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NYT produz vídeo-obituário de ex-presidente

Não, um jornalista não torce para ninguém morrer (quer dizer… depende, vai). Mas ele tem de estar preparado para a hora da morte de uma pessoa relevante.

É o caso do New York Times. Além, é claro, de manter atualizadas bases de dados que precisarão apenas de pequenos retoques quando a celebridade se for, o jornal está investindo fortemente em vídeo-obituários _o formato estreou há dois anos, com o comediante Art Buchwald.

 “Olá, eu sou Art Buchwald e acabo de morrer”, diz, o morto brincalhão logo no início do vídeo que inaugurou a sessão, sugestivamente batizada de Last Word, ou última palavra.

A ideia é excelente e funciona assim: primeiro, é claro, o jornal identifica personalidades que estejam, digamos, pela bola sete. É evidente que se trata de uma negociação complicada. Há pessoas, como Buchwald, que entram completamente no espírito do documentário (neste caso, basicamente uma entrevista relembrando passagens da vida do personagem).

Outras, como o comentarista e escritor William F. Buckley, preferem declinar o convite do NYT _a propósito, Buckley morreria meses depois de ter se recusado a falar sobre sua vida e obra.

Segundo David Rummel, produtor-chefe de notícias e documentários do NYT, já há 30 vídeo-obituários prontos e mais dez em produção.

O assunto voltou à tona esta semana porque o jornal revelou, sem divulgar o nome, que já entrevistou um ex-presidente para a seção.

Os Bush (pai e filho) informaram que não deram qualquer tipo de entrevista ao NYT.

Sobraram Carter e Clinton.

Façam suas apostas.

O mito da imparcialidade dos jornais

Eventos jornalisticamente relevantes como a eleição norte-americana, cujo ato final acontecerá amanhã, são bons para colocar mais pá de cal no mito da imparcialidade dos jornais _que a academia, especialmente no Brasil, teima em levar adiante.

A Editor and Publisher já havia detectado, em trabalhosa pesquisa, que 240 jornais dos EUA apóiam abertamente o democrata Barack Obama, contra apenas 114 que o fizeram publicamente em favor do republicano John McCain. Em números absolutos, essa vantagem significa 21 milhões de edições diárias em tese pró-Obama, contra 7 milhões em favor do colega de chapa de Sarah Palin (aliás, formada em jornalismo _argumento de per si contra o diploma?).

Agora foi a vez de o analista Roy Greenslade, em seu blog no Guardian, fazer o mesmo (ainda que em forma de amostragem) com as publicações britânicas. E o resultado foi praticamente o mesmo: dos cinco jornais avaliados por ele ontem, quatro se manifestaram claramente a favor de Obama.

As preferências dos jornais se expressam não apenas nos editorais, área reservada exatamente para isso, mas também na escolha de articulistas e colunistas e, em algum casos mais graves, nas próprias reportagens, várias delas escolhidas a dedo para provocar ou instigar contradições numa ou noutra campanha.

No Brasil, as revistas semanais (vide os casos de Veja e Carta Capital) têm muito mais facilidade para assumir suas posições políticas com transparência. Os jornais, via de regra, se escondem sob a frágil capa da imparcialidade, mantida mesmo quando são “descobertos” por leitores mais solertes.

É um tema tabu ainda não resolvido completamente em nossa profissão.