precisa é de uma feature. Isso mesmo, um tratamento lúdico a uma não notícia capaz de divertir a audiência. O diversionismo pelo diversionismo.

Mas tem gente que não compreende como o humor pode fazer bem à profissão.

A questão da audiência no jornalismo on-line

O pesadelo de qualquer site jornalístico (ou de qualquer produto na web) é verificar uma estagnação no número de leitores. É claro, a cada dia há mais gente nova na internet, e teoricamente estamos aqui para fisgá-las rumo ao nosso conteúdo.

Se todo dia há mais gente surfando, é natural que minha audiência cresça dia a dia. Essa é a lógica. De quanto será o crescimento, aí sim, é a diferença entre sucesso e fracasso.

Alguns números na Espanha, entretanto, são impressionantes: El Pais (seu jornal mais influente e importante) e 20 Minutos (jornal gratuito de grande tiragem), entre outros, simplesmente não tiveram mudanças na base de usuários em 12 meses. Isso significa dizer que, passado um ano, são lidos exatamente pelas mesmas pessoas _uma tragédia quando se fala no suporte on-line.

Quando o acesso de leitores a um site jornalístico fica um ano no mesmo patamar é sinal claro de que são necessárias mudanças.

El Pais desiste da separação de corpos e funde papel e on-line

O jornal espanhol El Pais (muito relevante globalmente, ainda mais considerando-se sua idade _faz 34 anos em 4 de maio) decidiu fazer aquilo que tinha descartado: unir suas redações em papel e on-line, ainda que numa integração física forçada, bastante comum hoje.

Claro, a integração física é a mais fácil de se fazer. Basta quebrar paredes e acomodar as pessoas perto umas das outras. Debater o que cada uma vai fazer (e com qual prioridade, eis o mais importante)… ah, deixa pra lá.

“Agora o El Pais é um só”, garante Gumersindo Lafuente, diretor adjunto do jornal com clara missão de fundir e tornar complementar os conteúdos dos dois suportes.

A fórmula inicial é batida: o “mesão”, uma central nervosa da redação, com editores e repórteres experientes alimentando o site e, ao mesmo tempo, discutindo o desdobramento que os assuntos devem merecer nas páginas do dia seguinte. É um formato que, via de regra, descamba para o burocrático (e para o inevitável burro encostado na sombra).

A favor de Lafuente conta o passado no Soitu.es, meio nativo digital que agitou o jornalismo espanhol por 22 meses, entre 2007 e 2009, e fechou as portas por falta de capitalização. O jornalista levou consigo para o El Pais outros 11 colegas que desfrutaram daquela aventura na web _ressalte-se que a crise no jornalismo, impresso ou eletrônico, é muito mais evidente em países que já se desenvolveram, caso da Espanha.

Quando dirigia outro importante periódico espanhol, o El Mundo, Lafuente era um ferrenho defensor da separação de corpos: on-line pra cá, papel pra lá. Tudo em nome da defesa da “identidade” de cada plataforma.

Ramón Salaverría e Samuel Negredo falam muito sobre isso no livro “Periodismo Integrado“, no qual analisam oito casos de integração de redações (poucos levaram à convergência, o orgasmo da fusão de suportes no jornalismo).

Mas é certo qe não existe fórmula pronta: depende da quantidade de entusiastas da internet e de características e aspectos culturais de cada empresa. Uma coisa, porém, é certa: precisa querer fazer.

Você quer?

História que se repete: recicle o calendário a cada 28 anos

Essa é da série Boas Ideias: sabia que a cada 28 anos o calendário gregoriano se repete? Então 2010 corresponde exatamente a 1982 _ano marcado pela performance da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo da Espanha. O time perdeu, mas ficou lembrado como um exemplo de excelência que deu azar (este ano tem Copa, e a final será exatamente em 11 de julho, como há 28 anos).

Para incentivar a reciclagem e o consumo responsável, uma ONG da Itália distribuiu calendários de 1982 “revalidados”. Evidente, a custa de mais papel. Mas a mensagem é ótima.

Uma sacada bacana que poderia até dar pauta jornalística: comparar aquela sequência de dias à atual. Quando se tinha ainda menos consciência ecológica, e futebol mais tosco porém revestido, anos depois, de glamour cult.

O Viu Isso viu isso primeiro.

Karl Marx, o jornalista

Karl Marx, que se tornaria célebre por “O Capital”, trabalhou como jornalista na Espanha e, graças ao que recebia, pôde ganhar a vida para fazer o que realmente gostava, que era pensar.

Entre julho de 1854 e junho de 1857, ele escreveu 27 artigos para o New York Daily Tribune (sim senhor, ele teve patrões americanos) com uma perspectiva inusitada da revolução liberal espanhola (1807-1823).

Suas matérias estão no livro “La España Revolucionaria”, lançado este ano pela Alianza Editorial.