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Jornalista que entrevista jornalista

Ainda ontem falei sobre uma categoria de jornalista, aquele que não gosta de notícia, e acabei me lembrando de outra tão ruim quanto: o jornalista que entrevista jornalista.

De novo, tenho de citar o exemplo o esporte e as criativas intervenções travestidas de apuração exclusiva de um mesmo veículo que, em seu momento, coloca o jogador Neymar em clubes distintos.

Repare como surgem nomes de outros repórteres no meio de um dos textos, evidenciando que a “apuração”, na verdade, não passa de fofoca não fundamentada.

Ora, se a matéria-prima principal do jornalismo é a informação exclusiva, me diga você o que uma conversa com um jornalista irá acrescentar do ponto de vista do que já foi publicado. Pois é, nada.

Esqueça que existe gente como você. Jornalista não é fonte.

O futuro da TV em debate

Faz tempo que estamos tentando encontrar uma nova linguagem para o vídeo na web, mas a TV também passa por esse drama.

Abaixo, Brian Solis conversa com Jim Louderback sobre a necessidade de se construir comunidades em torno do conteúdo (é uma máxima que vale para tudo, do texto à infografia).

A imagem em movimento vive um momento que Louderback chama de “terceira revisão”. A primeira foram as grandes redes de TV, a segunda, a TV fechada. Agora, chegamos à convergência e à necessidade de interagir com o até então mero espectador.

As antológicas entrevistas da The Paris Review

Fundada em 1953, a revista literária The Paris Review ganhou uma antologia agora traduzida para o português.

Trata-se de entrevistas célebres da publicação, que desde sua criação sempre deu mais espaço aos autores do que aos críticos.

Além da qualidade dos entrevistados, nem é preciso dizer que os textos (e os diálogos) são primorosos.

Quem dispensar o trabalho de mediação do curador que organizou o livro pode ir direto ao acervo da revista, aberto na internet.

Uma conversa sobre a linkagem em conteúdo jornalístico

Robert Niles entrevistou o pesquisador Ronald Yaros, da Universidade de Maryland, sobre o uso do hiperlink em conteúdo jornalístico.

Yaros acabou de publicar um estudo no qual as conclusões, apesar de óbvias, são fruto de coleta e análise científica _e aí passam a valer mais.

Segundo Yaros, a linkagem adequada melhora a experiência do leitor. E qual é a forma certa de linkar? Depende do tipo de material que você vai publicar.

Há algumas regras básicas (por exemplo, evitar redudâncias do tipo “clique aqui” e, em vez\ disso, escolher palavra ou trechos que deixem claro para onde o usuário será direcionado).

Dá um pulo na entrevista lá pra entender melhor.

A caminho de uma nova teoria dos gêneros jornalísticos?

Ana Mancera Rueda explica, no Sala de Prensa, a quantas anda a compreensão e a discussão, na Espanha, sobre as formas pelas quais nos manifestamos jornalísticamente (reportagem, entrevista, editorial, artigo etc, os famosos “gêneros”).

É uma das disciplinas que atualmente ministro na Faap. Aqui no Brasil, infelizmente, estamos muitíssimo atrasados com relação ao assunto.

Desde Marques de Mello, os gêneros cresceram _e não vão parar de crescer graças ao avanço tecnológico.

Caminhar na direção de uma nova teoria dos gêneros, como esboça Mancera, é tarefa complexa, porém altamente necessária.

ATUALIZAÇÃO: Por uma omissão imperdoável (quem me deu o puxão de orelha foi o colega Rogério Christofoletti), esqueci de mencionar o trabalho da pesquisadora Lia Seixas, referência importante na bibliografia do próprio curso mencionado acima, da mesma forma que a tentativa comparativa de Manuel Chaparro em “Sotaques d’aquém e d’além-mar – Travessias para uma nova teoria de gêneros jornalísticos”, que tenta observar semelhanças e diferenças entre o jornalismo praticado no Brasil e em Portugal.

Castells: ‘Se um país não quer mudar, não é a internet que irá mudá-lo’

A Folha de S.Paulo publicou hoje entrevista que fiz na sexta-feira com o sociólogo espanhol Manuel Castells, pesquisador-referência no que diz respeito à sociedade em rede.

O enfoque no caderno de Eleições, claro, são as relações entre poder político e cidadãos, que agora além do mesmo país coexistem também nas mesmas plataformas na internet.

Durante a semana, outros assuntos que abordei com Castells _como jornalismo e Twitter_ vão aparecer por aqui.

Até.

Lições de integração do Guardian

Alan Rusbridger, diretor do Guardian (provavelmente o jornal que melhor entendeu a necessidade da convergência entre papel e on-line), deu uma belíssima entrevista ao El Pais.

Nela, lamenta que tenha menosprezado o poder do Twitter e defende uma web aberta e colaborativa _até como antídoto ao altíssimo custo do jornalismo investigativo de qualidade.

Comandado por Rusbridger, o processo de integração do jornal britânico começou na marra (seus jornalistas foram obrigados a abrir contas em redes sociais e a interagir com os leitores). Não é uma prática recomendável (o engajamento dos entusiastas e o convencimento paulatino dos demais, na minha opinião, é mais eficiente).

Mas deu certo: o Guardian é um belo exemplo de como fazer.

Fidel Castro abre o bico

Fidel está falando com a imprensa estrangeira. Quer dizer, nem tanto: começou com jornalistas venezuelanos quase amordaçados. Mas soltou um ‘o Wikileaks merece uma estátua’. Ainda um bom frasista aos 84 anos.

Agora, foi fotografado ao lado do americano Jeffrey Goldberg, que colabora com a The Atlantic, talvez a grande revista dos EUA hoje.

Vem materiaça por aí.

A insuportável indignidade de ser repórter

John Carlin escreve um texto bastante forte (e direto) sobre o que ele chama de “a insuportável indignidade de ser jornalista”.

Basicamente é o desabafo de um repórter esportivo obrigado a conviver com milionários (os personagens das notícias, ou seja, jovens jogadores alçados de repente ao estrelato) e as dificuldades de entrevistá-los.

“A primeira exigência para ser um repórter é a persistência, virtude admirável condenada sempre a beirar a humilhação”.

Carlin descreve como nós, em busca de um entrevista, somos obrigados a esperar e suplicar (às vezes, rastejar). No caso de esportes, e ele detalha isso bem, é clara a distância entre jornalista e fonte _de fato, muitas vezes é mais difícil conversar com a nova estrelinha do futebol do que com o próprio presidente da República.

E há saída? “Vingar-se da profissão e virar assessor de imprensa de um clube ou encontrar a salvação na pré-aposentadoria jornalística do escritor de colunas opinativas”, receita.

Hilário, ao mesmo tempo triste, mas absolutamente verdadeiro.

O Facebook como ferramenta de auxílio a entrevistas

O jornalista André Lobato, da Folha de S.Paulo, fez uma experiência interessante neste final de semana: usou o Facebook para entrevistar (de forma pessoal, não solicitada pelo periódico) a deputada federal gaúcha Manuela Davila.

Sua primeira observação é que a ferramenta é pouco ágil para este gênero jornalístico: aguardar as atualizações (ou seja, as respostas do entrevistado) tomou muito mais tempo do que sugeria. No final das contas, uma “conversa” de cerca de 30 minutos se reflete em pouco conteúdo digitado.

A vantagem é a quantidade praticamente ilimitada de caracteres e o registro permanente, ainda que num ambiente onde seus dados não pertencem a você, mas ao Facebook.

Não posso afirmar que tratou-se da primeira entrevista no Brasil via a rede social, mas certamente foi uma das primeiras. Bem por isso o registro aqui. Se você conhece outras iniciativas do gênero, me avise.